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São os pacientes que ajudam os médicos a decidir


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São os pacientes que ajudam os médicos a decidir

Como tem avançado a cooperação entre médicos e pacientes na tomada de decisões sobre os tratamentos? Em teoria, é um procedimento lógico. Mas, na prática, como fazê-lo funcionar melhor? Os especialistas falaram com o Smart Care.

É em Cardiff, no Reino Unido, que está a ser testada uma ferramenta que pode melhorar a comunicação entre médicos e trabalhadores que estejam de baixa. A Dra. Ceri Walby apresenta-nos um questionário destinado a revelar diversos aspetos da vida dos doentes.

“No início, não estávamos muito inclinados a usar novas ferramentas, é muita papelada. Mas acabámos por aceitar. E ficámos surpreendidos com a interação que conseguimos. Pode ser tão simples como o doente apontar-nos que tem dificuldades em levantar ou pegar em objetos. Nós passamos um atestado a dizer precisamente que, durante o próximo mês, este trabalhador não pode fazer esse tipo de tarefas específicas”, explica-nos.

Pode parecer, de facto, demasiado simples, mas a ideia é aprofundar os recursos dos médicos de família em casos de baixas prolongadas. A professora Debbie Cohen, da Universidade de Cardiff, conduziu os estudos em torno destes questionários e salienta a vantagem da diversificação das perguntas.

Segundo Cohen, “para um médico de família, as duas perguntas mais relevantes a fazer a um paciente neste contexto são: quão importante é para ele regressar ao trabalho e até que ponto se considera apto. Pode achar que está apto, mas não ser assim tão importante regressar, por exemplo. Nesse caso, as perguntas a fazer são completamente diferentes do que se me disser que tem absolutamente de voltar ao trabalho, mas que não se sente confiante para sair de casa”.

O governo britânico pretende envolver cada vez mais os pacientes nas tomadas de decisão sobre os tratamentos a adotar. Mas não é fácil introduzir alterações num sistema de saúde que tem de gerir todos os dias quase 700 mil pacientes, num país onde um em cada quatro habitantes sofre de doenças crónicas. Tal como noutros países europeus, o setor da Saúde inglês está a ser muito afetado por restrições orçamentais. Como é que a implementação da tomada conjunta de decisões se enquadra neste cenário de contenção?

Alf Collins, antigo médico de família e uma das autoridades nacionais nesta matéria, pergunta o seguinte: “Porquê deixar as pessoas à margem das decisões relativas à sua própria saúde? É o caminho que temos de seguir. No que toca ao argumento financeiro, há algumas indicações que demonstram que as pessoas que partilham as decisões na saúde costumam necessitar de intervenções médicas menos dispendiosas e com riscos menores. Mas a razão mais importante é que deveríamos providenciar os cuidados de saúde que os pacientes pretendem, não aqueles que os serviços de saúde acham que eles deviam ter. É aí que o dinheiro deve ser aplicado.”

De todas as formas, as experiências conduzidas em Cardiff já produziram algumas mudanças, explica a Dra. Ceri Walby: “Antes, os médicos aqui eram mais autoritários. Dizíamos: ‘Pronto, este é o tratamento’. Agora perguntamos se querem ou não certos medicamentos, por exemplo. As decisões são tomadas com o paciente.”

A Universidade de Cardiff pretende apresentar mais estudos nesta área, aprofundando sobretudo o setor da saúde e segurança no trabalho.

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