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O meu filho partiu para a Síria

Os filhos partiram para combater na Síria.

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O meu filho partiu para a Síria

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Os filhos partiram para combater na Síria. Em França, as famílias quebram os tabus e contam a sua história:“Pertencem a um grupo que faz deles o que quer. Entram numa espécie de seita. Quando abrem os olhos, já estão do outro lado, na Síria. Metem-lhes na cabeça que a morte não é nada de grave”, diz uma das mães, Dominique. Depois dos atentados em França, a voz destas mães começa a ser ouvida. Dominique perdeu o filho na Síria, há dois anos. Foi uma das primeiras a viver esta tragédia e a contar a sua história.

Nicolas, de 29 anos, aparece em vídeos de propaganda do Estado Islâmico, juntamente com seu meio-irmão, Jean-Daniel, que partiu juntamente com ele. Dominique diz que o filho foi vítima de uma rede de recrutamento no exterior da mesquita que frequentava, em Toulouse: “Eles são muito fortes. Conseguem remover todo o passado da mente destes jovens. É uma lavagem cerebral.”

Esta mãe criou uma associação para quebrar o isolamento das famílias e apostar na prevenção, “Syrie prévention famille”: http://www.syriepreventionfamilles.fr. Tem um encontro em Bruxelas, na Bélgica, com uma mãe com história semelhante, Saliha Ben Ali. Saliha é de origem marroquina. O filho Sabri, radicalizado, morreu na Síria há dois anos. Desde então, também luta contra o recrutamento por parte das redes jihadistas. Criou a associação “SALVAR a Bélgica”: http://www.savebelgium.org/ . Depois dos ataques em Paris, Saliha sente que é mais ouvida.

Outra mãe, Christine, fala com muito cuidado. O filho está vivo e tem 29 anos. Convertido em maio de 2014, nove meses depois partiu para Síria. Mantém pouco contacto com o filho e apenas através de mensagens. Prefere não revelar o sobrenome e só mostra fotos de infância: “Na escola, era um menino amável, muito reservado. Tinha grande empatia pelo sofrimento dos outros e creio que queria viver numa sociedade diferente da que temos. Depois cresceu e foi viver para Paris: vive normalmente, trabalha, gosta de hard-rock, tal como qualquer homem da sua geração. Começou a andar com más companhias em Paris e converteu-se ao Islão. Depois foi tudo muito rápido – radicaliza-se e desaparece.”