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Riad Hijab: "O regime não procura uma solução política para a crise na Síria"

Numa altura em que uma segunda coluna de ajuda humanitária partiu rumo à cidade síria de Madaya, cercada por forças pró-governamentais, e onde se

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Riad Hijab: "O regime não procura uma solução política para a crise na Síria"

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Numa altura em que uma segunda coluna de ajuda humanitária partiu rumo à cidade síria de Madaya, cercada por forças pró-governamentais, e onde se encontram pessoas a morrer há fome, persistem as dúvidas sobre o início das negociações a 25 de janeiro, em Genebra, entre o regime de Damasco e a oposição.

O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, criticou as partes implicadas no conflito e pediu mais empenho para superar a crise instalada: “O uso da fome como arma é um crime de guerra. Todas as partes, incluindo o governo sírio, que tem a responsabilidade essencial de proteger os cidadãos, estão a cometer atrocidades proibidas ao abrigo do direito internacional humanitário.”

A negociações de paz, destinadas a por termo ao conflito no país estão previstas para iniciar-se dentro de dez dias.

A este propósito Riad Hijab, coordenador-geral da oposição síria, deu uma entrevista exclusiva à Euronews.

Charles Salamé, Euronews – Estará em Genebra para participar nas negociações de 25 de janeiro?

Riad Hijab, coordenador-geral da oposição síria – Neste momento, existem sírios a morrer à fome e de frio. As Nações Unidas, através do enviado especial, estabeleceram acordos locais entre o regime e os cidadãos de determinadas regiões, mas infelizmente o regime ainda não respeitou os compromissos e as Nações Unidas não verificaram a aplicação desses compromissos, apesar de todas as garantias dadas.

Depois da oposição síria ter constituído o Conselho Superior para as Negociações, que declarou que a solução política da crise síria é uma prioridade estratégica, o regime sírio prendeu elementos deste Conselho. O regime não procura uma solução política para a crise no país. O Conselho Superior não foi convidado para as negociações e neste momento não sabem se estas negociações terão ou não lugar a 25 de janeiro.

Durante o nosso encontro com Staffan de Mistura, o enviado especial da ONU para a Síria referiu que desconhecia se as negociações acontecerão a 25 de janeiro. Nada está decidido nesta matéria. Além disso, existem questões relativas à agenda destas negociações que serão discutidas com o regime.

euronews – Mas referiu que preparou todos os dossiers das negociações.

Riad Hijab – Sim. O objetivo da nossa oposição é claro. Participamos nas negociações para discutir um único ponto que se resume a formar um Conselho de Transição. Mas a Rússia e o regime invocam negociações que terão como objetivo a formação de um governo de unidade.

A Rússia e o regime recusam abordar o destino de Bashar al-Assad, mas nós partimos para a negociação com o objetivo de ver uma transição política real na Síria.