Última hora

Última hora

Tunísia: Um polícia morto em protestos contra o desemprego

A polícia tunisina recorreu na quarta-feira a canhões de àgua e gás lacrimogéneo para dispersar manifestantes em Kasserine, no segundo dia de

Em leitura:

Tunísia: Um polícia morto em protestos contra o desemprego

Tamanho do texto Aa Aa

A polícia tunisina recorreu na quarta-feira a canhões de àgua e gás lacrimogéneo para dispersar manifestantes em Kasserine, no segundo dia de protestos na região, que provocaram já a morte de um agente da polícia.

Oito polícias foram feridos em Kasserine e 11 em Thala, outra cidade do centro da Tunísia. Na véspera tinham ficado feridos 20 manifestantes e três agentes da polícia, em Kasserine.

Os incidentes começaram com a morte de um jovem desempregado, mobilizando a população descontente com a alta taxa de desemprego, como explica um dos manifestantes:

“Defendemos o nosso direito ao trabalho e a única forma de sermos ouvidos pelo governo é sair à rua. Durante cinco anos ninguém nos deu ouvidos.”

“Somos uma família de oito pessoas e é a minha irmã que nos sustenta! Trabalha a limpar as ruas apesar de ter um diploma universitário.”, diz uma jovem, acrescentando que vivem os oito com um salário de 234 dinares (cerca de 100 euros).

O recolher obrigatório decretado entre as 18 e as 5 horas da manhã não foi respeitado pelos manifestantes.

O governo regiu prometendo cinco mil postos de trabalho para os desempregados e um investimento de 60 milhões de euros na construção de mil habitações sociais.

Kasserine, cidade com 80 mil habitantes, situa-se na proximidade do monte Chaambi, principal reduto dos grupos jihadistas tunisinos e o exército anunciou a intenção de usar artilharia e aviação para evitar que os jihadistas desçam às cidades.

O presidente da Tunísia, Béji Caïd Essebsi, admitiu na quarta-feira que “o governo atual herdou uma situação muito difícil”, com “700 mil desempregados, entre os quais 250 mil jovens com cursos superiores”.

A Tunísia ultrapassou a crise da transição política, depois da revolução de 2011, mas encontra-se hoje a braços com uma economia em queda, em consequência também da ameaça jihadista.