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O Syriza chegou ao poder há um ano

Há um ano o Syriza mudava o rumo da política grega. A 25 de janeiro de 2015 o partido da esquerda radical tornava-se no primeiro a vencer umas

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O Syriza chegou ao poder há um ano

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Há um ano o Syriza mudava o rumo da política grega. A 25 de janeiro de 2015 o partido da esquerda radical tornava-se no primeiro a vencer umas eleições gerais na história política grega, desde 1833. Uma nova era associada a um homem: Alexis Tsipras.

Os últimos 12 meses ficam marcados por duas vitórias eleitorais, um referendo, um terceiro resgate e muita polémica. Tsipras tem conseguido reverter o jogo político, mas até quando?

O referendo

A decisão de avançar para referendo foi vista na altura como um marco na reputação do jovem político com então 39 anos. A inesperada proposta foi vista como a primeira grande decisão do primeiro-ministro que a 05 de julho perguntou aos gregos se aceitavam, ou não, o acordo com os credores. O “não” venceu o referendo por mais de 60% dos votos, um resultado que fez tremer as instituições europeias.

A equipa

Depois do referendo, Tsipras continuou a surpreender com o anúncio da remodelação da equipa de negociação e a saída de uma das vozes mais críticas do governo: Yanis Varoufakis. O ministro das Finanças foi alvo de duras críticas da parte dos seus homólogos da zona euro e acabou por ser substituído por Euclid Tsakalotos, então coordenador grego das negociações com os credores e ministro-adjunto dos Negócios Estrangeiros.

Uma semana mais tarde e depois de 17 horas de negociação em Bruxelas, o chefe de governo grego anuncia um acordo fortemente criticado em Atenas por vários partidos, desde logo pelos parlamentares da chamada Plataforma de Esquerda, a fação mais radical no Syriza.

Para o espanto dos mais críticos, o acordo foi recebido com alívio pela maioria dos gregos que temiam a saída do país da zona do euro.

Vencedor pela terceira vez

Depois das eleições de janeiro e do referendo de julho, os gregos voltaram a dar a vitória ao Syriza de Alexis Tsipras nas legislativas antecipadas a 20 de setembro.

As eleições foram convocadas na sequência da demissão de Alexis Tsipras do cargo de primeiro-ministro, a 20 de agosto de 2015, depois de perder uma parte da sua bancada parlamentar devido a uma cisão de 25 deputados da ala mais à esquerda do partido, quando o parlamento grego aprovou um novo pacote de austeridade que Tsipras acordou com Bruxelas, recuando nas promessas de que iria acabar com a política de austeridade na Grécia.

Tsipras governa, desde setembro, coligado com os nacionalistas de direita Gregos Independentes

A oposição

A popularidade de Kyriakos Mitsotakis líder da Nova Democracia não para de aumentar. Duas semanas depois de ter assumido a chefia do principal partido da oposição, o ex banqueiro de 47 anos ultrapassou Tsipras nas sondagens.

O filho do antigo primeiro-ministro Constantinos Mitsotakis venceu segunda volta das eleições internas disputada com Vangelis Meimarakis, então líder do partido após a demissão de Antonis Samaras, em 2015.

Nas ruas, são cada vez mais os que contestam o “sim” de Tsipras a um terceiro resgate para a Grécia. Mas até quando? Tsipras tem demonstrado ser um político hábil capaz de transformar as derrotas anunciadas em vitórias. Resta saber até quando.