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Sistema baseado nos jogos de vídeo ajuda crianças com doenças neurológicas a comunicarem

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Sistema baseado nos jogos de vídeo ajuda crianças com doenças neurológicas a comunicarem

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Um sistema baseado na tecnologia dos jogos de vídeo ajuda crianças com doenças neurológicas a comunicarem. O utilizador seleciona frases e imagens

Um sistema baseado na tecnologia dos jogos de vídeo ajuda crianças com doenças neurológicas a comunicarem. O utilizador seleciona frases e imagens graças ao movimento dos olhos.

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Como mãe, consegui uma maior tranquilidade. Houve mudanças para o meu filho. Ele pode jogar sozinho, ligar a televisão, passar tempo com os irmãos, tocar música ou contar-lhes o que fez. Ele pode levar o aparelho para a escola e levantar a mão para falar durante as aulas.

O sistema de origem sueca chama-se Tobbi e foi testado pela Fundação argentina Gecenym.

“Como mãe, consegui uma maior tranquilidade. Houve mudanças para o meu filho. Ele pode jogar sozinho, ligar a televisão, passar tempo com os irmãos, tocar música ou contar-lhes o que fez. Ele pode levar o aparelho para a escola e levantar a mão para falar durante as aulas. Os colegas dele dizem que ele consegue falar com o movimento dos olhos e isso fortaleceu a autoestima dele”, contou Shila Levi, presidente da Fundação Gecenym e mãe de Ian, que sofre de uma doença neurológica.

O sistema tem sido usado no centro de Reabilitação e Educação Neurológica de Buenos Aires.

“Para nós, houve uma mudança muito grande e constatámos algo muito importante: o sorriso na cara das crianças quando conseguem usar o aparelho e a independência que elas ganham.
Em geral, quando elas querem realizar um movimento precisam da ajuda dos adultos a nível motor. Com este aparelho, essa ajuda não é necessária. Esse nível de independência torna-os felizes”, contou a terapeuta Natallia Ibarra.

Graças à tecnologia baseada nos jogos de vídeo, as crianças deficientes podem ir à escola e comunicar com colegas e professores.

O Instituto de Neurologia Cognitiva de Buenos Aires segue de perto a evolução das crianças com problemas neurológicos.

“Com o avanço no conhecimento do cérebro e a melhoria das técnicas que permitem compreender o funcionamento do cérebro, podemos perceber melhor a forma como determinadas intervenções provocam mudanças na estrutura cerebral.
Hoje, nós percebemos melhor a forma como o cérebro se altera em função de intervenções específicas e dos estímulos” explicou o neurologista Claudio Waisburg.

O grande obstáculo à utilização do sistema é o preço. O Tobbi custa cerca de 13 mil euros, um valor demasiado elevado para muitas famílias.

A Fundação Gecenym tem feito pressão junto do governo argentino para que as famílias possam ser ajudadas.

“As famílias compram o aparelho diretamente no país de origem e a fundação ajuda-as no processo de importação. Mas nem todas as famílias têm meios para adquiri-lo. O Estado tem de ajudá-las porque o sistema muda radicalmente a vida da pessoa, da família e da sociedade no seu conjunto”, frisou a presidente da instituição.