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O último a sair não apaga a luz

O poder da luz na Educação. Isso mesmo: as condições de iluminação podem ter um papel na sala de aulas? E quanto às escolas que nem sequer têm

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O último a sair não apaga a luz

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O poder da luz na Educação. Isso mesmo: as condições de iluminação podem ter um papel na sala de aulas? E quanto às escolas que nem sequer têm eletricidade? Fomos conhecer alguns exemplos que alumiam o caminho.

República Dominicana: “Luzes para Aprender”

Na América Latina, há mais de 60 mil escolas sem acesso à eletricidade. Daí que tenha nascido um projeto para ajudar a iluminar a vida de algumas comunidades rurais. Uma estória que nos chega da República Dominicana.

São 7 da manhã. O meio de locomoção de Angel, de 12 anos, para a escola, é uma mula. São 7h30 da manhã. A professora, Haidy, tem a vida um pouco mais facilitada: demora-lhe apenas 10 minutos a chegar de mota. São 8 da manhã. Wilkin, de 17 anos, já não vai à escola. Abriu um pequeno negócio.

Os três vivem numa zona remota sem eletricidade. Tudo mudou com a chegada do Luzes para Aprender, um programa da Organização dos Estados Ibero-americanos que fornece energia solar às escolas.

Graças aos painéis solares de que esta escola passou a dispor, o acesso à internet deixou de ser um problema e ajuda Haidy a elaborar as suas ferramentas pedagógicas. O programa está implementado em cerca de 500 centros educativos, beneficiando mais de 20 mil alunos que passaram finalmente a poder utilizar computadores.

A prioridade são as comunidades mais vulneráveis, como as indígenas. O isolamento rural nestas áreas costuma significar abandono escolar muito precoce e taxas de sucesso extremamente reduzidas. A escola passou a ser um ponto de encontro, dando mesmo aos adultos a possibilidade de fazerem formações e minimizarem a realidade do isolamento.

Wilkin aproveitou o embalo dado pelas formações sobre energia solar e sustentabilidade a nível local, e abriu uma pequena empresa de painéis fotovoltaicos.

Alemanha: As luzes dinâmicas

Estudos científicos recentes confirmam que as condições de iluminação afetam a aprendizagem. Há escolas que estão a experimentar luzes adaptáveis para melhorar o desempenho dos alunos. Fomos até à Alemanha ver como isto funciona.

Uma manhã de segunda-feira, escura e chuvosa, em resumo: não muito acolhedora. Mas há que ir às aulas. Nesta escola do ensino básico de Hamburgo, a professora prepara a sala de aulas com uma “luz de ativação” que irá ajudar os alunos a despertar.

Esta escola pública é a única na Alemanha equipada com luzes dinâmicas em todas as salas de aulas. Para além da “luz de ativação”, há três outras funções, dependendo da altura do dia e da aula em questão. Há uma luz de relaxamento utilizada a seguir ao recreio, para acalmar os alunos. E uma luz de concentração, usada durante o ensino da Matemática, por exemplo, ou durante os testes. O resto do tempo, recorre-se a luzes normais, como nas outras escolas.

As luzes são mudadas até quinze vezes por dia. Um estudo da Universidade de Hamburgo concluiu que a hiperatividade diminui em 75% e os alunos fazem menos 45% de erros. Para além do brilho, a cor é determinante: os tons azulados favorecem a produção de cortisol, uma hormona da família dos esteroides que ajuda a dinamizar as reações.

Apesar dos benefícios apurados cientificamente, há ainda muito poucas escolas a aderir ao conceito das luzes dinâmicas. Um facto que o responsável pelas investigações lamenta e que explica pelo preço mais elevado, e pela tendência a subestimar este tipo de soluções.