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Síria: Merkel "horrorizada" com bombardeamentos russos

Merkel está "horrorizada" com o sofrimento provocado pelos bombardeamentos russos na Síria. Alemanha e Turquia estudam possibilidade de a NATO ajudar a gerir a crise dos migrantes

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Síria: Merkel "horrorizada" com bombardeamentos russos

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De visita a Ancara, Angela Merkel disse estar ‘não apenas chocada, mas horrorizada’ com o sofrimento provocado pelos bombardeamentos russos na Síria.

“Nos últimos dias fiquei não apenas chocada, mas horrorizada com o sofrimento causado a milhares de pessoas pelos bombardeamentos, principalmente do lado russo”, afirmou a chanceler alemã.

Numa conferência de imprensa conjunta, a chanceler alemã e o primeiro-ministro turco referiram que os bombardeamentos violam a resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas, que a Rússia também aprovou e que exige o fim dos ataques contra áreas civis.

Alemanha e Turquia estão a estudar a possibilidade de a NATO apoiar os esforços para controlar as travessias ilegais entre a costa turca e as ilhas gregas.

A chanceler alemã reuniu-se, esta segunda-feira, com o presidente Recep Tayyip Erdogan e com o primeiro-ministro turco. No final, Ahmet Davutoglu informou que os dois países vão aproveitar a reunião desta semana dos ministros da defesa da NATO (10 e 11 de fevereiro) para pedir que “os instrumentos de monitorização” da organização sejam utilizados na fronteira turca e no mar Egeu. O chefe do governo também avisou que a Turquia não pode “suportar sozinha todo o fardo” do acolhimento dos refugiados sírios.

A Europa quer que a Turquia abra a fronteira com a Síria, mas que simultaneamente trave a passagem de migrantes para a Grécia, combatendo em particular os traficantes.

Merkel recordou que “se queremos por fim à imigração ilegal, devemos estar dispostos a acolher de forma legal uma certa quantidade de imigração, especialmente refugiados sírios”.

O quinto encontro nos últimos quatro meses entre a chanceler e líderes turcos serviu para fazer um ponto de situação sobre a aplicação do plano de ação União Europeia -Turquia para enfrentar a crise dos refugiados.

O acordo, alcançado em novembro, prevê que a Turquia melhore as condições de acolhimento dos mais de 2,7 milhões de refugiados sírios e reforce o controlo da fronteira marítima com a Grécia a troco de uma ajuda de 3 mil milhões de euros, que foi aprovada pela UE na semana passada.

Ancara pretende também a eliminação dos vistos para os cidadãos turcos e acelerar as negociações de adesão à UE.

O plano de ação prevê ainda que a Turquia seja mais eficaz no combate ao tráfico de pessoas, facilite a educação dos refugiados menores de idade e a inserção dos adultos no mercado de trabalho.

Ancara afirma já ter gasto mais de 8.000 milhões de dólares em apoio aos refugiados desde 2011.

Sábado, a chanceler alemã reiterou que a proteção das fronteiras externas da União Europeia é fundamental para evitar o fim do espaço Schengen de livre circulação de pessoas, bens e mercadorias.

Vários países, entre os quais a Alemanha, restabeleceram controlos fronteiriços para registar e travar o fluxo de migrantes.

Depois de ter acolhido mais de 1.000.000 de refugiados no ano passado, Merkel está sob pressão da classe política e da opinião publica e a sua popularidade caiu 12 pontos em janeiro para 46%, o valor mais baixo dos últimos 4 anos e meio, segundo uma sondagem da televisão pública ARD. Segundo o mesmo estudo realizado pela Infratest, 81% dos alemães acham que o governo não tem a crise de refugiados sob controlo.

Merkel está também consciente que só será possível travar o fluxo de refugiados quando for encontrada uma “solução política” para a guerra na Síria, o que ainda parece uma miragem.

Na semana passada, as Nações Unidas acabaram por suspender as negociações de paz em Genebra depois de seis dias em que as partes envolvidas não conseguiram sequer entender-se para dar inicio aos trabalhos.