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Os desafios do envelhecimento da população na Polónia

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Os desafios do envelhecimento da população na Polónia

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A percentagem de doenças crónicas está a afetar a força de trabalho na Polónia, onde existe um sério problema demográfico. O envelhecimento da

A percentagem de doenças crónicas está a afetar a força de trabalho na Polónia, onde existe um sério problema demográfico. O envelhecimento da população é cada vez mais expressivo – a taxa de fecundidade é reduzida e a emigração é um fenómeno histórico.

Refletimos os desafios colocados ao futuro dos polacos na estória de Monika Zientek, que aos 42 anos, é vítima de artrite reumatoide. “O meu futuro é um ponto de interrogação. É algo que me preocupa muito. Não sei como é que vai evoluir a minha doença, não sei que tipo de acompanhamento médico vou poder ter. Tenho muitas dúvidas sobre o que vai acontecer”, diz-nos.

A transição demográfica traz uma nova realidade: a faixa de população com doenças crónicas aumentou consideravelmente. Doenças como a artrite obrigam frequentemente os pacientes a deixar de trabalhar muito antes da reforma.

Problemas de saúde como este são sintomáticos numa Europa que se está a transformar demograficamente. Se olharmos para os números, neste momento há quatro trabalhadores ativos por cada reformado europeu. No entanto, calcula-se que em 2060 serão apenas dois trabalhadores. E, aqui na Polónia, as estimativas dizem que o rácio será de um para um.

Este cenário levou o professor Boleslaw Samolinski a criar uma plataforma de debate sobre possíveis soluções que reúne médicos, economistas e especialistas do governo. “Até agora, o resultado mais importante deste projeto foi conseguir chamar a atenção do público para a necessidade política de construir um sistema de saúde sustentável, de forma a manter as pessoas no mercado de trabalho. Os investimentos feitos hoje só vão dar frutos daqui a 20, 30 anos”, afirma Samolinski.

Fomos perguntar à diretora do Instituto Nacional de Geriatria polaco que medidas podem efetivamente ser aplicadas. Segundo Brygida Kwiatkowska, “há medidas concretas que podemos tomar para fazer face a esta questão. Primeiro, temos de reforçar as políticas de apoio às famílias, de forma a que os jovens se decidam a ter mais filhos. Em segundo lugar, temos de conseguir manter as pessoas no mercado de trabalho durante mais tempo. Por último, temos de criar condições para evitar que as pessoas abandonem o emprego devido a doenças crónicas.”

Num país com mais de 38 milhões de habitantes, implementar mudanças, só por si, pode ser todo um outro desafio. “Gostaria que houvesse diálogo entre as associações que nos representam e os organismos que decidem a que tratamentos temos direito. As barreiras só se deitam abaixo se houver diálogo e cooperação”, considera Monika Zientek.