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Alemanha: Arranca julgamento de ex-guarda de Auschwitz

Começou esta quinta-feira, o julgamento de Reinhold Hanning, de 94 anos, um ex-guarda do campo de concentração de Auschwitz. Reinhold é acusado de

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Alemanha: Arranca julgamento de ex-guarda de Auschwitz

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Começou esta quinta-feira, o julgamento de Reinhold Hanning, de 94 anos, um ex-guarda do campo de concentração de Auschwitz. Reinhold é acusado de cumplicidade na morte de milhares de pessoas.
O julgamento decorre em Detmold, no oeste da Alemanha e como está a atrair muita atenção mediática e tem muitas testemunhas teve de ser transferido do tribunal para a sede da Câmara de Comércio e Indústria, afastada do centro da cidade. O estado de saúde do ex-guarda do campo de concentração está a condicionar os trabalhos e apenas estão permitidas duas horas de audiência por dia.

Esta sessão é marcada pela audição de alguns sobreviventes do campo de concentração. Leon Schwarzbaum é um desses sobreviventes e lembra que “os crematórios, as chaminés expeliam fogo. O cheiro a carne humana queimada era tão intenso que era difícil de suportar, sobretudo porque sabíamos que estavam a ser queimados seres humanos”.

Justin Sonder é outra das testemunhas e recorda que muitas vezes lhe perguntaram “se havia algum elemento das SS que mostrasse compaixão. Mas deixem-me ser claro: não havia! Batiam-nos, davam-nos pontapés, tiravam-nos os chapéus apenas para o irmos buscar e sermos abatidos”.

“Este julgamento deveria ter sido realizado há 40 ou 50 anos. Mas nunca é tarde para reviver o que aconteceu em Auschwitz”, afirmou na véspera do julgamento Sonder, de 90 anos, que perdeu 22 membros de sua família sob o regime nazista e foi deportado aos 17 anos.

Relatos que devem ajudar a tomar uma decisão. O ex-guarda do campo de concentração é acusado de cumplicidade na morte de, pelo menos, 170.000 pessoas entre janeiro de 1943 e julho de 1944. O julgamento deve dura, pelo menos, até 20 de maio. Reinhold Hanning incorre numa pena de três a 15 anos de prisão, mas que pode ser apenas simbólica, tendo em conta a idade do acusado.

Este é o terceiro acusado de uma vaga de julgamentos tardios, iniciada com a condenação em 2011 de John Demjanjuk, ex-guarda de Sobibor, condenado a cinco anos de prisão.