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Batalha por Alepo: Situação humanitária agrava-se com cessar-fogo em discussão

Estados Unidos e Rússia trocam acusações sobre a responsabilidade de alguns dos recentes bombardeamentos sobre a província de Alepo, no norte da

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Batalha por Alepo: Situação humanitária agrava-se com cessar-fogo em discussão

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Estados Unidos e Rússia trocam acusações sobre a responsabilidade de alguns dos recentes bombardeamentos sobre a província de Alepo, no norte da Síria, onde mais de 500 pessoas já terão morrido desde 1 de fevereiro, cerca de um quinto delas civis, incluindo crianças. Um cessar-fogo para a região é debatido esta quinta-feira à tarde em Munique, na Alemanha.

O acesso de bens essenciais é limitado à cidade de Alepo, onde ainda se manterão 2 milhões de habitantes. A situação é grave, alertam as organizações humanitárias internacionais.

A Cruz Vermelha internacional estima que cerca de 50.000 pessoas tenham fugido da zona de Alepo, atingida desde há pouco mais de uma semana por uma violenta ofensiva das forças governamentais sírias, apoiadas pela força aérea russa.

“Os combates estão a colocar enorme pressão nos civis. As temperaturas são extremamente baixas e, sem um adequado fornecimento de comida, água e abrigo, os deslocados tentam sobreviver em condições precárias”, revelou, em Alepo, Marianne Gasser, a responsável pela delegação síria da Cruz Vermelha Internacional.

Não muito longe de Alepo, junto à Turquia, que mantém a fronteira fechada, as condições humanitárias estão também cada vez mais difíceis. Com apoio de algumas organizações humanitárias turcas, como a IHH, milhares de famílias aguardam junto à fronteira a possibilidade de fugir da Síria. Há ainda muitos feridos a chegar ali, a necessitar de assistência urgente.

Uma refugiada, entrevistada no acampamento improvisado de Alharameen, queixa-se de que “falta tudo” nas tendas disponibilizadas. “Estou doente e não tenho dinheiro para comprar medicamentos. Sou viúva, preciso de ajuda. Nós precisamos de comida. Nem sequer há um pouco de sementes que possamos comer. Nem sequer lentilhas”, lamentava.

“Batalha por Alepo” prossegue

Os bombardeamentos na província de Alepo continuam. Os Estados Unidos acusaram quarta-feira a força aérea da Rússia de ter atingido dois hospitais na região, provocando a morte inclusive de mulheres e crianças.

Já esta quinta-feira, o ministro da Defesa russo contra-atacou, negou as operações russas em causa e acusou a força aérea norte-americana de ter sido a responsável pelos raides aéreos de quarta-feira, que teriam destruído 9 estruturas na cidade de Alepo.

Os Estados Unidos lideram uma aliança internacional que está a combater na Síria e no Iraque o “Daesh”, o grupo terrorista autoproclamado Estado Islâmico, e defendem o fim do regime de Bashar al-Assad. A Rússia e o Irão apoiam o presidente sírio e estão a ajudar Assad a combater os grupos rebeldes da oposição, sob justificação de estarem a ajudar o governo sírio a combater os vários grupos terroristas a operar no país, incluindo o “Daesh.”

Os responsáveis diplomáticos das duas superpotências militares reencontram-se esta quinta-feira à tarde, na 52.a Conferência de Segurança de Munique, na Alemanha. O secretário de Estado norte-americano, John Kerry, e o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergei Lavrov, participam numa conferência internacional em que vai ser debatido um cessar-fogo entre as forças governamentais sírias e as milícias rebeldes da oposição ao presidente Assad.

Em quase cinco anos de guerra civil na Síria, quase 500.000 pessoas já terão morrido devido ao conflito, cerca de 70.000 por não terem recebido a devida assistência humanitária, adianta o Centro Sírio de para Pesquisa de Políticas. O jornal britânico The Guardian estima que 11,5 por cento da população síria morreu ou ficou ferida e que 45 por cento está deslocada em resultado da guerra civil.