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Papa Francisco e Patriarca Kirill unem católicos e ortodoxos em Cuba

O líder da igreja ortodoxa russa viajou de Moscovo na quinta-feira. O Sumo Pontífice chegou esta sexta-feira e foi recebido, à chegada a Havana, pelo presidente cubano Raul Castro. Segue-se uma viagem de 6 di

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Papa Francisco e Patriarca Kirill unem católicos e ortodoxos em Cuba

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O Papa Francisco e o Patriarca Kiril, de Moscovo, protagonizaram esta sexta-feira, em Havana, capital de Cuba, um encontro histórico. Pela primeira vez, em quase 1000 anos, os líderes cristãos das igrejas católica romana e ortodoxa russa estiveram juntos depois de as duas doutrinas cristãs se terem separado na grande Cisma do ano de 1054.

Kirill tinha viajado para Cuba na quinta-feira e foi recebido já esta sexta-feira pelo Presidente Raúl Castro, no Palácio da Revolução Cubana, em Havana. Francisco chegou esta sexta-feira à capital cubana, pelas 13h56 locais, e foi recebido em plena pista do aeroporto José Marti por Raúl Castro. O chefe de Estado cubano acompanhou o Papa até ao local do histórico encontro com o Patriarca da igreja Ortodoxa russa.

Os dois líderes mantiveram uma reunião de duas horas, à porta fechada, acompanhados por um tradutor, o sacerdote lituano Visvaldas Kulbokas, de 41 anos. Antigo primeiro secretário da Nunciatura Apostólica de Moscovo, Kulbokas trabalha desde 2012 nas Relações Externas da Secretaria de Estado do Vaticano e, em junho, já havia sido ínterprete da receção do Papa a Putin na Santa Sé.

Presentes no encontro estarão também os responsáveis pela diplomacia de ambas as igrejas. Pela igreja Catíolica Romana, o cardeal Kurt Koch, presidente do Conselho Pontífice para a Promoção da União Cristã, e, pela igreja Ortodoxa Russa, o Metropolitano Hilarion Alfeyev, presidente do Departamento de Relações Externas do Patriarcado de Moscovo.

Estava prevista a troca de prsentes entre os dois líderes religiosos cristãos e a assinatura de ambos numa Declaração Comum sobre a odisseia dos cristãos pelo Médio Oriente e outros temas de comunhão cristã entre católicos e ortodoxos. É esperada uma conferência de imprensa no final da reunião.

Política fica à porta

Em entrevista recente ao jornal Corriere della Sera, o líder da Santa Sé admitia convergência com a Rússia pela paz no Mundo. Depois de já ter recebido no Vaticano o presidente Vladimir Putin por duas ocasiões — a primeira em novembro de 2013 —, Francisco teve agora o primeiro encontro com o Patriarca de Moscovo em território neutro, mas a política, antecipou o porta-voz da igreja ortodoxa russa, Alexander Volkov, não estava na “ementa”: “A agenda da igreja não tem qualquer relação com a agenda política de qualquer país. Partimos do facto de que este ser um encontro de dois líderes religiosos e a política não terá lugar neste encontro. Tentar ver aqui algum interesse político não faz sentido.”


 

Separação entre católicos e ortodoxos

A Igreja Ortodoxa Russa, ou Patriarcado, é uma igreja autocéfala ortodoxa de tradição bizantina. As igrejas ortodoxas de tradição bizantina caracterizam-se pelo facto de terem reconhecido, tal como a Igreja Católica, os sete Concílios Ecunémicos do primeiro milénio — do Concílio de Niceia I, do ano de 325, ao de Biceia II, em 787. As apelidadas igrejas “Ortodoxas Orientais”, de tradição siríaca, copta ou arménia, reconhecem apenas os 3 primeiros Concílios Ecuménicos. Por não reconhecerem o quarto concílio, o de Calcedónia, as igrejas “ortodoxas orientais” podem ser também denominadas como “pré-calcedónias.”

As igrejas cristãs Católica e Ortodoxa estão separadas desde o grande Cisma de 1054. A igreja Ortodoxa Russa, ou de Moscovo, é autocéfala desde 1448 e patriarcal desde 1589. Ocupa o 5.° lugar na ordem das várias igrejas Ortodoxas, sendo a primeira a de Constantinopla, seguida da de Alexandria, Antioquia e Jerusalém. A igreja Ortodoxa Russa é, no entanto, a mais importante pelo número de fiéis: cerca de 200 milhões (um terço dos ortodoxos de todo o mundo).


[Fonte: Rádio Vaticano ]


Este foi o primeiro encontro de ambas as doutrinas católicas desde que se separaram há quase 1000 anos, por divergências. A importância do momento justificou o secretismo com que foi preparado, refere o cardeal Kurt Koch. “Era muito importante que não disséssemos nada em termos públicos porque este será um encontro histórico. É a primeira vez que o patriarca da igreja ortodoxa russa e o Papa da igreja católica se encontram. Isto tinha de ser preparado em segredo”, afirmou o presidente do Conselho Pontífice para a Promoção da União Cristã.

A escala de Francisco em Havana antecede uma inédita viagem do Papa ao México. O líder da Santa Sé irá realizar um périplo de 6 dias por vários Estados mexicanos, sendo a primeira vez que Jorge Bergoglio visita este país desde que foi elevado no Vaticano à sucessão de Bento XVI.

Francisco irá percorrer mais de 400 quilómetros no México. Em agenda está uma missa especial na Ciudad Juarez, a dezenas de metros da fronteira com os Estados Unidos, a visita à Basílica de Nossa Senhora de Guadalupe, encontros com os pobres, os doentes e os índigenas de Chiapas.

Para o Patriarca Kirill, esta foi também a primeira viagem a Cuba como líder da igreja Ortodoxa Russa, sendo a terceira vez que pisa o país dos irmãos Castro. Este sábado, Kirill tem prevista a visita a uma escola para crianças com necessidades especiais, a passagem pelo Mausoléu do Soldado Internacional soviético, nos arredores de Havana, e ainda assistirá a um concerto no teatri Martí de Havana Velha. Está previsto ainda que o Patriarca receba a “Ordem José Marti”, a máxima distinção concedida pelo Governo de Cuba, e um encontro com Fidel Castro.

No domingo, o Patriarca Kirill celebrará uma liturgia na Catedral de Nossa Senhora de Kazan, único templo ortodoxo em Cuba, seguindo depois viagem pela américa Latina, com escalas previstas no Brasil e no Paraguai.