Última hora

Última hora

Príncipe al-Hussein da Jordânia quer "limpar" a FIFA da corrupção

A FIFA deverá eleger um novo presidente dia 26 de fevereiro, no momento em que passa por uma das maiores crises da sua História, atingida por uma série de escândalos de corrupção. Cinco são os candid

Em leitura:

Príncipe al-Hussein da Jordânia quer "limpar" a FIFA da corrupção

Tamanho do texto Aa Aa

A FIFA deverá eleger um novo presidente no próximo dia 26 de fevereiro, no momento em que passa por uma das maiores crises da sua História.
Atingida por uma série de escândalos de corrupção nos últimos anos, a organização procura um novo líder.

Cinco são os candidatos: O Príncipe Ali bin al-Hussein da Jordânia, antigo membro do Comité Executivo da FIFA, Sheikh Salman bin Ibrahim al-Khalifa, Gianni Infantino, Tokyo Sekhwale e Jerôme Champagne.

A Euronews conversou com o Príncipe jordano em Genebra, na Suiça.

EURONEWS
Majestade, obrigado por falar connosco. Tem sido um ano complicado para a FIFA. A organização parece ter perdido a credibilidade por causa dos diferentes escândalos de corrupção. Como poderá ajudar a FIFA a limpar a imagem?

ALI BIN AL-HUSSEIN
Fazendo com que surja uma mudança real na cultura da organização. Temos de ser abertos e transparentes nas palavras, mas também nos nossos atos. Quero trabalhar a organização desde dentro.Mas quero também a colaboração de pessoas que venham de fora e que possam ajudar.
Quero que esta organização seja gerida a um nível aceitável para o Século XXI. Só depois poderemos fazer o que é mais importante: desenvolver o desporto.

EURONEWS
Falou em desenvolvimento e em transparência, mas criticou uma estrutura da qual faz parte.
Se foi membro do Comité Executivo da FIFA durante quatro anos, porque deveriam as pessoas confiar em si?

ALI BIN AL-HUSSEIN
Fui eleito pela minha confederação, numa altura em que esta passava por momentos difíceis e cheguei à conclusão de que existiam problemas bem reais. Por isso, recusei permanecer no Comité Executivo. Tinha duas opções: abandonar a organização ou ficar e batalhar por mudanças efetivas no Mundo do futebol. Por isso, decidi candidatar-me à presidência e espero atingir o meu objetivo. Não me preocupo por nenhum candidato em particular. Preocupam-me as associações nacionais de futebol e quero que possam voltar a confiar numa organização que seja respeitável.

EURONEWS
Entendo que não esteja particularmente interessado nos outros candidatos, mas, sei que, recentemente, todos foram convidados para um debate televisivo, mas recusou. Porquê?

ALI BIN AL-HUSSEIN
Bem, houve um debate organizado na União Europeia.Tinha confirmado a minha presença, mas, se posso ser honesto, devo dizer que recebemos um telefonema da parte do comité eleitoral que mencionava a possibilidade da existência de conflitos de interesse, segundo alguns membros europeus da organização.Por isso e por respeito pelas diferentes associações nacionais de futebol, decidi não participar no debate. Foi só por isso e estou completamente disponível para um possível debate, pois parece-me saudável.
Mas todos os candidatos deveriam participar e sei que alguns deles não querem nem ouvir falar num debate.

EURONEWS
Refere-se a algum candidato em particular?

ALI BIN AL-HUSSEIN
Não farei qualquer comentário a esse respeito, mas penso que é óbvio.

EURONEWS
O candidato Sheikh Salman, por exemplo, manifestou-se a favor de uma clara separação entre as estruturas de negócios e operacional da FIFA, que chama de FIFA Business e a FIFA Football. Que lhe parece esta ideia?

ALI BIN AL-HUSSEIN
Penso que devemos ter uma verdadeira estrutura na organização e um Presidente que seja pratico. Eu seria um presidente comprometido dos problemas da organização.Penso que aprendemos com os erros do passado e que sabemos que o pior dos problemas que pode ter um líder de uma organização é não aceitar a responsabilidade pelo que acontece dentro da mesma. Eu aceitarei a responsabilidade por tudo o que possa aconceter na FIFA.

EURONEWS
Muitos acreditam que a FIFA é demasiado grande para ser controlada.
Se for o novo Presidente, tenciona restruturar o órgão que regula o futebol?

ALI BIN AL-HUSSEIN
Sim, pretendo trazer pessoas de fora do mundo do futebol para atuarem como consultores durante o primeiro ano e para restruturar a organização, para que esta seja mais moderna.
Pessoas realmente íntegras e com experiência comprovada. Claro que sim. Uma restruturação é realmente necessaria.Dito isto, é preciso saber também que aquilo que funciona na organização não sofrerá quaisquer mudanças.Há uma real necessidade de aperfeiçoamento e tenciono fazer com que isso aconteça.

EURONEWS
Sepp Blatter foi banido de qualquer participação em atividades relacionadas com o futebol.
Ficou chocado com esta decisão ou já estava à espera que tal acontecesse?

ALI BIN AL-HUSSEIN
Não estava à espera de nada, mas sabia que as coisas não estavam bem.
Era compreensível pelo comportamento das pessoas e pelo ambiente na organização.
É realmente triste e uma vergonha que as autoridades suiça e dos Estados Unidos tenham sentido a necessidade de intervir, isto, depois de tudo o que aconteceu e que a organização tenha agora de passar por um processo de limpeza.

EURONEWS
Acredita que os Estados Unidos ultrapassaram as competênmcias em matéria de jurisdição ao perseguir judicialmente membros acusados de corrupção?

ALI BIN AL-HUSSEIN
Bem, trata-se, evidentemente, de uma atividade de natureza criminosa.
É uma pena que tenhamos chegado a este nível e penso, como já disse, que é necessário que a FIFA colabore com as autoridades para que este processo possa chegar ao fim tão depressa quanto possível. Queremos desenvolver o futebol. Mas sou consciente de que as autoridades querem um Presidente na FIFA que lute realmente contra a corrupção e eu sou essa pessoa.

EURONEWS
Relativamente a essa necessidade de limpeza que refere, teve a oportunidade de ler o relatório Garcia e acredita que alguma vez será publicado?

ALI BIN AL-HUSSEIN
Como disse, estive no Comité Executivo durante quatro anos e fui o primeiro a defender que esse relatório fosse publicado.Mas parece-me, por outro lado, incrível que, sendo membro do Comité Executivo, não tenha tido acesso ao relatório. Mas eram assim as coisas na altura.
Ao pensarmos nos futuros campeonatos do Mundo, é preciso que se saiba aquilo que aconteceu no passado e toda essa informação encontra-se no relatório Garcia. Por isso, se for eleito, procurarei que seja publicado a partir do momento em que ocupe o meu lugar.

EURONEWS
É o terceiro filho do felecido Rei Hussein da Jordânia.Um dia, disse que o seu pai tinha uma honestidade desarmante e que era muito íntegro. Acredita ter herdado esses valores e acha que a pessoa que ele foi ajudou-o a tornar-se um melhor líder do que os seus antecessores?

ALI BIN AL-HUSSEIN
De certeza que sim, porque essa foi a forma como me educaram, segundo esses valores.
Ele foi o meu modelo durante toda a minha vida e para a minha vida.
Ensinou-me que a coisa mais importante é estar ao serviço do povo.
E é isso mesmo que quero fazer em relação ao futebol.

EURONEWS
Príncipe Ali Bin Al Hussein da Jordânia, obrigado pelo seu tempo.

ALI BIN AL-HUSSEIN
Obrigado, foi um grande prazer.