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Programa apoiado pelo Zoo de Lisboa realiza "censos" de zebras-de-grevy no Quénia

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Programa apoiado pelo Zoo de Lisboa realiza "censos" de zebras-de-grevy no Quénia

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Como é que se pode distinguir uma zebra e realizar o controlo de população de uma espécie cujos indivíduos parecem todos iguais? Simples. Basta olhar

Como é que se pode distinguir uma zebra e realizar o controlo de população de uma espécie cujos indivíduos parecem todos iguais? Simples. Basta olhar para as riscas, mas, claro, não a olho nu. O “Grevy’s Zebra Trust” é uma organização sedeada no Quénia e apoiada pelo Jardim Zoológico de Lisboa que está a realizar o controlo dos indivíduos de uma das mais ameaçadas das 3 espécies de zebras existentes. Para isso, recorre a um programa informático especial desenvolvido nos Estados Unidos.

“Como os números são muito baixos entre as populações de zebras-de-grevy, cada indivíduo que é morto tem grande impacto nas populações de zebra-de-grevy”, conta-nos Sheila Funnel, responsável de investigação do “Grevy’s Zebra Trust”, destacando, satisfeita, a redução do número destes animais mortos atualmente por caçadores furtivos interessados apenas nas peles.

(Factos GGR: a zebra-de-grevy é uma das únicas e raras heranças quenianas.
O Quénia é a casa de 90 por cento das grevys existentes no Mundo.)

É a primeira vez que este género de “ciência cívica”, o “censos”, está a ser usada para controlar populações de zebras. Cerca de meia centena de viaturas estão ao serviço deste programa para ajudar na recolha de dado Equipas de cientistas, conservacionistas e de voluntários têm vindo a fotografar cada uma das zebras-de-grevy encontradas e os dados sao registados pelas câmaras equipadas com GPS.

Para analisar os resultados e determinar a população de zebras no Quénia, o “censos” recorre a um novo programa informático chamado “Hot Spotter”, um identificador desenvolvido pela universidade de Princeton, nos Estados Unidos, que utiliza um sistema de informações ecológicas baseado em imagens e conhecido pelo acrónimo inglês IBEIS (Image Based Ecological Information Systems). Mais do que distinguir as zebras, este “software” permite posteriormente criar uma ficha de identidade de cada indivíduo, contendo idade, género e localizações hábituais.

http://owaahh.com/heres-how-you-can-help-save-the-worlds-rarest-zebra/

“Este dispositivo procura zonas no corpo da zebra onde as riscas apresentam curvas e se cruzam. Os dados são registados e nós chamamos-lhe ‘hot spots’. O que o dispositivo faz é comparar todos os ‘hot spots’ de uma dada imagem com a localização dos ‘hot spots’ registados em todas as fotografias que temos no arquivo e quando há uma grande similaridade, conseguimos um resultado elevado e sabemos que é o mesmo indivíduo”, explica-nos Daniel Rubenstein, professor de Zoologia, na Universidade de Princeton.

(Zebra-de-grevy recebeu o nome a partir de Jules Grevy, que foi presidente de França entre 1879 e 1887.)

A preservação das zebras revela-se também importante para as próprias comunidades locais. Alguns integrantes destas comunidades foram contratados como observadores para ajudar a recolher informação e, com isso, conseguem um importante rendimento para as respetivas famílias.

O “Hot Spotter”, entretanto, está a analisar todos os dados já recolhidos e o resultado do “censos” das zebras no Quénia é esperado no final de março. Então, saberemos com maior precisão o número de zebras-degrevy ainda restantes, a qual se estima tenha decaído dos cerca de 15.000 indivíduos em 1980 para cerca de 2500.

(O “censos” da zebra-de-grevy recorre às riscas como um código de barras natural.)