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Eagles of Death Metal dão concerto em Paris 3 meses e 3 dias após atentado

O grupo de Jesse Hughes tem escala prevista em Lisboa a 5 de março. Será o concerto que estava esgotado a 10 de dezembro e que decidiram cancelar após a tragédia de 13 de novembro.

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Eagles of Death Metal dão concerto em Paris 3 meses e 3 dias após atentado

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Três meses e 3 dias após o concerto interrompido a tiro no Bataclan, onde 90 pessoas foram mortas a 13 de novembro num ataque terrorista, os Eagles of Death Metal regressam esta terça-feira à noite, pela primeira vez em nome próprio, a um palco de Paris.

Duas mil pessoas são esperadas neste concerto rodeado de fortes medidas de segurança no Olympia. É o terceiro espetáculo da presente digressão do grupo de Jesse Hughes e Josh Homme, depois das atuações em Estocolmo (Suécia) e Oslo (Noruega) e que tem também regresso marcado a Lisboa para 5 de março — de recordar que os Eagles of Death Metal cancelaram um concerto já esgotado marcado para 10 de dezembro no Armazém F, na capital portuguesa.

(Adivinhem quem voltou!)

Entrada em palco no concerto de Oslo (domingo, 14 de fevereiro 2016) (publicado por broilerburgundy)

Entre os presentes no concerto desta noite em Paris, poderão estar cerca de 900 pessoas, entre sobreviventes e familiares das vítimas do Bataclan, todos como convidados do grupo. Cerca de 25 profissionais, entre psicólogos e pisiquiatras, vão estar no local para ajudar a amenizar as memórias da trágica noite de 13 de novembro.

Na rua, os franceses estão de acordo: é preciso continuar e ainda bem que os Eagles of Death Metal estão de volta a Paris. “É claro que aquela noite está sempre na nossa mente, mas, de certa maneira, a vida continua e é melhor assim. É muito bom que eles voltem a tocar aqui. É preciso que a vida continue”, refere um jovem.

Uma rapariga realça a coragem dos sobreviventes: “Pelo que ouvi, todos os sobreviventes foram convidados para esta noite. Isso é muito bom. Para mim, os que aceitarem voltar são muito corajosos e este é de facto o tipo de atitude de que precisamos agora.”

O alinhamento do concerto desta noite não é conhecido, mas “Kiss the Devil”, o tema que os Eagles of Death Metal tocavam quando aconteceu o ataque no Bataclan, não entrou nos alinhamentos de Estocolmo e Oslo nem deve de entrar no desta noite.

Vídeo dos cerca de 20 minutos que durou o concerto no Bataclan (Paris, 13 de novembro de 2015)

Para o vocalista Jesse Hughes, não está a ser fácil gerir as memórias do concerto no Bataclan. “Já não tenho pesadelos e até tenho dormido bem, mas é quando acordo que vejo coisas que parecem pesadelos. Pensava que falando do assunto, seria mais fácil. Pensava que exorcizar o problema me deixasse menos assim… mas não. Não há de facto uma forma correta de lidar com isto. Eu só gostava de conseguir apagar isto”, disse o norte-americano, de 43 anos, em entrevista à iTele, uma televisão francesa, na véspera de subir a um palco de Paris para um concerto em nome próprio dos Eagles of Death Metal.

Esta não será contudo a primeira vez que do grupo num palco de Paris após os atentados. A sete de dezembro, menos de um mês após os atentados, os “eagles” fecharam de forma simbólica, na capital francesa, a digressão dos U2.

Antes de fecharem a noite com o próprio tema “I Love All the Time”, que faz parte de uma campanha de recolhe de fundos pelas vítimas do Bataclan (ver “twit” em baixo), Jesse Hughes e compinchas interpretaram com a banda de Bono e The Edge uma pujante versão de “People have the Power”, de Patti Smith. O povo é que manda, foi a mensagem que deixaram nessa noite. Hoje haverá certamente mais mensagens para enviar através da força da música Rock.