Última hora

Última hora

Protestos antirrefugiados na Alemanha envergonham Angela Merkel

A Chanceler Angela Merkel e o governo alemão ficaram “profundamente envergonhados” com o protesto xenófobo protagonizado quinta-feira à noite no

Em leitura:

Protestos antirrefugiados na Alemanha envergonham Angela Merkel

Tamanho do texto Aa Aa

A Chanceler Angela Merkel e o governo alemão ficaram “profundamente envergonhados” com o protesto xenófobo protagonizado quinta-feira à noite no leste da Alemanha. Um grupo de cerca de uma centena de militantes de direita bloqueou um autocarro que transportava cerca de 15 refugiados em Clausnitz, na Saxónia.

Os manifestantes insultaram os passageiros, em trânsito para um centro de acolhimento local, impediram-nos de descer do veículo e, entre outras coisas, gritaram: “Nós somos o povo”. Em declarações a jornais do grupo de “media” Funke, o primeiro-ministro da Saxónia, Stanislaw Tillich, acusou: “Não são humanos quem está a fazer isto, são criminosos.”

O porta-voz da Chanceler, Steffen Seibert, deu voz à condenação pelo Governo de Berlim, considerando “o que sucedeu em Clausnitz” como “profundamente vergonhoso”. “Quão fria e cobarde uma pessoa tem de ser para se colocar diante de um autocarro de transporte de refugiados, a gritar insultos. Ainda bem que na Alemanha e, em especial na região onde isto aconteceu, existe muito mais gente e muitas pessoas foram lá mostrar a cada dia que o nosso país é diferente”, afirmou o porta-voz da líder do governo alemão.

O protesto antirrefugiados de Clausnitz, junto à fronteira com a República Checa, não foi, contudo, caso único na Alemanha nos últimos dias. Também em Bautzen, no leste da Saxónia, próximo da Polónia, um hotel convertido em asilo para refugiados foi alvo de fogo posto no domingo. Ao mesmo tempo que os bombeiros tentavam apagar o incêndio, várias das pessoas a assistir celebravam o fogo e algumas procuravam mesmo dificultar o combate às chamas, reportou a Reuters.

A crise de refugiados está a afetar fortemente a Alemanha e quem parece estar a beneficiar é a principal força da oposição de direita no país, o AfD. O partido eurocético Alternativa para a Alemanha, liderado por Frauke Petry e Jörg Meuthen, está a ganhar mais apoio entre os alemães que se opõe à política de portas abertas defendida por Merkel. O Afd está a ganhar força, em especial, no leste da Alemanha e, em março, por exemplo, há eleições regionais marcadas, curiosamente, para a Saxónia.