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Sabe quem é o maior importador de armas do mundo?

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De  Francisco Marques  com CHRIS HARRIS, SIPRI
Sabe quem é o maior importador de armas do mundo?

<p>O fornecimento de armas por todo o mundo aumentou 14 por cento nos últimos 4 anos, conclui o <a href="http://www.sipri.org/">Instituto Internacional de Pesquisa de Paz de Estocolmo</a> (<span class="caps">SIPRI</span>, na sigla inglesa para Stockholm International Peace Research Institute). A Índia lidera o mercado de importadores, congregando, curiosamente, 14 por cento de todas as importações de armas entre 2011 e 2015.</p> <p>De uma forma geral, os registos recolhidos por este observador sueco do comércio de armas mundial revelam que o fornecimento de armas tem vindo a aumentar desde 2002.</p> <h3>Controvérsia saudita</h3> <p>A Arábia Saudita, <a href="http://pt.euronews.com/2016/02/17/iemen-11-meses-de-guerra-e-mais-de-35-mil-vitimas/">atualmente a liderar a ofensiva no Iémen</a> e, diz-se, a fornecer armas aos rebeldes na Síria, foi o segundo maior importador de armas entre 2011 e 2015. A quota saudita nas importações globais — incluindo mísseis, aviões de guerra, submarinos e sistema de defesa aérea — subiu dos 2,1 por cento do período anterior (2006 – 2010) para os 7 por cento nos últimos quatro anos.</p> <p><blockquote class="twitter-tweet" data-lang="pt" align="center"><p lang="und" dir="ltr"><a href="https://twitter.com/hashtag/ArmsTransfers?src=hash">#ArmsTransfers</a> <a href="https://t.co/PFHw8hsaxR">pic.twitter.com/PFHw8hsaxR</a></p>— <span class="caps">SIPRI</span> (@SIPRIorg) <a href="https://twitter.com/SIPRIorg/status/702810636523331584">25 de fevereiro de 2016</a></blockquote><br /> <script async src="//platform.twitter.com/widgets.js" charset="utf-8"></script></p> <p>Em conjunto, os Estados Unidos e o Reino Unido forneceram mais de três quartos das importações de armas da Arábia Saudita. Este facto causou controvérsia em Washington e em Londres, ao surgir entre acusações de estarem a acontecer <a href="http://pt.euronews.com/2015/12/22/onu-acusa-arabia-saudita-de-quantidade-desproporcional-de-ataques-contra-civis/">bombardeamentos sauditas contra civis no Iémen</a>.</p> <p>O Iraque, com o combate em curso contra o “Daesh” e a redução no país da presença de forças militares ocidentais, viu as importações de armas subir 83 por cento no último quadriénio. A “devastada” Síria, por outro lado, viu a importação de armas cair nos últimos anos, numa tendência que o <span class="caps">SIPRI</span> relaciona com a falta de dinheiro do regime de Bashar al-Assad para investir em armamento.</p> <script id="infogram_0_top_ten_arms_importers8" title="Top ten arms importers" src="//e.infogr.am/js/embed.js?YVs" type="text/javascript"></script> <h3>Estará a Ásia mais agressiva?</h3> <p>A Índia domina o mercado das importações de armas, a Arábia Saudita está em segundo, mas é também asiático o último lugar do pódio de importadores neste lucrativo negócio, a China, logo seguida dos Emirados Árabes Unidos. </p> <p><blockquote class="twitter-tweet" data-lang="pt" align="center"><p lang="en" dir="ltr">6 of the 10 top arms importers from 2011-2015 were located in Asia and Oceania <a href="https://twitter.com/hashtag/ArmsTransfers?src=hash">#ArmsTransfers</a></p>— <span class="caps">SIPRI</span> (@SIPRIorg) <a href="https://twitter.com/SIPRIorg/status/702795437951082496">25 de fevereiro de 2016</a></blockquote><br /> <script async src="//platform.twitter.com/widgets.js" charset="utf-8"></script></p> <p>Paquistão, Vietname e Coreia do Sul completam o sexteto asiático no top-10 dos maiores importadores de armas do último quadriénio, completando com a China o quarteto do sudeste asiático. O Médio Oriente, uma região crucial nos atuais conflitos em curso, acaba por ter 3 representantes.</p> <p>Em 5.° surge a Austrália, em representação da Oceânia nesta tabela, e, em 6.°, a Turquia, a qual sendo um país euro-asiático, contabilizamo-la à parte.</p> <p><blockquote class="twitter-tweet" data-lang="pt" align="center"><p lang="und" dir="ltr"><a href="https://twitter.com/hashtag/ArmsTransfers?src=hash">#ArmsTransfers</a> <a href="https://t.co/eWsSTX0Ewg">pic.twitter.com/eWsSTX0Ewg</a></p>— <span class="caps">SIPRI</span> (@SIPRIorg) <a href="https://twitter.com/SIPRIorg/status/702832985385598976">25 de fevereiro de 2016</a></blockquote><br /> <script async src="//platform.twitter.com/widgets.js" charset="utf-8"></script></p> <p>O <span class="caps">SIPRI</span> relaciona o significativo aumento da importação indiana de armas com a pouca capacidade de produção em contraste, por exemplo, com a China, a qual, tem vindo, por isso mesmo, a importar cada vez menos armamento. </p> <p>O Vietname, curiosamente, aumentou em quase 700 por cento a compra de armas no último quadriénio e o <span class="caps">SIPRI</span> explica este escalar na procura de armas com as <a href="http://pt.euronews.com/2016/02/17/china-reclama-de-conspiracao-ocidental-por-ilha-disputada-com-taiwan-e-vietname/">disputas territorias do país no Mar do Sul da China</a>, nomeadamente face a Pequim.</p> <h3>Europa: crise, qual crise?</h3> <p>Enquanto as nuvens continuam a adensar-se e uma tempestade parece formar-se sobre o futuro da União Europeia e, mais ainda, da livre circulação pelo Espaço Schengen, parece haver motivos para os europeus celebrarem. </p> <p>A quota de importação de armas da região caiu de cerca de um quinto do “bolo” global para uma pequena fatia de apenas 11 por cento entre 2011 e 2016.</p> <p><blockquote class="twitter-tweet" data-lang="pt" align="center"><p lang="en" dir="ltr">German arms exports fell by 51% between the periods 2006-2010 and 2011-2015 <a href="https://twitter.com/hashtag/ArmsTransfers?src=hash">#ArmsTransfers</a> <a href="https://twitter.com/hashtag/Germany?src=hash">#Germany</a></p>— <span class="caps">SIPRI</span> (@SIPRIorg) <a href="https://twitter.com/SIPRIorg/status/702131002173476864">23 de fevereiro de 2016</a></blockquote><br /> <script async src="//platform.twitter.com/widgets.js" charset="utf-8"></script></p> <p>O <span class="caps">SIPRI</span> refere que as importações de armas na Europa caiu 41 por cento e explica a redução com a crise financeira, obrigando dois dos países mais afetados, a Espanha e a Grécia, a cortar drasticamente nos gastos.</p> <h3>Quem fornece todas estas armas?</h3> <p>Enquanto a Europa está a comprar menos armamento, pelo menos a parte ocidental do “velho continente” é um dos maiores fornecedores.</p> <table border="1" style="width:100%;"> <tr> <td width="15%"><strong></strong></td> <td width="25%"><strong>Quota global da exportação de armas</strong></td> <td width="60%"><strong>Maiores clientes (% de exportações dos fornecedores)</strong></td> </tr> <tr> <td>Estados Unidos</td> <td>33%</td> <td>Arábia Saudita (9.7); Emirados Árabes (9.1); Turquia (6.6)</td> </tr> <tr> <td>Rússia</td> <td>25%</td> <td>Índia (39); China (11); Vietname (11)</td> </tr> <tr> <td>China</td> <td>5.9%</td> <td>Paquistão (35); Bangladesh (20); Myanmar (16)</td> </tr> <tr> <td>França</td> <td>5.6%</td> <td>Marrocos (16); China (13); Egito (9.5)</td> </tr> <tr> <td>Alemanha</td> <td>4.7%</td> <td>Estados Unidos (13); Israel (11); Grécia (10)</td> </tr> <tr> <td>Reino Unido</td> <td>4.5%</td> <td>Arábia Saudita (46); Índia (11); Indonésia (8.7)</td> </tr> <tr> <td>Espanha</td> <td>3.5%</td> <td>Austrália (29); Arábia Saudita (12); Turquia (8.7)</td> </tr> <tr> <td>Itália</td> <td>2.7%</td> <td>Emirados Árabes (10); Índia (8.8); Turquia (8.2)</td> </tr> <tr> <td>Ucrânia</td> <td>2.6%</td> <td>China (26); Rússia (12); Etiópia (9.2)</td> </tr> <tr> <td>Holanda</td> <td>2%</td> <td>Marrocos (17); Jordânia (12); Estados Unidos (7.7)</td> </tr> </table> <p><blockquote class="twitter-tweet" data-lang="pt" align="center"><p lang="en" dir="ltr">According to <a href="https://twitter.com/SIPRIorg"><code>sipriorg</a>, total volume of arms sales has increased by 14%<a href="https://t.co/QayypxIrjS">https://t.co/QayypxIrjS</a> <a href="https://t.co/Z1YNhF6xwQ">pic.twitter.com/Z1YNhF6xwQ</a></p>&mdash; Statista (</code>StatistaCharts) <a href="https://twitter.com/StatistaCharts/status/702078077132648448">23 de fevereiro de 2016</a></blockquote><br /> <script async src="//platform.twitter.com/widgets.js" charset="utf-8"></script></p> <p>A França, a Alemanha, o Reino Unido, Espanha e Itália somam 21 por cento do fornecimento global de armas entre 2011 e 2015. Os Estados Unidos e a Rússia são, de longe, os maiores exportadores de armamento do mundo e juntos representam quase 60 por cento do “bolo” mundial.</p> <p><blockquote class="twitter-tweet" data-lang="pt" align=2center"><p lang="en" dir="ltr"><a href="https://twitter.com/hashtag/Algeria?src=hash">#Algeria</a>, <a href="https://twitter.com/hashtag/Morocco?src=hash">#Morocco</a> and <a href="https://twitter.com/hashtag/Uganda?src=hash">#Uganda</a> were the top African arms importers <a href="https://twitter.com/hashtag/ArmsTransfers?src=hash">#ArmsTransfers</a></p>— <span class="caps">SIPRI</span> (@SIPRIorg) <a href="https://twitter.com/SIPRIorg/status/702493702439223296">24 de fevereiro de 2016</a></blockquote><br /> <script async src="//platform.twitter.com/widgets.js" charset="utf-8"></script></p> <p>Os 3 maiores clientes dos Estados Unidos nos últimos 4 anos foram países afetados por um ou mais conflitos em curso no Médio Oriente: Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Turquia. O top-3 dos clientes da Rússia inclui a Índia, a China e o Vietname.</p> <h3>Portugal também “brinca”</h3> <p><blockquote class="twitter-tweet" data-lang="pt"><p lang="pt" dir="ltr"><span class="caps">ARMAMENTO</span> l Importação e Exportação de armas para e de Portugal (2014-2015) l fonte: <a href="https://twitter.com/SIPRIorg"><code>SIPRIorg</a> <a href="https://t.co/CuxKEvipsX">pic.twitter.com/CuxKEvipsX</a></p>&mdash; Francisco Marques (</code>FrMarques4655) <a href="https://twitter.com/FrMarques4655/status/702860939004157952">25 de fevereiro de 2016</a></blockquote><br /> <script async src="//platform.twitter.com/widgets.js" charset="utf-8"></script></p> <p>A participação portuguesa neste mercado do armamento é irrisória e o país surge no 101.° lugar os países que mais investiram em armas nos últimos dois anos. De acordo com os dados mais recentes revelados pelo <span class="caps">SIPRI</span>, no conjunto de 2014 e 2015, Portugal importou armamento no valor de 14 <span class="caps">TIV</span>, com a maior fatia (11) no ano passado e proveniente da Áustria (9). Tendo também feito “compras” em Israel (1) e nos Estados Unidos (1). No ano anterior, 2014, os portugueses já tinham feito negócios com a Áustria (3) e com os Estados Unidos (1).</p> <p>Em termos de vendas, Portugal exportou armamento avaliado pelo <span class="caps">SIPRI</span> em 25 <span class="caps">TIV</span>, com a maior fatia dass vendas a ter como destino a Bélgica (18), em 2014, e o resto (7) o Urguai, no ano passado. Ou seja, no balanço dos dois últimos anos deste levantamento do <span class="caps">SIPRI</span>, Portugal terá ganho dinheiro com as armas. Pouco, mas ganhou.</p> <p>Já nas importações, Portugal esteve particularmente investidor em 2010, último ano do executivo socialista de José Sócrates. Os portugueses terão investido 892 <span class="caps">TIV</span> em armas, com a grande fatia (550) transacionada com a Alemanha — porventura ainda terá alguma relação com os polémicos submarinos negociados em 2004.</p> <p>Com a mudança de governo, em junho de 2011, para o <span class="caps">PSD</span>, de Pedro Passos Coelho, em coligação com PP, de Paulo Portas, o “ministro dos submarinos”, e em plenjo pico da crise financeira do país, afetado por um resgate internacional, o investimento português em armas foi decaindo até voltar a crescer um pouco no ano passado.</p> <p><blockquote class="twitter-tweet" data-lang="pt" align="center"><p lang="pt" dir="ltr"><span class="caps">ARMAMENTO</span> l Importação de armas pelo <a href="https://twitter.com/hashtag/Brasil?src=hash">#Brasil</a> (2006-2015) l fonte: <a href="https://twitter.com/SIPRIorg"><code>SIPRIorg</a> <a href="https://t.co/aW0bS88rlg">pic.twitter.com/aW0bS88rlg</a></p>&mdash; Francisco Marques (</code>FrMarques4655) <a href="https://twitter.com/FrMarques4655/status/702869200809889793">25 de fevereiro de 2016</a></blockquote><br /> <script async src="//platform.twitter.com/widgets.js" charset="utf-8"></script></p> <p>Angola, por seu turno, subiu do 81.° para o 63.° lugar na tabela dos países que mais investiu em armamento, com destaque para o ano pasado, em que comprou armamento no valor de 63 <span class="caps">TIV</span>, a maior parte (52) à Rússia. Curioso, no entanto, nos dados que podemos encontrar no arquivo do <span class="caps">SIPRI</span>, é a ausência de informação no triénio de 2010 a 2012.</p> <p>O Brasil, por fim, tem mantido a aquisição de armas relativamente alta (twit em cima). No último ano investiu um total de 289 <span class="caps">TIV</span>, a maior parte negociado (113) com a França e assume-se como o número 1 entre os países de língua oficial portuguesa. O maior fornecedor de armas dos brasileiros, nos últimos 10 anos, foi, contudo, a Alemanha (554 <span class="caps">TIV</span>). O Brasil surge no 31.° lugar dos maiores compradores de armas no biénio 2014/2015.</p> <script id="infogram_0_arms_transfers_over_the_last_50_years0" title="Arms transfers over the last 50 years" src="//e.infogr.am/js/embed.js?S4E" type="text/javascript"></script>