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Egito: Crise monetária agrava crise económica

O Egito enfrenta uma crise monetária, que está a penalizar a população já atingida pela crise económica dos últimos anos. A divisa norte-americana

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Egito: Crise monetária agrava crise económica

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O Egito enfrenta uma crise monetária, que está a penalizar a população já atingida pela crise económica dos últimos anos.

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O dólar sobe e nós comemos pedras.

A divisa norte-americana superou os 9 dólares por libra egípcia (no mercado negro) esta quinta-feira, fazendo disparar os preços num país dependente das importações de alimentos e de energia.

O Banco Central do Egito tem usado as reservas para minimizar os efeitos, mas estas diminuíram de forma drástica desde a revolução de 2011. A situação política e a violência afugentaram investidores e turistas.

Em janeiro, as reservas do banco central rondavam os 16,4 mil milhões de dólares.

O analista Mohammed al-Najar defende: “Penso que a atual situação económica é uma das razões da crise, mas não podemos ignorar também as razões políticas e de segurança, que têm efeitos no Egito. Isso cria preocupações económicas que impedem o investimento estrangeiro no país”.

A crise monetária está a fazer aumentar a dívida pública. No espaço de poucos dias, a subida do dólar pesou 2,2 mil milhões de dólares aos cofres do Estado.

A subir estão também os preços. Em janeiro a taxa de inflação superava os 10% e o governo está a reduzir o sistema de subsídios, por exemplo à energia, para reduzir o défice, que atingiu os 11,5 no ano fiscal 2014/2015.

Um comerciante interroga-se: “Esperamos um aumento dos preços nos próximos dias. Como é que as pessoas vão viver? Onde vão conseguir dinheiro? Água, eletricidade, tudo aumenta”. Uma egípcia acrescenta: “Como vamos viver nesta situação? Como posso garantir as necessidades alimentares da família? Onde estão os preços baixos de que falam? O dólar sobe e nós comemos pedras”.

Com a escassez de dólares, teme-se que as empresas dependentes da importação encerrem, provocando uma vaga de despedimentos, quando a taxa de desemprego ronda os 13%.

O Banco Mundial baixou as previsões de crescimento económico do Egito para o ano fiscal 2015/2016. Espera agora um crescimento de 3,8%, menos sete décimas do que na estimativa precedente.

Mohammed Shaikhibrahim, correspondente no Cairo, relembra que “os esforços do governo egípcio para encontrar mecanismos de apoio económico têm sido insuficientes ou ineficazes. Isso acentua os receios dos economistas de que o governo vai deixar flutuar a moeda, o que consideram um suicídio económico, quando o crescimento é baixo e o desemprego é elevado”.