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Irão referenda abertura de Rohani nas eleições desta sexta-feira

Javad Montazeri, correspondente da euronews no Irão, permite-nos compreender melhor o que está em jogo nas eleições iranianas desta sexta-feira, as primeiras após o acordo nuclear alcançado com a comu

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Irão referenda abertura de Rohani nas eleições desta sexta-feira

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O Irão prepara-se para o primeiro sufrágio após o acordo sobre o programa nuclear e o fim das sanções internacionais ao país.

Mais de 4000 candidatos apresentam-se esta sexta-feira às eleições legislativas e do conselho de peritos, encarregue de nomear o líder supremo.

Cerca de 1400 candidatos decidiram abandonar a corrida, quando os moderados próximos do presidente Rohani esperam poder recuperar terreno nos 290 lugares do parlamento, dominados até agora pelos ultraconservadores.

Ao todo, 55 milhões de eleitores são chamados às urnas e o tema da economia deverá ser decisivo durante o escrutínio a duas voltas, quando o atual governo multiplica os acordos internacionais para combater um desemprego e uma inflação elevados.

Os dois sufrágios poderão ser abalados por uma abstenção recorde de 40%, segundo uma sondagem da agência de notícias oficial iraniana.

A eleição para o conselho de peritos de 86 membros parece ter ocorrido mesmo antes do sufrágio, quando dos 800 candidatos inscritos, apenas 166 foram autorizados a participar no sufrágio.

Javad Montazeri, correspondente da euronews no Irão, fala-nos da reta final desta campanha eleitoral.

Javad Montazeri, euronews – Bom, há duas eleições importantes esta sexta-feira: as eleições parlamentares e as eleições para a Assembleia dos Peritos.

Mais de 12.000 pessoas tinham-se candidatado às eleições parlamentares mas mais de metade foi desclassificada pelo Conselho dos Guardiães – a maioria, próxima do movimento reformista.

No entanto, o movimento reformista não se deixou abater e levou a campanha eleitoral ainda mais a sério.

E isso viu-se bem a semana passada: os reformistas fizeram grandes ações de campanha, em comparação com as dos conservadores.

Os reformistas acreditam que, mesmo com uma participação elevada, sairão vencedores – apesar de terem ficado apenas com candidatos de segunda e terceira linhas.

A emergência de um terceiro movimento, a fação “moderação” é também algo importante. Podemos ver que figuras proeminentes do movimento conservador não estão nas listas conservadoras. Pelo contrário, esses nomes estão nas listas da moderação, próxima dos reformistas.

O próprio presidente do parlamento, Ali Larijani, que tem sido uma das figuras mais proeminente dos conservadores, decidiu não colocar o seu nome na lista proposta pelos conservadores e apresentar-se como candidato independente.

Maria Sarsalari, euronews – Apesar de tudo, parece que muita gente decidiu ir votar. O que é que está em jogo, nestas eleições?

Javad Montazeri, euronews – Estas são as primeiras eleições no Irão, após o acordo nuclear. O levantamento das sanções irá fornecer inúmeras oportunidades económicas que permitirão o desenvolvimento económico do Irão.

Entretanto, há cerca de 10 anos que os conservadores controlam as instituições políticas no Irão. O governo e o chamado movimento da moderação estão a tentar mudar isso.

Depois das eleições de 2013, que levaram Hassan Rohani ao poder, os reformistas estão agora a tentar controlar o parlamento, para que este esteja na mesma linha do governo.

Desta forma, podem, em conjunto com o parlamento, impulsionar as políticas planeadas pelo presidente Rohani para melhorar a situação política e económica do país.

Pode acompanhar as eleições iranianas na euronews – na televisão, no site e nas redes sociais, onde também nos pode enviar os seus comentários.