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Sustentabilidade: A guerra ao esquilo cinzento

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Sustentabilidade: A guerra ao esquilo cinzento

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As espécies exóticas podem destruir ecossistemas. É o caso do esquilo cinzento, que está a provocar a extinção do esquilo vermelho. Na Escócia, os

As espécies exóticas podem destruir ecossistemas. É o caso do esquilo cinzento, que está a provocar a extinção do esquilo vermelho.

Na Escócia, os ecologistas observam alarmados o avanço do esquilo cinzento rumo ao norte. O esquilo vermelho, a espécie nativa das ilhas britânicas, está ameaçada de desaparecimento no espaço de uma geração.

Os esquilos cinzentos conseguiram expulsar as populações de esquilos vermelhos da maior parte da Inglaterra e País de Gales, desde que foram trazidos da América do Norte nos fins do séc. XIX. Os esquilos invasores atravessaram já a chamada Linha Protecção do Esquilo Vermelho nas Terras Altas (Highland Red Squirrel Protection Line) que liga Montrose, na costa oriental da Escócia a Inverary, a oeste.

Erradicar o invasor

O ecologista Lindsay Mackinlay, ligado à fundação escocesa National Trust for Scotland, acredita que é necessária ação urgente para expandir a área ocupada pelo esquilo vermelho e reduzir a zona de ocupação do esquilo cinzento.

“Para controlar o esquilo cinzento, recorremos a armadilhas. Quando um esquilo vermelho é capturado, é solto, mas um cinzento é morto e é ilegal libertá-lo. Compreendo que isto pareça desagradável e não é algo que nos dê prazer fazer, mas a realidade é que, se quisermos conservar o esquilo vermelho temos de eliminar o esquilo cinzento”, explicou Mackinlay.

O projeto do governo escocês Saving Scotland´s Red Squerrels treina os caçadores para matarem os animais com apenas um tiro. Os homens criaram o problema introduzindo a espécie invasora e agora há que reparar o mal e a única solução é erradicar a espécie exótica. É essencial proteger as espécies nativas, pois estas contribuem para a biodiversidade específica e única de um país.

O último levantamento feito pela organização revelou que houve uma queda na população de esquilos cinzentos em 2013 em relação a 2011. Há todavia alguns sinais de sucesso: no ano passado foi registada a presença de esquilos vermelhos em Perthshire e Fife depois de anos de ausência.

Os proprietários de terras nas regiões remotas das Terras Altas do noroeste são incentivados a acolher novas populações de esquilos vermelhos nas florestas.

No Parque Natural de Pensthorpe em Norfolk, o esquilo vermelho beneficia de um programa de proteção.

Os males não vêm sozinhos e existe um problema adicional – uma doença. Os esquilos cinzentos são portadores de um vírus chamado Parapoxvírus. “Cerca de 60% da população de esquilos cinzentos é portadora e o contágio dos vermelhos pode dizimá-los rapidamente, bastam quinze dias para isso”, explicou Ed Bramham-Jones, do Parque Natural de Pensthorpe.

A esperança dos ambientalistas é que os proprietários de terras colaborem para evitar a expansão dos esquilos cinzentos e a invasão das áreas reservadas aos esquilos vermelhos.

Três quartos dos 160 mil animais nativos existentes no Reino Unido vivem na Escócia. Há programas de proteção aos roedores vermelhos nas ilhas de Anglesey e de Wight.

A ajuda dos predadores

Os ambientalistas testam todas as potenciais formas de limitar a expansão dos roedores cinzentos. Uma delas é o recurso a animais predadores do esquilo cinzento. Um estudo dos investigadores Emma Sheehy e Colin Lawton, da Universidade Nacional da Irlanda, em Galway, parece indicar que a marta-do-pinheiro-europeia é um predador importante. Este mamífero carnívoro nativo das Ilhas Britânicas foi extinto em várias regiões, mas a sua população está a recuperar na Escócia e na Irlanda. A marta-do-pinheiro-europeia alimenta-se dos esquilos vermelhos, mas parece preferir os cinzentos, que são maiores.

Sheehy e Lawton descobriram que nas regiões irlandesas onde havia a presença da marta-do-pinheiro-europeia a população de esquilos vermelhos prosperava, enquanto a de cinzentos diminuia.

O esquilo cinzento não é a única espécie que preocupa os ambientalistas. No início do século XX, o vison norte-americano foi introduzido no Reino Unido, para a produção de peles. Escapou ao cativeiro e espalhou-se pelas Ilhas Britânicas. O lagostim norte-americano e o mexilhão zebra são outras espécies exóticas invasoras que os ambientalistas procuram erradicar.