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Migrantes: Começou evacuação da "selva" de Calais

As autoridades garantem que não haverá despejos forçados e que preferem dialogar com os migrantes para os convencer a abandonarem o acampamento

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Migrantes: Começou evacuação da "selva" de Calais

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Começou oficialmente a evacuação da zona sul da chamada “selva de Calais”, em França. As associações humanitárias tentaram impedi-la, na justiça, mas o tribunal administrativo de Lille confirmou-a.

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Há 3000 pessoas. O Estado diz que são 1000. O Estado tem 1000 alojamentos, não tem 3000. Para onde vão as restantes 2000 pessoas - Maya Konforti, associação Auberges des Migrants

As autoridades garantem que não haverá despejos forçados e que preferem dialogar com os migrantes para os convencer a abandonarem o acampamento.

Em troca do despejo, propõem um centro de acolhimento provisório ou contentores, mas as associações garantem que os lugares disponíveis não são suficientes.

“Há 3000 pessoas. O Estado diz que são 1000. O Estado tem 1000 alojamentos, não tem 3000. Para onde vão as restantes 2000 pessoas?”, interroga-se Maya Konforti, da associação Auberges des Migrants, que acrescenta: “Como é que um juiz pode aceitar isto, em pleno inverno, sabendo que há muitas crianças, mulheres, bebés e menores desacompanhados?”

Próxima de Inglaterra e miserável, a “selva” constituiu-se, contudo, como uma pequena vila, com escolas, igrejas e mesmo restaurantes.

“Aqui, não vão fazer cenas mas tenho a certeza de que não se vão embora. Porque dizem ‘ir embora para onde?’ E há algo mais que dizem todos: ‘Não viemos para ficar em França, queremos passar para Inglaterra’”, explica Zimako, fundador da escola da “selva”.

Depois do Tribunal Administrativo de Lille, as associações humanitárias prometem recorrer agora ao Conselho de Estado.