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Crise de refugiados e Síria: Hollande e Merkel harmonizam posições em Paris e ouvem Putin

Angela Merkel chegou esta sexta-feira de manhã a Paris, pouco depois das 10h, para uma reunião com François Hollande, no Eliseu, que incluiu um

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Crise de refugiados e Síria: Hollande e Merkel harmonizam posições em Paris e ouvem Putin

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Angela Merkel chegou esta sexta-feira de manhã a Paris, pouco depois das 10h, para uma reunião com François Hollande, no Eliseu, que incluiu um almoço de trabalho. O “prato forte” do encontro foi a crise de migrantes e refugiados que continua a agravar-se e tem, em especial, a guerra na Síria como ponto de origem.

O Presidente de França e a Chancelar da Alemanha procuram harmonizar as respetivas posições a poucos dias de uma importante cimeira entre os líderes da União Europeia e a Turquia para acertar a implementação do acordo estabelecido para controlar o fluxo de migrantes e refugiados a caminho da Europa.

Antes do almoço, Hollande e Merkel falaram ao telefone com o Presidente da Rússia sobre a situação na Síria, onde se mantém há quase uma semana um frágil cessar-fogo. Participaram também nesta conferência telefónica os primeiros-ministros italiano e britânico, respetivamente, Matteo Renzi e David Cameron.

Numa declaração conjunta aos jornalistas, ainda antes do almoço, o Presidente francês revelou que o quarteto de líderes europeu reafirmou “ao Presidente da Rússia a oportunidade que dá este cessar-fogo para se poder acelerar as conversações e abrir o processo de transição política na Síria”. “Pela voz de Vladimir Putin, a Rússia mostrou vontade de fazer respeitar o cessar-fogo na Síria e aceita este princípio para as negociações com base nas resoluções das Nações Unidas”, disse Hollande, para quem a realização de eleições em abril não passa de “uma ideia provocadora e irrealista” do Presidente Bashar al-Assad.

Merkel, por seu turno, garantiu a união de Alemanha e França na defesa do acordo de Schengen, que tem vindo a ser posto em causa e até suspenso devido aos incontrolados fluxos de migrantes em trânsito no sudeste da União Europeia.

“Estamos completamente de acordo na necessidade de proteger as fronteiras externas da União Europeia. As fronteiras têm de ser protegidas para que seja assegurada a livre circulação dentro da Europa e para que nos possamos afastar gradualmente do presente controlo de fronteiras internas”, defendeu a Chanceler, salientando o importante papel da Grécia nesta proteção dos limites europeus, mas também o da Turquia.

A Chanceler espera que a Turquia facilite a readmissão de migrantes até porque, sublinhou, tem interesse “em não receber mais refugiados e numa solução” para o conflito sírio, mas também em acabar com a travessia ilegal do Mar Egeu. “Há um interesse comum, turco e europeu, em acabar com a ilegalidade”, reforçou, como forma de pôr um fim às mortes no mar de pessoas que tentam chegar de forma clandestina à Europa pela Grécia.

Hollande, por seu turno, defende que “os refugiados sírios devem ser acolhidos o mais próximo possível do seu país”. O líder francês revelou ainda ter autorizado o envio de um barco para ajudar a missão da NATO de vigiar a fronteira marítima entre a Grécia e a Turquia.

A crise de migrantes e refugiados é o ponto central da cimeira marcada para segunda-feira entre a União Europeia e a Turquia. A implementação do plano acordado com Ancara é a prioridade. Objetivo: conter o fluxo de migrantes e combater as redes facilitadoras de migração clandestina.