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Ansiedade em Ancara no rescaldo do atentado

Quem presenciou o ataque suicida ficou com as imagens do horror cravadas na memória.

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Ansiedade em Ancara no rescaldo do atentado

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Depois do banho de sangue da véspera, choveu bastante em Ancara, esta segunda-feira. Junto ao palco do atentado, a praça Kizilay, no coração da capital turca, o ambiente era de consternação.

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Havia carne humana espalhada por todo o lado. (Testemunha)

Quem presenciou o ataque suicida ficou com as imagens do horror cravadas na memória.

A banca de venda de pão de Kerem foi destruída pela explosão e o comerciante afirma ter sido projetado no ar uns bons “10 metros”. Diz ter ficado “petrificado” enquanto via as pessoas fugirem em todas as direções ou procurarem refúgio. Depois, reagiu e tentou “ajudar os feridos”. Viu “corpos carbonizados dentro de um autocarro. Ainda estavam sentados nos bancos. Havia carne humana espalhada por todo o lado. A seguir, a polícia chegou e selou a área”.

“Está com medo?”, perguntamos a outro transeunte. “Claro que sim. Estamos ansiosos, não só por nós, mas pelos nossos familiares e amigos”, responde antes de exprimir o desejo que “isto termine depressa, porque as nossas vidas estão em perigo e toda a gente fica agora nervosa cada vez que tem de apanhar um autocarro”.

Para o correspondente da euronews, Bora Bayraktar, “a população de Ancara está ansiosa e o coração da capital tem muito menos movimento do que o habitual”.

Dezenas de vítimas foram a enterrar esta segunda-feira. Em menos de um mês, este foi o segundo atentado suicida a atingir Ancara. As autoridades reagem com demonstrações de força contra os curdos e mais uma vez impuseram um “blackout” mediático a imagens e a informações sobre o ataque. O acesso às redes sociais foi restringido.

Num artigo de opinião publicado na página da Al Jazeera, David Lepeska, um jornalista a viver em Istambul, sugere que a Turquia pode estar a caminho de ser um Estado falhado: