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Merkel admite derrota mas insiste nas portas abertas da Alemanha aos refugiados

O primeiro teste à política de portas abertas aos refugiados, defendida pela Chanceler alemã, revelou-se um duro golpe para a também líder da União

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Merkel admite derrota mas insiste nas portas abertas da Alemanha aos refugiados

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O primeiro teste à política de portas abertas aos refugiados, defendida pela Chanceler alemã, revelou-se um duro golpe para a também líder da União Cristã Democrática (CDU). A Alemanha teve este domingo eleições regionais em 3 estados — Baden-Württemberg, no sul; Renânia-Palatinado, a este; e na Saxónia-Anhalt, leste — e a festa, mesmo sem triunfos, foi do partido Alternativa para a Alemanha (AfD), força política fundada em 2013 e conhecida pela oposição à imigração.

Pouca habituada a perder, Angela Merkel viu a CDU ganhar em apenas um dos três estados a votos, Saxónia-Anhalt, mas no geral perdeu eleitorado em todos. A Chanceler admitiu que “domingo foi um mau dia para a União Cristã Democrática”.

Estas eleições regionais, a cerca de 18 meses das próximas legislativas, revelaram-se um claro “cartão amarelo” dos alemães à política de refugiados defendida e seguida pelo executivo de Merkel. A própria líder do governo germânico admite que as recentes medidas de estancar o fluxo de migrantes e refegugiados nas fronteiras internas da Europa, nomeadamente pela Macedónia, a Sérvia e a Áustria, têm sido favorecido o país.

“Não há dúvidas. Neste momento, a Alemanha está a beneficiar de haver menos pessoas a chegar (pela Rota dos Balcãs)”, afirmou Merkel, ainda que garantindo que a política defendida para os refugiados é para manter. “Vou continuar a fazer o que tenho feito nos últimos meses. Estou fortemente convencida de que precisamos de uma solução europeia”, disse a Chanceler, já esta segunda-feira.

Antes, já um porta-voz do executivo, Steffen Seibert, havia garantido que “o Governo Federal vai manter o curso da sua política de refugiados em total determinação, a nível nacional e internacional”. “Algumas coisas foram feitas, outras estão por fazer. O objetivo, de qualquer forma, é uma solução europeia comum e sustentável que leve a uma redução tangível do número de refugiados em todos os Estados-membros” da União Europeia, acrescentou.

Estas regionais foram também amargas para o Partido Social Democrata (SPD), de centro-esquerda, com apenas um triunfo (Renânia-Palatinado), mas perda de eleitores em todos os estados a votos.

Mesmo sem triunfos, o Alternativa para a Alemanha conseguiu resultados superiores às melhores expectativas, conseguindo mais de 10 por cento dos votos, parte proporcionados por eleitores desiludidos com a CDU. O partido anti-imigração tornou-se a segunda maior força política na Saxónia-Anhalt e a terceira nos outros.

A líder do AfD, Frauke Petry, deixou um aviso às forças rivais pró-refugiados: “Vamos fazer a nossa política e com isso pressionar os governos regionais. Mais cedo ou mais tarde, irão surgir discussões porque as bases, em especial do SPD e da CDU, estão desgastar-se rapidamente.”

Com a CDU a vencer num dos três estados, o SPD noutro e o AfD a ganhar terreno em todos, foi dos Verdes a vitória em Baden-Württemberg, um dos estados que representa uma das portas de entrada de migrantes e refugiados no país. Os Verdes já lideravam neste estado, mas em coligação com o SPD, tendo a CDU a maioria do parlamento regional.