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Porquê investir no Japão?

Quais são os argumentos da terceira economia mundial para atrair novos investidores? É a pergunta que motiva esta edição especial Focus dedicada ao

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Porquê investir no Japão?

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Quais são os argumentos da terceira economia mundial para atrair novos investidores? É a pergunta que motiva esta edição especial Focus dedicada ao Japão, um país com um mercado tradicionalmente forte e competitivo, que aposta na criação de novas oportunidades.

Uma das grandes forças do Japão reside no seu mercado interno. Afinal, é o território com o maior poder de compra da Ásia.

Não muito longe de Tóquio, no polo tecnológico da cidade de Tsukuba, fomos visitar o centro de pesquisa e desenvolvimento de um grande fabricante de peças automóveis. O grupo Valeo instalou-se no Japão há mais de três décadas. Segundo o seu presidente, Ryuji Saito, no início havia apenas “uma dezena de empregados. Hoje em dia, contam-se 2800 trabalhadores, 9 fábricas e 3 centros de pesquisa.”

A estratégia de crescimento deste grupo assenta em grande medida no mercado japonês. Os construtores automóveis nipónicos representam 30% da procura global. O país do Sol Nascente investe 3,5% do PIB no setor da Investigação e Desenvolvimento, o que cria um contexto incontornável no panorama asiático. “O sucesso no Japão resulta da combinação entre as metodologias nipónica e ocidental, entre o rigor tradicional e a gestão global da Valeo. É uma alquimia que funciona”, declara Ryuji Saito.

Um dos mais importantes portos japoneses situa-se em Kobe. É aqui que estão sedeados vários fabricantes de motores e peças para barcos. Fomos conhecer a estória da Geislinger, uma empresa austríaca que se instalou em Kobe há cerca de três anos, depois de se afirmar nos mercados chinês e sul-coreano.

O diretor, Yoshihide Yahata, conta-nos que a primeira coisa que fizeram quando se instalaram “foi contratar alguém que conhecesse bem este mercado e os clientes japoneses. Foi fundamental estabelecer contactos através da rede que essa pessoa tinha criado.”

A Câmara de Kobe deu um incentivo no início, ajudando a pagar a renda das instalações. O princípio é facilitar a transição dos empreendedores no arranque da atividade, de forma a que possam imergir progressivamente na cultura empresarial nipónica. Yoshihide Yahata relembra o provérbio japonês segundo o qual “o cliente é Deus. Não podemos forçar as coisas quando fazemos negócios. Temos de saber explicar aos clientes as vantagens que os nossos produtos lhes podem oferecer.”

Prestar serviço é todo um paradigma no Japão. Os critérios de qualidade são reputadamente exigentes. Há organismos públicos que fornecem acompanhamento aos empresários estrangeiros. Shigeki Maeda, da Japan External Trade Organization, explica-nos que é providenciado “aconselhamento gratuito, espaços de trabalho sem qualquer custo durante dois meses e intermediação na procura de parceiros comerciais.”

Bernard Delmas é responsável pela câmara de comércio francesa no Japão, a primeira estrutura europeia desta natureza a instalar-se no país. A característica que mais realça é a lealdade nipónica. “O mercado japonês é uma espécie de laboratório onde é possível experimentar novas ideias, novos conceitos e desenvolvê-los, se funcionarem. É um mercado de referência no contexto asiático. Há vários laços que unem o Japão a empresas da China e doutros países do Sudeste asiático”, afirma.

O acordo de parceria económica que o Japão está a negociar com a União Europeia deverá entrar em vigor ate ao final deste ano.