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Refugiados: Merkel otimista em solução euro-turca à margem da adesão da Turquia à UE

Chanceler alemã discursou perante o Bundestag, a câmara baixa do parlamento germânico, e focou-se na crise dos migrantes e refugiados. Pelo meio, deixou alguns recados a Ancara.

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Refugiados: Merkel otimista em solução euro-turca à margem da adesão da Turquia à UE

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Angela Merkel revelou-se esta quarta-feira otimista de que o Conselho Europeu a decorrer esta quinta e sexta-feira, em Bruxelas, vai resultar numa solução comum envolvendo a União Europeia (UE) e a Turquia para gerir a atual crise de migrantes e refugiados. A chanceler alemã vê aquele país euro-asiático como um elemento chave para o problema.

Point of view

As negociações com vista à adesão da Turquia à União Europeia continuam em aberto, mas este é um tema que não está, de facto, em agenda neste momento

Com um pedido de adesão à União Europeia efetuado em 1987 e declarada elegível para Estado-membro 10 anos depois, a Turquia continua a negociar com Bruxelas um vasto conjunto de políticas que irão permitir concluir a adesão. O último capítulo aberto neste processo de negociação foi o da “política económica e monetária”, colocado sobre a mesa a 14 de dezembro do ano passado.

Com a recente aproximação entre Ancara e Bruxelas e a necessidade mútua de um trabalho conjunto para fazer face aos milhões de migrantes e refugiados que têm utilizado a Turquia para chegar à Europa, via Grécia, surgiram preocupações de que esta cooperação pudesse, de alguma forma, queimar etapas do processo previsto para adesão turca à UE. Angela Merkel rejeita por completo este cenário.

Perante o Bundstag, a câmara baixa do parlamento alemão, a chanceler avisou que desta cooperação por causa da crise de migrantes e refugiados não faz parte qualquer compromisso que coloque a Turquia mais próxima da adesão à UE.

“As negociações com vista à adesão da Turquia à União Europeia continuam em aberto, mas este é um tema que não está, de facto, em agenda neste momento. As condições para a adesão turca permanecem iguais e não vão mudar”, afirmou Merkel perante os deputados alemães, numa altura em que tem sido muito criticada pela política de portas abertas aos refugiados e que as forças políticas anti-imigração começam a ganhar terreno no país.

A chanceler reforçou: “o que está em jogo amanhã e no dia a seguir é se nós vamos conseguir, pela primeira vez, um acordo que nos permita uma solução pan-europeia sustentável para o tema dos refugiados”. Merkel considera “completamente compreensível” que a Turquia peça mais 3 mil milhões de euros para fazer face à onda de refugiados.

(O problema dos refugiados tem de ser resolvido de forma permanente mas sustentável, sem enfraquecer substanciais suportes europeus.)

Merkel disse ainda, em jeito de aviso e à margem da questão dos refugiados, que a UE “vai ser firme na transmissão da sua posição à Turquia em temas como a liberdade de imprensa ou a gestão da relação com o povo curdo”. As últimas semanas ficaram marcadas pelo fecho de vários meios de comunicação turcos e pela tentativa de controlo estatal das redes sociais da internet. Antes de ser concedida a livre circulação de turcos na União Europeia “ainda muito coisa tem de mudar”, avisou, nomeadamente o cumprimento das 72 condições impostas a Ancara por Bruxelas.

A crise de migrantes será, assim, o ponto principal do Conselho Europeu desta semana. Sexta-feira, é esperada a participação na reunião europeia do primeiro-ministro da Turquia. De acordo com o comunicado de imprensa de lançamento da cimeira, a participação de Ahmet Davutoglu irá, contudo, cingir-se em exclusivo à cooperação euro-turca para resolver a crise migratória.

(Presidente do Conselho Europeu: “As minhas conclusões após o encontro com
o primeiro-ministro Ahmet Davutoglu antes da reunião sexta-feira em Bruxelas.)