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O 'dedo' nipónico na desminagem do Camboja

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De  Marco Lemos  com euronews, unicef
O 'dedo' nipónico na desminagem do Camboja

<p>No Camboja, é através de ações e campanhas nas escolas que se começa a prevenir mais acidentes com minas antipessoais, um perigo escondido que, em período de paz, já fez “mais de 40.000 mortos:“http://www.magamerica.org/blog/cambodia-landmine-facts e amputados, metade dos quais crianças, <a href="http://www.unicef.org/protection/cambodia_24266.html">segundo a Unicef</a>. </p> <p>Com a ajuda do Japão, a desminagem avança e os cambojanos vão lentamente recuperando as suas terras. </p> <p><img src="http://www.euronews.com/media/download/articlepix/cambodia-focus-160316-foto2.jpg" alt="" /></p> <p>“Depois da desminagem do terreno construímos a escola, que oferece a educação que as crianças necessitam e melhora as perspetivas de futuro da comunidade”, explica Sinat Nov, professora.</p> <p><img src="http://www.euronews.com/media/download/articlepix/cambodia-focus-160316-foto1.jpg" alt="" /></p> <p>A escola primária de Klaing, na região de Battambang, é apenas um exemplo dos esforços de desminagem e prevenção de acidentes do Centro Cambojano de Ação contra as Minas (<a href="http://cmac.gov.kh/"><span class="caps">CMAC</span></a>, na sigla em inglês).</p> <p>Décadas de guerra deixaram a sua marca e um mortífero mostruário de engenhos explosivos por detonar.</p> <i>“Nesta mesa podemos ver os tipos de minas que encontramos no terreno”</i>, refere Keng Sotheara, que trabalha na desminagem, </i>“temos aqui uma mina antipessoal, um dispositivo explosivo por detonar (<span class="caps">UXO</span>, na sigla em inglês) e uma mina antitanque”</i>. <p>Estima-se que ainda haja 5 milhões de minas espalhadas pelo Camboja. </p> <p>Battambang, perto da fronteira com a Tailândia, é das regiões onde existem mais destes perigos dissimulados.</p> <p>A par de Angola e do Afeganistão, o Camboja está no perigoso pódio dos países com o maior número de minas terrestres por detonar.</p> <p><img src="http://www.euronews.com/media/download/articlepix/cambodia-focus-160316-foto4.jpg" alt="" /></p> <p>Cerca de 1600 pessoas estão envolvidas permanentemente nos trabalhos de desminagem no Camboja, que contam com um forte contributo do Japão, o país que, na última década, mais contribuiu com dinheiro e tecnologia para a solução do problema.</p> <p><img src="http://www.euronews.com/media/download/articlepix/cambodia-focus-160316-foto3.jpg" alt="" /></p> <i>“Temos aqui uma máquina de desminagem nipónica”</i>, aponta um consultor técnico da Japan Mine Action, <i>“pesa 34 toneladas. Os ‘dentes’ de aço penetram 30 centímetros na terra para a revolver”.</i> <p>A tarefa hercúlea tem produzido frutos: 2 milhões e 600 mil dispositivos explosivos foram destruídos nas últimas décadas:</p> <i>“Desde os anos 80 do século passado, o governo japonês tem verdadeiramente ajudado o Camboja no esforço coletivo para construir a paz”</i>, refere o diretor do <span class="caps">CMAC</span>. <i>“Estamos muito orgulhosos de contar com o apoio do povo japonês neste trabalho para nos reerguermos”</i>, conclui Heng Ratana. <p>Tóquio contribui com dinheiro, equipamento e peritos, que ajudam a explicar como evitar a morte que se esconde na terra.</p> <p><img src="http://www.euronews.com/media/download/articlepix/cambodia-focus-160316-foto5.jpg" alt="" /></p> <p>Keng Sotheara começou a trabalhar nos campos de minas aos 21 anos. Dez anos depois, continua a arriscar a vida todos os dias para trazer segurança ao seu povo: </p> <i>“Depois de o detetor ter identificado um objeto, tenho de fazer tudo com muito cuidado. Especialmente quando estou a escavar, tem que ser devagar e com toda a atenção”.</i> <p><img src="http://www.euronews.com/media/download/articlepix/cambodia-focus-160316-foto7.jpg" alt="" /></p> <p>No início desde milénio, cerca de 20% das aldeias ainda estavam ‘contaminadas’ com minas terrestres.</p> <p>As repercussões socioeconómicas da presença de minas são gigantescas junto de populações que dependem da agricultura. </p> <p>É isso que o Japão está a ajudar a resolver:</p> <i>“O nosso objetivo é encorajar este país a ser livre, democrático e uma sociedade estável”</i>, indica um consultor da Embaixada do Japão no Camboja. <i>“A estabilidade do Camboja é importante para a estabilidade de toda a região”</i>, conclui Naoki Kamoshida. <p>A população agradece:</p> <i>“Desde que a terra foi limpa de minas já não tenho medo quando trabalho nos campos e posso plantar o que quiser. A minha vida melhorou muito”</i>, garante Chanry Vap, agricultora. <p>Lentamente, os campos de “terra queimada” regressam à vida e com ela as pessoas voltam a acreditar num futuro risonho para o Camboja.</p>