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O 'dedo' nipónico na desminagem do Camboja

Estima-se que ainda haja 5 milhões de minas espalhadas pelo Camboja. Um perigo escondido, que continua a matar, todos os anos. Com a ajuda do Japão, a desminagem avança e os cambojanos vão lentamente

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O 'dedo' nipónico na desminagem do Camboja

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No Camboja, é através de ações e campanhas nas escolas que se começa a prevenir mais acidentes com minas antipessoais, um perigo escondido que, em período de paz, já fez “mais de 40.000 mortos:“http://www.magamerica.org/blog/cambodia-landmine-facts e amputados, metade dos quais crianças, segundo a Unicef.

Point of view

"A par de Angola e do Afeganistão, o Camboja está no perigoso pódio dos países com o maior número de minas terrestres por detonar."

Com a ajuda do Japão, a desminagem avança e os cambojanos vão lentamente recuperando as suas terras.

“Depois da desminagem do terreno construímos a escola, que oferece a educação que as crianças necessitam e melhora as perspetivas de futuro da comunidade”, explica Sinat Nov, professora.

A escola primária de Klaing, na região de Battambang, é apenas um exemplo dos esforços de desminagem e prevenção de acidentes do Centro Cambojano de Ação contra as Minas (CMAC, na sigla em inglês).

Décadas de guerra deixaram a sua marca e um mortífero mostruário de engenhos explosivos por detonar.

“Nesta mesa podemos ver os tipos de minas que encontramos no terreno”, refere Keng Sotheara, que trabalha na desminagem, “temos aqui uma mina antipessoal, um dispositivo explosivo por detonar (UXO, na sigla em inglês) e uma mina antitanque”.

Estima-se que ainda haja 5 milhões de minas espalhadas pelo Camboja.

Battambang, perto da fronteira com a Tailândia, é das regiões onde existem mais destes perigos dissimulados.

A par de Angola e do Afeganistão, o Camboja está no perigoso pódio dos países com o maior número de minas terrestres por detonar.

Cerca de 1600 pessoas estão envolvidas permanentemente nos trabalhos de desminagem no Camboja, que contam com um forte contributo do Japão, o país que, na última década, mais contribuiu com dinheiro e tecnologia para a solução do problema.

“Temos aqui uma máquina de desminagem nipónica”, aponta um consultor técnico da Japan Mine Action, “pesa 34 toneladas. Os ‘dentes’ de aço penetram 30 centímetros na terra para a revolver”.

A tarefa hercúlea tem produzido frutos: 2 milhões e 600 mil dispositivos explosivos foram destruídos nas últimas décadas:

“Desde os anos 80 do século passado, o governo japonês tem verdadeiramente ajudado o Camboja no esforço coletivo para construir a paz”, refere o diretor do CMAC. “Estamos muito orgulhosos de contar com o apoio do povo japonês neste trabalho para nos reerguermos”, conclui Heng Ratana.

Tóquio contribui com dinheiro, equipamento e peritos, que ajudam a explicar como evitar a morte que se esconde na terra.

Keng Sotheara começou a trabalhar nos campos de minas aos 21 anos. Dez anos depois, continua a arriscar a vida todos os dias para trazer segurança ao seu povo:

“Depois de o detetor ter identificado um objeto, tenho de fazer tudo com muito cuidado. Especialmente quando estou a escavar, tem que ser devagar e com toda a atenção”.

No início desde milénio, cerca de 20% das aldeias ainda estavam ‘contaminadas’ com minas terrestres.

As repercussões socioeconómicas da presença de minas são gigantescas junto de populações que dependem da agricultura.

É isso que o Japão está a ajudar a resolver:

“O nosso objetivo é encorajar este país a ser livre, democrático e uma sociedade estável”, indica um consultor da Embaixada do Japão no Camboja. “A estabilidade do Camboja é importante para a estabilidade de toda a região”, conclui Naoki Kamoshida.

A população agradece:

“Desde que a terra foi limpa de minas já não tenho medo quando trabalho nos campos e posso plantar o que quiser. A minha vida melhorou muito”, garante Chanry Vap, agricultora.

Lentamente, os campos de “terra queimada” regressam à vida e com ela as pessoas voltam a acreditar num futuro risonho para o Camboja.