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Bergen-Belsen: Explicar o inexplicável através da realidade virtual

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Bergen-Belsen: Explicar o inexplicável através da realidade virtual

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De que forma é que a realidade virtual nos vai ajudar a preservar a memória histórica? O Futuris fez uma imersão no antigo campo de Bergen-Belsen e

De que forma é que a realidade virtual nos vai ajudar a preservar a memória histórica? O Futuris fez uma imersão no antigo campo de Bergen-Belsen e em Barcelona.

Como é que a tecnologia pode ajudar a explicar o que aconteceu no campo de concentração de Bergen-Belsen, no norte da Alemanha? “O memorial que existe neste antigo campo é um espaço vazio. Já não há dormitórios, nem outros vestígios. Mas recriámos a aparência do local num tablet, o que é uma ajuda para perceber como é que este sítio era”, afirma a historiadora Stephanie Billib.

Mais de 70 mil pessoas morreram em Bergen-Belsen durante a Segunda Guerra Mundial. A forma como se transmite a memória deu um novo passo. Acompanhámos um grupo de estudantes que visitou o antigo campo. Logo à chegada, são distribuídos tablets que mostram como era a estrutura original, totalmente destruída no pós-guerra.

“Aprendi muito hoje. Foi horrível o que aconteceu aqui. Conseguimos ver tudo. Encontrámos valas comuns em todo o lado. O cemitério das crianças… Pudemos ver o crematório onde os corpos eram queimados. É assustador. Aprendemos muita coisa”, conta-nos Benedict Plath-Steinbach, um dos alunos.

O professor que acompanhou o grupo, Jan Frühmark, considera que “o tablet e a aplicação motivam muito mais os estudantes do que uma aula normal. É uma imersão.”

Para Billib, “é muito difícil compreender a história deste sítio – é algo que está para além da nossa capacidade de entendimento. Por isso, é sempre uma ajuda a criação de ferramentas que permitam um acesso emocional.”

A aplicação foi desenvolvida por um grupo de investigadores de um projeto europeu que assenta na simulação virtual e na chamada realidade aumentada. As informações recolhidas são conjugadas num suporte visual que favorece a sensação de interatividade.

Paul Verschure, da Universidade Pompeu Fabra de Barcelona, realça que “o princípio consiste na atividade dos participantes. O espaço não é apenas recriado, ele torna-se numa forma de induzir a experiência e transmitir a memória. Queremos contar a História às gerações que se seguem e proporcionar experiências baseadas nos dados históricos.”

A plataforma combina a informação de mapas, de modelos 3D do campo ao longo de diferentes períodos históricos e de vários documentos da época. Sytse Wierenga, especialista em media interativos, diz que “a próxima etapa é integrar esta plataforma num programa educativo de ensino da História. Não tem de substituir o que já existe. Neste memorial, é mais um recurso para nos elucidar sobre o passado.”