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Ucrânia: Dois anos após anexação pela Rússia, Crimeia sofre com as sanções a Moscovo

Esta sexta-feira assinalam-se dois anos sobre a controversa anexação da península ucraniana da Crimeia pela Federação russa após um referendo

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Ucrânia: Dois anos após anexação pela Rússia, Crimeia sofre com as sanções a Moscovo

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Esta sexta-feira assinalam-se dois anos sobre a controversa anexação da península ucraniana da Crimeia pela Federação russa após um referendo regional anticonstitucional à revelia do governo nacional sediado em Kiev. O Conselho da União Europeia reforçou neste segundo aniversário a ilegalidade da anexação russa da Crimeia, manobra que custou pesadas sanções da comunidade internacional à Rússia.

(Hoje assinala-se o 2.° anivers~rio da anexação ilegal da Crimeia.)

Entre os habitantes da Crimeia, as opiniões dividem-se face à atual ligação administrativa a Moscovo. Mesmo assim foi dia de festa na península e nas ruas de Sebastopol, por exemplo, viram-se muitas bandeiras russas nas ruas.

Habitante desta cidade costeira onde há décadas está instalada uma base militar russa, Alexander Talipov admite “há dificuldades mas também aspetos positivos”. “Em primeiro lugar, os habitantes da Crimeia ganharam satisfação moral porque regressaram ao país natal, acima de tudo porque a Crimeia integrou-se totalmente na Federação russa”, justificou.

Oleg Nikolayev, por outro lado, é comerciante e confessa haver “também muitos problemas”: “Por exemplo, o número de oficiais aumentou de forma dramática assim como a pressão sobre o comércio. Outro problema foram as medidas inexperientes das autoridades executivas”, apontou Nikolayev, que, ainda assim, não lamenta a anexação da Crimeia pela Rússia: “sobretudo, porque estamos em casa, na Rússia, e isto não nos causa desapontamento de momento.”

Outra cidade costeira, Yalta, é conhecida como polo turístico no sudeste da Crimeia. Estava habituada a turistas europeus. Agora, há apenas russos. O autarca de Yalta lamenta as sanções aplicadas à Rússia pela comunidade internacional que não reconhece como legítima a anexação promulgada por Vladimir Putin a 21 de março de 2014 após um polémico referendo regional 3 dias antes.

“Se não houvesse neste momento as sanções, penso que teríamos mais turistas europeus. Em Yalta, dependemos muito das escalas dos cruzeiros marítimos. Antes, durante o período dos cruzeiros, chegávamos a receber mais de 200 navios repletos de turistas”, recordou Andrej Rostenko.

Desde a anexação pela Federação russa, o turismo decaiu em força na Crimeia. Apenas um terço das camas de hotel da península foram ocupados durante o ano passado, mas o autarca de Yalta revela tem esperança na Rússia.

Vladimir Putin, por seu turno, aproveitou este dia marcante para a Crimeia para visitar as obras da futura ponte que vai ligar a península ao continente russo através do estreito de Kerch, à entrada do Mar de Azov. O líder do Kremlin esteve na ilha de Tuzla, qualificou a construção da ponte como “uma missão histórica” e recordou que este é um projeto com mais de 100 anos saído da mente do czar Nicolau II, mas frustrado na altura pelo rebentar da I Guerra Mundial.

Sobre o aniversário da anexação, Putin afirmou: “sem exagerar, esta justiça histórica era esperada e desejada por milhões de pessoas”. “Esta ponte, será mais um símbolo da nossa união com a Crimeia e Sebastopol, e do nosso potencial.

A União Europeia, por seu turno, reiterou a condenação de “anexação ilegal” da península pelo Kremlin, considerou-a como “uma violação do direito internacional” e alertou para deterioração dos direitos humanos na Crimeia, em particular pela perseguição à minoria tártara.

Em sequência, a Alta Representante da UE para a Política Externa e Segurança garantiu que os “28” vão manter as sanções aplicadas contra Moscovo e apelou aos países membros das Nações Unidas a secundarem essa decisão.

Em resposta, o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, assegurou que que as pressões políticas e económicas da UE não terão força suficiente para alterar o facto de que “a Crimeia e Sebastopol são parte inalienável da Federação Russa.”

A Ucrânia continua a reclamar a soberania sobre a península autónoma da Crimeia.