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Forum Crans Montana: A urgência do desenvolvimento sustentável em África

O Forum Crans Montana deste ano volta a apostar no diálogo aberto e construtivo entre grandes protagonistas na política, economia global e pretende

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Forum Crans Montana: A urgência do desenvolvimento sustentável em África

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O Forum Crans Montana deste ano volta a apostar no diálogo aberto e construtivo entre grandes protagonistas na política, economia global e pretende consolidar aquilo que foi conseguido em 2015, na reunião do COP 22, em Marraquexe, em novembro.

A 27ª edição do Forum Crans Montana arrancou os trabalhos no dia 18 de março em Dakhla, uma cidade no Sahara Ocidental, com a presença de cerca de mil participantes, dos quais 850 personalidades estrangeiras de 131 países e de 27 organizações regionais e internacionais. Para os organizadores, a escolha do local não é fruto do acaso, como explica Pierre Emmanuel Quirin, presidente da organização: “a escolha de Dakhla é essencial. Dakhla faz parte de um verdadeiro laboratório para toda a África. Acredito que é simbólico organizar este tipo de encontro aqui e continuar o diálogo entre grandes figuras da economia mundial e da política internacional numa cidade e numa região que demonstra que nenhuma fatalidade resiste a uma política voluntarista de desenvolvimento”.

Marrocos aproveita para mostrar a África a via do desenvolvimento e o Forum bate-se pelo continente há muito tempo. Os trabalhos do encontro desdobram-se em 15 sessões de debate, com destaque para a segurança alimentar, energética e humana, os jovens e o emprego e a importância das regiões.

Youssouf Ouedraogo, antigo primeiro-ministro do Burkina Faso, lembra que “Marrocos tem uma grande tradição de mescla de civilizações muito antigas da África negra e do Magrebe. Acredito que o desenvolvimento desta região é um elemento importante para o deselvolvimento da cooperção com o Sul”.

O Forum procura o desenvolvimento económico e social sustentável da região. Entre os convidados está o reverendo Jesse Jackson, antigo colaborador de Martin Luther King,
contra a segregação racial. Jackson acredita que “as trocas comerciais entre países africanos são muito importantes e a agricultura é o setor chave, não apenas para estes países mas para o mundo todo. Mesmo que os Estados Unidos tenham tendência para se isolar, África deve ser um parceiro comercial de primeira linha. A África do Sul é o único país com excedente comercial em relação aos Estados Unidos. O resto do continente tem uma relação deficitária. Mas este é o continente mais rico em recursos do planeta”.

Em Dakhla, a palavra foi dada às mulheres e às mulheres africanas.
Aliás é um dos grandes temas em debate no Forum. Neste encontro foi discutido o papel que têm a todos os níveis: da política, à economia e à vida social. Ntombenhle Msiza, filha do presidente da África do Sul, Jacob Zuma, defende que “é tempo para as mulheres se levantarem. As mulheres não têm de para de ficar atrás dos homens, escondidas atrás deles. Somos fortes, poderosas, temos uma voz e temos de contribuir para este continente, agora. E se for necessário, vamos fazê-lo pela força.”

A primeira dama do Afeganistão, Rula Ghani confirma que as mulheres têm um papel essencial na sociedade moderna e na gestão dos negócios públicos e privados. Rula Ghani garante que “pouco a pouco damo-nos conta que as mulheres são importantes seja na economia seja na socidade civil, na educação, saúde…em todos os domínios e acredito que o século XXI vai ser o século no qual as mulheres vão ganhar mais peso no mundo”.

Depois da sessão em terra, o Forum Crans Montana vai seguir os debates no mar, a bordo do cruzeiro GNV Rhapsody em direção a Casablanca, depois de três dias de trabalho intensos em Dakhla.