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"Guerra dos sexos" no ténis: Raymond Moore abriu a polémica e já está "KO"

Serena Williams criticou diretor do torneio de Indian Wells e refutou os comentários sexistas. Novak Djokovic entrou na discussão e defendeu melhores prémios para os homens. A polémica promete.

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"Guerra dos sexos" no ténis: Raymond Moore abriu a polémica e já está "KO"

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A “guerra dos sexos” no ténis aberta por Raymond Moore, o diretor do open de ténis de Indian Wells, no último fim de semana acabou por fazer dele próprio a primeira vítima. Moore apresentou a demissão a Larry Ellison e o dono do torneio norte-americano compreendeu “totalmente a decisão.”

“Hoje cedo (segunda-feira) tive oportunidade de falar com Raymond Moore e ele informou-me ter decidido demitir-se das funções de diretor executivo (CEO) e diretor do torneio de imediato. Compreendi totalmente a sua decisão”, lê-se num comunicado emitido pela organização do Torneio de Indian Wells, nos Estados Unidos.

Na base da demissão estarão as declarações proferidas por Moore no domingo de manhã, horas antes das finais masculinas e femininas do torneio, que opuseram no quadro masculino Novak Djokovic a Milos Raonic e, no quadro feminino, Serena Williams a Viktoria Azarenka.

Diante dos jornalistas e com notória descontração, o diretor do torneio lançou a polémica: “Sabem, na minha próxima vida, quando regressar, gostaria de ser alguém do WTA (associação de ténis feminino) porque elas andam à pendura dos homens. Não tomam decisões e têm sorte. Têm muita, muita sorte. Se fosse uma senhora tenista, eu ajoelhava-me todas as noites a agradecer a Deus por Roger Federer e Rafael Nadal terem nascido porque são eles que têm carregado este desporto às costas.”

Logo após a final feminina, ganha por Viktoria Azarenka, a finalista vencida e atual número 1 do mundo, Serena Williams, reagiu às declarações de Raymond Moore. “Obviamente, não penso que qualquer mulher deva colocar-se joelhos para agradecer a alguém dessa forma. Se eu vos quisesse dizer o número de pessoas que todos os dias dizem não ver ténis a menos que me vejam a mim ou à minha irmã (Venus), não conseguiria sequer chegar a um número. Esta foi uma declaração muito pouco precisa.”

“Penso que muitas mulheres por aí que são muito excitantes de ver. Há muitos homens também muito excitantes de ver. É algo que dá para os dois lados. Estas declarações estão muito erradas e muito, muito imprecisas”, prosseguiu, analisando mais a detalhe os comentários de Raymond Moore: “Há apenas uma forma de interpretar isto: ponham-se de joelhos — o que só por si já é ofensivo o suficiente — e agradeçam a um homem — o que não é. Nós, enquanto mulheres, temos percorrido um longo caminho. Não devíamos ter de nos ajoelhar em momento algum.”

 

Atualização dos rankings

(esta segunda-feira, 21 de março) ATP
1.° Novak Djokovic (Ser): 16.540 pontos;
2.° Andy Murray (RUn): 8370;
3.° Roger Federer (Sui): 7695;

35.° Thomaz Bellucci (Bra): 1200;

38.° João Sousa (Por): 1146.

WTA
1.a Serena Williams (EUA): 9505;
2.a Agnieska Radwanska (Pol): 5775;
3.a Angelique Kerber (Ale): 5700;
; …
50.a Teliana Pereira (Bra): 1114;

225.a Michelle de Brito (Por): 219.

A melhor tenista da atualidade não se conteve e lembrou as finais do ano passado do Open dos Estados Unidos, jogada entre as italianas Roberta Vinci e Flavia Pennetta: “Desculpem o Roger jogou aquela final? Ou o Rafa ou outro homem qualquer esteve naquela final cujos bilhetes esgotaram antes da final masculina? Não me parece.”

Serena evocou ainda Billie Jean King, estrela do ténis feminino nos anos 70 e uma das fundadoras do WTA. “Olhamos para pessoas como a Billie Jean King, que abriu muitas portas para não só mulheres tenistas mas para mulheres no desporto em geral, e eu sinto que isto é um desrespeito por ela e para todas as mulheres. Não só pelas desportistas mas por todas as mulheres no planeta que alguma vez tentaram impor-se pelo que acreditam e com orgulho de serem mulheres”, concluiu a número 1 do mundo.

A vencedora do torneio de Indian Wells não passou ao lado da controvérsia. Penso ser nosso dever continuarmos a trabalhar duro apesar dos comentários que podem surgir. Temos de ser melhores que tudo isso”, afirmou a bielorrussa Viktoria Azarenka, atual número 8 do mundo.

Billie Jean King também reagiu à polémica. Através do Twitter, a antiga tenista, hoje com 72 anos e ativista pelo igualdade entre géneros, afirmou-se “desapontada pelos comentários de Raymond Moore”. “Ele está errado a tantos níveis. Todos os jogadores, em especial os de alto nível, contribuem para o nosso sucesso”, escreveu Billie Jean King.

Durante a final masculina, a organização do torneio emitiu um pedido de desculpas, mas “a guerra dos sexos” não ficou por aí. Após ganhar pela quinta vez o torneio de Indian Wells, Novak Djokovic, o atual numero 1 do mundo do quadro masculino, defendeu melhores prémios para os homens.

“Eu aplaudo as mulheres (pelo que conseguiram), de verdade. Elas lutaram pelo que merecem e conseguiram-no. Por outro lado, penso que o mundo do t’enis masculino, o ATP, deve bater-se por mais porque os números mostram que nós temos muito mais espetadores nos jogos de ténis masculinos. Essa é uma das razões pelas quais penso que devemos ter melhores prémios”, alegou Djokovic.

O sérvio foi, porém, ainda mais longe e entrou no campo hormonal. “Os corpos femininos são muito diferentes dos masculinos. Elas têm de enfrentar uma série de coisas diferentes do que nós enfrentamos. As hormonas e outras coisas. Não preciso de entrar em detalhes”, disse o melhor tenista da atualidade.

Para já, o causador de toda esta discussão já foi ao tapete, com “KO” profissional, mas a “guerra dos sexos” no ténis pode não ficar por aqui. Aguardemos por novos capítulos.