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Crise migrantes: Grécia esforça-se para instalar milhares em novos campos

Atenas intensifica os esforços para transferir refugiados de campos improvisados, como o de Idomeni, na fronteira com a Macedónia, para centros construídos para 30 mil pessoas no norte da Grécia.

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Crise migrantes: Grécia esforça-se para instalar milhares em novos campos

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A Grécia intensifica os esforços para transferir milhares de refugiados que vivem em condições subhumanas em campos improvisados, como o situado perto de Idomeni, na fronteira com a Macedónia.

Cerca de 11 mil pessoas, incluídas muitas crianças, vivem desde há semanas em tendas improvisadas e sem condições básicas de sobrevivência, como acesso a água potável e, muitas vezes, sem a alimentação necessária.

Muitos recusam-se a acreditar num fecho total e permanente da que é conhecida como “rota dos Balcãs” e esperam ansiosamente pela reabertura progressiva das fronteiras de países como Macedónia, a Sérvia ou a Eslovénia, para chegar a países da Europa Ocidental, como a Alemanha ou os países escandinavos.

O Governo grego, que tem vindo a recusar reiteradamente o uso da força para proceder à transferência dos migrantes, tenta convencer de forma pacífica os migrantes a aceitarem deixar o campo perto de Idomeni.

Foram deixados panfletos informativos nas línguas mais faladas entre os que se encontram no campo, como árabe, farsi (ou persa) e pasthu, com explicações acerca da necessidade de que todos se mudem para refugios construídos para o efeito.

Entretanto, assistentes humanitários e interpretes tentam, pelo seu lado, a mesma tarefa, da forma mais convicente possível, embora nem sempre com demasiado êxito. Os migrantes com crianças são os primeiros a ser abordados.

Este sábado (26), depois de semanas de sofrimento, com cortes de água regulares e de com o número de crianças doentes a aumentar, algmas famílias aceitaram deixar o campo de Idomeni.

Imad Sukkariyeh, um sírio que foge da guerra civil, diz esperar que o novo lugar para onde aceitou ir tenha o necessário para viver de forma digna.

“Queremos sentirnos humanos outra vez. Viver nestas tendas é um problema e viver com outras famílias na mesma tenda é um problema ainda maior.”

Ibrahim Alwak, também da Síria, disse que não veio do seu país para fugir à fome, porque não passava fome. “Fugi de uma guerra. Não viemos para cá para ficar, para passar um bom bocado nem para beber como animais, viemos em procura de esperança”, disse Alwak.

Por outro lado, de acordo com dados oficiais do governo grego divulgados este sábado, pelo menos 50 mil migrantes encontram-se neste momento em território nacional, 14 mil dos quais na região de Ática e mais de 28 mil em campos espalhados no norte do país, incluindo o campo improvisado perto de Idomeni.

Na sexta-feira (25), cerca de 20 autocarros chegaram ao campo de Idomeni, tendo sido recebidos com protestos dos migrantes. Os trabalhadores no terreno disseram que, inicialmente, apenas 400 pessoas aceitaram entrar nos transportes, ocupando menos de metade dos autocarros disponíveis. Foram, na sua maioría, transladados a diferentes campos situados no norte da Grécia.

O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), que assumiu também a tarefa de informar os refugiados sobre as transferências, até sexta-feira à noite, apenas 600 pessoas tinham sido inscritas em listas oficiais.

Entretanto, Atenas disse que iria acelerar a construção de centros para acolher até 30 mil migrantes, de forma a conseguir lidar com o crescente número de pessoas que chegam às costas do país.

Tensões em Moria, na Ilha de Lesbos

Entretanto, na Ilha de Lesbos, há mais de 1.100 pessoas, incluídas muitas crianças, no campo de Moria, que, depois do acordo entre a União Europeia e a Turquia de dia 20 de março, se transformou num campo de detenção. A imprensa local relata que as pessoas retidas em Moria têm vindo a receber folhetos, estes em inglês, nos quais se explica que têm direito a informação legal e a conhecer os seus direitos enquanto permanecerem no campo, assim como a pedir um advogado.

O número de chegadas às ilhas gregas tem vindo a diminuir, ainda que para muito tenha contribuído o mau tempo que se tenha registado na zona, com fortes ventos e tempestades.