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A primeira mulher a chefiar o governo da Dinamarca despediu-se do Parlamento

Helle Thorning-Schmidt liderou o governo dinamarquês entre outubro de 2011 e junho de 2015. Ficou famosa pela "selfie" tirada no meio de Barack Obama e David Cameron, no funeral de Nelson Mandela.

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A primeira mulher a chefiar o governo da Dinamarca despediu-se do Parlamento

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Helle Thorning-Schmidt viveu esta terça-feira, 29 de abril, aos 49 anos, o último dia de trabalho no Parlamento dinamarquês e, quiçá, na política escandinava. A primeira mulher a ter ocupado o cargo de primeiro-ministro do reino da Dinamarca vai agora “transferir-se” para a liderança da Organização Não-Governamental Save the Children International.

Helle Thorning-Schmidt começou a destacar-se nos meandros da política quando foi eleita em 1999 para o Parlamento Europeu, onde ficou até 2004 e onde ganhou a alcunha de “Gucci Helle”. Em fevereiro de 2005 foi eleita para o parlamento dinamarquês e dois meses depois foi nomeada líder do Partido Social Democrata dinamarquês, conquistando 53,2 por cento das preferências dos camaradas face ao único concorrente, Frank Jensen.

Em 2007, perdeu as legislativas para Anders Fogh Rasmussen, que dois anos depois viria a afastar-se para se dedicar à Aliança do Tratado do Atlântico Norte (NATO). Em 2011 viria a ser reeleita para o parlamento, mas embora o Partido Liberal tivesse sido o mais votado, foi uma coligação de partidos da oposição que viria a juntar a representação necessária para formar governo.

Após a demissão de Lars Lokke Rasmussen, “Gucci Helle” foi a escolhida para liderar o executivo e nomeada para o cargo pela Rainha. Assumiu funções e fez história a 3 de outubro de 2011.

Em janeiro de 2014, a coligação no governo começou a desfazer-se devido a conflitos na venda da DONG Energy à Goldman Sachs. Nas eleições de junho do ano passado, os sociais-democratas melhoraram os resultados, mas o bloco da direita venceu a esquerda e, tal como Lars Lokke Rasmussen 4 anos antes, Helle Thorning-Schmidt pediu a demissão e entregou curiosamente o gabinete ao rival de quem o havia recebido em 2011.

Casada há cerca de duas décadas com o galês Stephen Kinnock, curiosamente deputado britânico pelo Partido Trabalhista desde maio do ano passado. Têm duas filhas. Kinnock foi acusado em 2010 pelo fisco dinamarquês de fuga aos impostos, mas após uma investigação das autoridades acabou ilibado por não ser residente no país.

Helle protagonizou uma polémica, em dezembro de 2013, ao tirar uma “selfie” (autorretrato com o próprio telefone) ao lado do Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e do então homólogo britânico, David Cameron, durante as cerimónias fúnebres do antigo Presidente sul-africano Nelson Mandela.

A fotografia nunca foi tornada pública pela entõ chefe de Governo dinamarquesa, não terá sido do agrado de Michelle Obama — sentada ao lado do trio com cara de poucos amigos — e, em alguns jornais, chegou a ofuscar o histórico aperto de mão trocado nesse dia entre Barack Obama e Raúl Castro.

Em outubro, o primeiro-ministro Lars Lokke Rasmussen anunciou a decisão do governo dinamarquês em nomear Helle Thorning-Schmidt para a sucessão do português António Guterres como Alta Responsável das Nações Unidas para os Refugiados. Em novembro, Ban Ki-Moon nomeou para o cargo o italiano Filippo Grandi.

Há cerca de dois meses e meio foi anunciada a nomeação de Helle Thorning-Schmidt para a liderança da Save the Children International. A dinamarquesa vai assumir o novo cargo a 4 de abril.