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Lula da Silva e a eventual destituição de Dilma: "'Impeachment' sem base legal é golpe"

Quase um milhão de pessoas saiu para a rua em 75 cidades brasileiras em apoio da Presidente do Brasil. Entre elas, esteve o cantor Chico Buarque.

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Lula da Silva e a eventual destituição de Dilma: "'Impeachment' sem base legal é golpe"

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No mesmo dia em que quase um milhão de pessoas saíram para a rua para apoiar a Presidente Dilma Rousseff em 75 cidades brasileiras, segundo o jornal O Globo, o Supremo Tribunal Federal do Brasil decidiu assumir a investigação ao ex-presidente Lula da Silva, retirando-a da alçada de Sérgio Moro. O STF critica os procedimentos do juiz federal que havia divulgado escutas telefónicas comprometedoras para Lula e Dilma, as quais Moro nega que tivessem relevância contra a presidente.

O caso, ainda assim, mais inflamado de momento no Brasil é o processo em curso de eventual destituição de Dilma Rousseff da presidência. O amigo e antecessor no cargo, através do próprio canal de televisão, falou em tentativa de golpe.

“De um lado, estão aqueles que querem atropelar a democracia aprovando um ‘impeachment’ (destituição) sem base legal. ‘Impeachment’ sem base legal é golpe. De outro lado, estão os que acreditam na democracia e a defendem de corpo e alma”, afirmou Lula da Silva, num vídeo partilhado pelo Facebook.

Lula saúda os manifestantes e celebra a democracia

Lula manda uma saudação a todos os brasileiros que estão nas ruas do país hoje, defendendo a democracia. No sábado (2), o ex-presidente estará no ato contra o golpe em Fortaleza. #GolpeNuncaMais #BrasilContraOGolpe

Publicado por Lula em Quinta-feira, 31 de Março de 2016

Nas ruas, muitos brasileiros colocaram-se ao lado de Lula e Dilma. Houve até quem recordasse aos opositores do “ex” e da atual Presidente que é graças a ambos que existe o direito a manifestar opinião. “Fui preso político e fugi dentro dessa igreja, da polícia. Não admitimos mais e mesmo aqueles que defendem o ‘impeachment’ de Dilma só o podem fazer porque nós lutámos para que pudessem ter direito de expressão”, referiu um dos apoiantes de Dilma que se manifestou quinta-feira nas ruas brasileiras.

As manifestações, contra e a favor da continuidade de Dilma Rousseff à frente do governo, sucedem-se. Entre os apoiantes desta quinta-feira, a Presidente contou com algumas caras conhecidas como, no Rio de Janeiro, o cantor Chico Buarque.

“Vim aqui dar um abraço às pessoas das mais variadas tribos e convicções políticas: pessoas que votaram no PT (Partido dos Trabalhadores, de Dilma e Lula); pessoas que não gostam do PT; pessoas que foram do PT e que se desiludiram com o partido; pessoas que votaram em Dilma; mas sobretudo abraçar pessoas que não podem colocar em dúvida a integridade da Presidente Dilma”, afirmou Buarque após subir a um palanque para falar às massas, assumindo estarem ali todos juntos para a “defesa intransigente da democracia.”

Uma das decisões que mais veio inflamar o país nas últimas semanas foi a nomeação de Lula da Silva para ministro da Casa Civil. O gesto de Dilma foi denunciado pela oposição como uma estratégia para proteger o ex-presidente da investigação anticorrupção em curso no âmbito da chamada operação Lava Jato. A nomeação de Lula foi, entretanto, suspensa por ordem judicial, mas o ex-presidente continua em Brasília e diz-se que está a trabalhar para recuperar o apoio político necessário para parar o processo de destituição de Dilma.

O Partido Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), o maior partido do Congresso Brasileiro com 68 deputados e 18 senadores, anunciou terça-feira o afastamento oficial do governo e deixou Dilma Rousseff sem o apoio necessário garantido para conseguir os 172 votos que lhe permitem suspender o chamado processo de “impeachment”. O PT conta apenas 58 deputados e 11 senadores no Congresso.

Lula da Silva assumiu, entretanto, estar a tentar negociar com outras forças políticas, como o Partido Socialista Brasileiro (PSB) ou o Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), erm busca dos votos necessários para ajudar Dilma a manter-se na liderança do Brasil.

(Porque enfrenta a Presidente Dilma Rousseff a destituição? A AP explica.)