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Panamá: o lado lusófono da fuga de informações

Desde domingo que as ondas de choque se fazem sentir por todo o mundo depois do diário alemão Süddeutsche Zeitung e o Consórcio Internacional de

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Panamá: o lado lusófono da fuga de informações

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Desde domingo que as ondas de choque se fazem sentir por todo o mundo depois do diário alemão Süddeutsche Zeitung e o Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (CIJI), em conjunto com mais de uma centena de órgãos de comunicação mundiais, terem iniciado a divulgação de 11,5 milhões de documentos que deixam a descoberta as estratégias utilizadas para ocultar fortunas em paraísos fiscais.

A lista de nomes para já divulgados inclui figuras de primeiro plano como o Presidente russo, Vladimir Putin, implicado indiretamente através de vários amigos próximos como é o caso de Sergei Roldugin, Arkady Rotenberg e Boris Rotenberg, o presidente ucraniano Petro Poroshenko, o presidente argentino Mauricio Macri e o primeiro-ministro da Islândia, Sigmundur Davíð Gunnlaugsson.

O elo comum que liga todos estes nomes é a empresa Mossack Fonseca, uma companhia especializada na criação de empresas em paraísos fiscais e oferta de serviços na área da gestão de fortunas.

No que toca aos países de língua portuguesa, por enquanto existem poucas informações. O primeiro cidadão português implicado é o empresário Idalécio de Castro Rodrigues de Oliveira, com ligações à petrolífera brasileira, Petrobras.

Entre 2003 e 2011, Rodrigues de Oliveira foi proprietário de 14 empresas com sede nas Ilhas Virgens Britânicas cujos interesses giravam em torno da exploração de recursos naturais. O seu nome aparece pela primeira vez enquanto suspeito de suborno no decurso das investigações em torno do presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha, um dos principais suspeitos implicados na investigação Lava-jato sobre a corrupção no seio da petrolífera estatal brasileira, Petrobras.

Ainda em português, da lista revelada até ao momento, consta o nome do político angolano José Maria Botelho de Vasconcelos, que ocupou a chefia do ministério dos petróleos por duas vezes assim como outros cargos no executivo angolano.

A fuga de informação que está agora a ser investigada inclui mais de 11,5 milhões de documentos, uns incríveis 2,6 terabytes de informação.

As revelações colocam em causa toda a estrutura dos paraísos fiscais que estariam a ser utilizados para branqueamento de capitais, ocultação de fortunas ou simplesmente para a fuga ao fisco.

As revelações reforçam igualmente os argumentos de todos aqueles que defendem mais transparência e regulação destas entidades jurídicas.

Por enquanto aguardam-se os efeitos das revelações sobre todos aqueles implicados. O Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (CIJI) já prometeu que iria divulgar a lista completa de empresas e pessoas envolvidas no início de maio.

O Expresso parceiro é parceiro na investigação do Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação.