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Povoações costeiras turcas não querem receber refugiados

Os habitantes das povoações turcas onde estão a chegar os primeiros migrantes deportados da Grécia não estão contentes. No porto de Dikili são

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Povoações costeiras turcas não querem receber refugiados

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Os habitantes das povoações turcas onde estão a chegar os primeiros migrantes deportados da Grécia não estão contentes. No porto de Dikili são esperadas esta segunda-feira várias centenas. Desembarcaram já 131 pessoas originárias do Paquistão e do Bangladesh, estão a caminho mais 66 originários do Afeganistão.

Começa a ser implementado o acordo entre Bruxelas e Ancara, mas os habitantes de Dikili estão revoltados – consideram a chegada dos migrantes uma ameaça para a imagem turística da cidade.

“Eu não quero aqui os refugiados. É uma cidade costeira muito bonita. Onde é que eles vão ficar? E o que vai acontecer a seguir? Estamos todos muito preocupados. Ontem era dia de festa, mas as pessoas só falavam disto”, lamenta uma habitante.

Confrontados com a perspetiva da chegada de centenas de migrantes alguns sugerem que sejam enviados para a fronteira com a Síria:

“É uma cidade pequena, uma área turística. Não é lógico. Claro que precisam de ficar nalgum síto, mas não aqui. Talvez mais próximo da fronteira, para poderem voltar para o país deles.”

A Amnistia Internacional (AI) denunciou na sexta-feira os efeitos perversos do acordo sobre os migrantes entre Bruxelas e Ancara, acusando as autoridades turcas de forçarem diariamente refugiados sírios a regressarem à Síria, apesar de o país continuar assolado pela guerra. O acordo é criticado por outras ONG e pelo Alto comissariado para os refugiados da ONU.

Cerca de um milhão de pessoas atravessou o mar Egeu em 2015 em direção à Grécia, mas fluxo migratório diminuiu de forma significativa com a entrada em vigor do acordo entre a União Europeia e a Turquia, segundo as autoridades gregas.

Com o encerramento da chamada “rota dos Balcãs” no final de fevereiro, permanecem bloqueados na Grécia cerca de 50 mil migrantes não abrangidos pelo acordo.