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O mundo dos carros elétricos: Protótipos revolucionários

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O mundo dos carros elétricos: Protótipos revolucionários

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Os carros elétricos prometem revolucionar as estradas da Europa e do mundo. Saiba o que está a ser feito pela comunidade científica.

Os veículos elétricos são uma realidade. Os cientistas estão agora a explorar novos horizontes para os tornar mais seguros, mais autónomos e mais baratos.

Point of view

Os campos de baixas frequências nas zonas de carregamento podem colocar problemas aos pacientes com pacemaker e esses são problemas que queremos excluir desde o início.

Não gasta gasolina… e ainda cozinha para si

Para começar, um veículo elétrico que, segundo os criadores, foi desenhado para agradar a todos os gostos. Não só porque os painéis solares alimentam as baterias, mas também porque este carro é capaz de alimentar os passageiros, com micro-ondas e placas de cozinha em vez de bagagem, na parte de trás do carro.

Os cientistas estão a fazer uma experiência original com este protótipo, desenvolvido num laboratório em Itália: “É um carro-restaurante elétrico. Queremos mostrar como, apenas usando energia fotovoltaica, podemos não só conduzi-lo, como alimentar a cozinha e poder cozinhar de forma ecológica”, explica Pietro Perlo, presidente da IFEVS, empresa que desenvolveu o protótipo.

O carro foi desenhado por cientistas de um projeto europeu de pesquisa, destinado a explorar novas formas inovadoras de produzir veículos urbanos modulares, ligeiros e elétricos. Este pequeno restaurante ambulante faz parte de um jogo que também inclui pickups, carrinhas ou mesmo táxis.

Estes carros modulares foram desenhados com elementos simples, para simplificar a montagem e reduzir os custos. Mas têm de ser tão seguros como qualquer outro veículo no mercado. Por isso, os cientistas viraram-se para novas soluções: “Estamos a falar de carros muito pequenos, que por isso têm muito menos espaço para absorver energia. Decidimos usar um aço especial, elástico, muito inovador. A vantagem é que este aço absorve grandes quantidades de energia”, diz Javier Romo García, engenheiro mecânico que trabalha no projeto.

Detalhes como a visibilidade, a capacidade de manobras ou as questões informáticas são estudados a fundo nestes laboratórios. Entre um e outro teste de validação, os pesquisadores dizem que estão agora prontos para o próximo grande passo. Pietro Perlo promete uma forma de fabrico revolucionária: “A nossa ideia é ter um fabrico feito por medida. Diga-nos onde quer produzir os carros, nós vamos com os nossos camiões com contentores e com robôs prontos a fabricar o carro. Em poucos dias fica pronto a poder fabricar carros elétricos fiáveis e eficientes. Veículos que são, na maior parte dos casos, alimentados exclusivamente com energias renováveis”.

Os pesquisadores esperam que estes veículos modulares possam estar prontos a ser fabricados em menos de dois anos.

Segurança, prioridade máxima

Como garantir a segurança e a fiabilidade técnica destes carros, existentes ou futuros, e dos pontos de recarga? Tudo isso são questões às quais os cientistas tentam responder neste laboratório sofisticado no norte de Itália. O laboratório inclui uma instalação para testes de veículos elétricos e híbridos, em que as temperaturas variam dos -30 aos 50 graus centígrados, com humidade controlada.

Os pesquisadores podem assim ter informações sobre o desempenho do carro e eficiência em diferentes ciclos de condução e condições climáticas, incluindo o impacto do aquecimento, da ventilação e do ar condicionado. Mas não só: “Medimos a informação sobre os dados elétricos e sobre o rácio entre emissões e consumo. Obtemos também informações sobre o consumo de eletricidade do carro e o comportamento da bateria”, explica Germana Trentadue, engenheira de telecomunicações do “Centro de Pesquisas Conjuntas”:
https://ec.europa.eu/jrc/en/research-topic/interoperability-and-e-mobility (JRC), em Itália.

Os laboratórios incluem uma câmara desenhada para analisar as emissões eletromagnéticas geradas pelos carros elétricos durante a aceleração, a condução e as travagens.

Os pesquisadores usam antenas e recetores para medir as potenciais interferências com as frequências de comunicação. Podem também testar a imunidade dos veículos elétricos contra os campos magnéticos e a eletricidade externa: “A eletromobilidade é um campo da pesquisa ainda muito jovem. Envolve equipamentos técnicos para dar resposta a certos medos e métodos para afastar problemas. Por exemplo, os campos de baixas frequências nas zonas de carregamento podem colocar problemas aos pacientes com pacemaker e esses são problemas que queremos excluir desde o início”, explica Harald Scholz, coordenador de pesquisas no JRC.

Como fazer 500 km sem recarregar

Ecológicos e mais sofisticados, os veículos elétricos fazem muita gente sonhar. A falta de autonomia é um desafio e a maior parte dos veículos no mercado tem uma autonomia limitada. É um desafio a que alguns cientistas europeus tentam responder com este atrelado, o EP Tender.

Os pesquisadores desenvolveram um gerador portátil, instalado num pequeno atrelado com duas rodas. Pode ser programado com uma aplicação móvel. O gerador funciona a gasolina. Graças a ele, os carros elétricos vão poder andar mais tempo sem precisar de recarregar: “Se conduzimos a 100 quilómetros/hora na autoestrada, um carro elétrico médio dá 100 quilómetros de autonomia. Com o nosso protótipo, é possível conduzir 500 quilómetros. Então enchemos o depósito e podemos continuar a conduzir”, explica Jean-Baptiste Segard, presidente da empresa que desenvolveu este aparelho.

Esta pequena empresa francesa já produziu as primeiras unidades. Os pesquisadores dizem que o produto está pronto a ser produzido em série, depois de muitos desafios estarem ultrapassados.

Os criadores do atrelado estão já a trabalhar num modelo de negócios, baseado num sistema de aluguer: “Não planeamos produzir um atrelado para cada veículo elétrico existente. Não queremos juntar um motor a cada veículo elétrico. Talvez venha a haver um atrelado para cada 10 ou 20 carros elétricos. Aí o cliente aluga quando precisa de mais autonomia”, explica Jean-Baptiste Segard.

Este produto pode estar nas estradas europeias daqui a menos de três anos.