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Roch Kaboré: É necessário assegurar a nossa segurança sem contar com as forças francesas.

Roch Kaboré é o Presidente do Burkina Faso e acaba de cumprir 100 dias no cargo de Chefe de Estado do país da África Ocidental. A Euronews falou com o Presidente Kaboré na primeira visita à capital fr

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Roch Kaboré: É necessário assegurar a nossa segurança sem contar com as forças francesas.

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EURONEWS
Bom dia, Senhor Presidente.
Bem-vindo à Euronews.

Roch Kaboré
Bom dia.

EURONEWS
Duas semanas depois da investidura no final de dezembro, o Burkina Faso sofreu um episódio terrorista. A 15 de janeiro, os jihadistas da Al-Qaeda no Magrebe islâmico atentaram contra a capital Ouagadougou e mataram 30 pessoas. Foi difícil a recuperação do ataque?

Biografia: Roch Kaboré

  • Roch Marc Christian Kaboré foi investido Presidente do Burkina Faso a 20 de dezembro de 2015
  • Em janeiro de 2014, afasta-se de Compaoré e cria o MPP, o Movimento do Povo para o Progresso
  • Sob a presidência de Blaise Compaoré, ocupou diversos postos no Governo, como Ministro das Finanças
  • Em 1984, com apenas 27 anos, acede ao posto de Diretor geral do Banco Internacional do Burkina Faso

Roch Kaboré
Graças à solidariedade dos nossos vizinhos, o Burkina Faso recuperou depressa. Decidimos não deixar-nos abater perante o que aconteceu, porque pensamos que é importante viver com esta realidade. É preciso tomar medidas para colocar obstáculos ao teorismo no nosso país.

EURONEWS
Que mudanças houve no quadro social do Burkina Faso?

Roch Kaboré
Algo mudou obrigatoriamente.
No comportamento dos cidadãos. Mais vigilância. Mais cuidado em todas as situações. Mais esforço em relação às medidas de segurança. Mas não queremos passar o sentimento de preocupação para os cidadãos.

EURONEWS
Quais são os meios de que dispõe hoje o país contra a porosidade das fronteiras e contra a entrada de jihadistas do Mali, por exemplo?

Roch Kaboré
Podemos contar com a colaboração entre a defesa do Mali e do Burkina Faso. Decidimos criar patrulhas mistas. Falamos de uma fronteira de mil quilómetros.
Penso que, com a ajuda francesa, teremos os meios para assegurar a segurança das fronteiras dos diferentes países da África Ocidental.

EURONEWS
A França anunciou o envio de forças para o Burkina Faso sem ter prevenido as autoridades.
O senhor expressou insatisfação perante as autoridades francesas. Que visão tem do papel da presença de forças francesas em território do Burkina Faso e na África Ocidental?

Roch Kaboré
Queria, em primeiro lugar, resolver esse equívoco. Já clarificámos a questão com o Senhor Cazeneuve e expressámos a nossa insatisfação. Claro que entendemos que as forças francesas, com mais experiência de combate na luta contra o terrorismo, podem ajudar as nossas tropas em termos de estrutura e organização. Mas é também necessário que possamos posteriormente assegurar a nossa segurança sem contar com as forças francesas para que o façam por nós.

EURONEWS
Ainda no plano internacional. Segue a crise que afeta a Europa e a onda de migrações que parece estar a fragilizar as bases da construção europeia? Vê de forma crítica as políticas de Bruxelas?

Roch Kaboré
Seguimos a crise na União Europeia que é, antes de mais, uma crise financeira.
As migrações são um fenómeno que mais não faz do que complicar a situação. Penso que é importante que sejam feitas reformas. As instituições europeias funcionam de forma muito distante dos cidadãos. E as pessoas sentem que os burocratas participam nos processos de tomada de decisão sem que isso tenha um impacto real nas vidas delas. E penso que isso significa que é necessário aproximar as instituições regionais ou sub-regionais, como é o caso em África também, das populações, para que possamos criar soluções onde sejam necessárias.

EURONEWS
Tem vontade de desenvolver a cooperação com a Europa, com Bruxelas?

Roch Kaboré
Penso que é realmente necessário manter a cooperação que temos, e é isso que tenho pedido à França.
Mas pedimos também o apoio de França de forma mais alargada.
E pedimos um lobby para poder beneficiar de forma mais alargada também da parte da Europa. Devo precisar que falamos de um destino onde irei em breve para defender a causa do Burkina Faso a nível europeu.

EURONEWS
Falemos agora de um plano importante da campanha que o senhor levou a cabo em dezembro e da situação económica do Burkina Faso. O senhor disse que, depois das eleições, a prioridade enquanto presidente seria a reorganização das forças armadas.Porquê essa escolha, tendo em conta a situação económica do Burkina Faso?

Roch Kaboré
É importante que possamos reestruturar as forças armadas, para que se mantenham forças republicanas, em primeiro lugar, forças apolíticas, em segundo lugar. E claro, para que cumpram a função principal, que é proteger e defender o povo e o território do Burkina Faso.

EURONEWS
Comprometeu-se a trazer de novo ao Burkina Faso um crescimento superior a 5%, como nos anos dois mil. Como superar o desafio, sabendo que os preços do ouro e do algodão baixaram e que falamos das principais exportações do Burkina Faso e que essa situação poderia contrariar esse objetivo?

Roch Kraoré
Segundo as nossas previsões, em todo o caso, pensamos que, em 2016, teremos uma taxa de crescimento superior a cinco virgula sete por cento, graças a políticas que vamos pôr em prática. Estamos a reduzir os gastos do Estado. Penso que devemos insistir na formação, mas também na importância da agricultura e do gado, pois pensamos que são setores onde podem ser criadas pequenas e médias empresas, que agregaram valor à produção do Burkina Faso.

EURONEWS
Falemos agora das relações entre o Burkina Faso e os países vizinhos, como a Costa do Marfim.
Relações envenenadas pelos casos Blaise Campaoré e Guillaume Soro.
O senhor disse, recentemente, que não fecharia as portas à diplomacia. Como encara o futuro com o vizinho marfinense?

Roch Kraoré
Temos a sensação de que as relações foram envenenadas e devo assegurá-lo de que, tanto da parte dos povos marfinense e burquinabê, como da parte dos Chefes de Estado e de Governo dos dois países, as relações são realmente excelentes.Quero apenas dizer-lhe que decidimos que talvez fosse necessário distanciarmo-nos dos procedimentos judiciários atualmente em curso.

EURONEWS
Concluo, senhor Presidente, com uma questão que o levará até ao passado. Recorda os tempos de estudante em Economia e Gestão em França

Roch Kraoré
Foi uma época de grandes amizades com africanos e com franceses, com os colegas de estudo. São as melhores recordações que tenho na vida. A época de estudante foi ótima.