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Síria prepara eleições com bombardeamentos em curso no país

A Síria prepara-se para as segundas eleições parlamentares desde que estalou, em 2011, a guerra civil entre o regime e grupos da oposição. Esta

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Síria prepara eleições com bombardeamentos em curso no país

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A Síria prepara-se para as segundas eleições parlamentares desde que estalou, em 2011, a guerra civil entre o regime e grupos da oposição. Esta terça-feira, a campanha é silenciada e o país está em reflexão, ordenou o responsável pela comissão eleitoral síria.

Com aviões de guerra a bombardear diversos locais do país e as Nações Unidas a insistir no retomar das negociações de paz com vista a uma transição política pacífica, o regime de Damasco revela-se determinado em levar por diante a decisão do presidente Bashar al-Assad em realizar esta quarta-feira, 13 de abril, as legislativas que há 4 anos lhe permitiram conquistar para o seu partido, o Ba’ath, 134 dos 250 134 assentos parlamentares disponíveis.

Com o país ainda em guerra, dividido e, em parte, devastado, as eleições revelam-se impraticáveis em boa parte do território. A oposição interna tolerada pelo regime, em particular o Comité de Coordenação para a Mudança Nacional e Democrática (CCCND), já apelou ao boicote, acusando o regime de estar a manipular o sufrágio em proveito próprio.

(Síria: Prosseguem ataques indiscriminados apesar da “cessação de hostilidades”.)

Foi neste contexto que o enviado especial da ONU para a Síria esteve segunda-feira em Damasco para uma reunião com o Walid al-Moallem, o primeiro-ministro-adjunto do executivo de Bashar al-Assad e responsável para as pastas dos Negócios Estrangeiros e Expatriados. Staffan de Mistura apelou ao representante do regime por um diálogo construtivo em Genebra, na Suíça, no previsto retomar das negociações de paz para a Síria.

Devido às eleições desta quarta-feira, a delegação do regime apenas estará disponível para se juntar às conversações na sexta-feira. Walid al-Moallem reiterou, por sua parte, a posição síria na busca de uma solução política para a crise no país e o compromisso para um diálogo inclusivo liderado por Damasco e sem quaisquer condições preestabelecidas.

(Enviado especial da ONU diz que a próxima fase das negociações da Síria é “crucial”.)

Citado pela agência de notícias síria, SANA, o porta-voz do executivo de Bashar al-Assad sublinhou que “o povo sírio está confiante no seu direito a decidir o próprio futuro e na inevitável vitória sobre o ISIS (uma das siglas pelas quais é conhecido o grupo terrorista autoproclamado Estado Islâmico), a Frente al-Nusra e outras organizações terroristas que continuam a quebrar o acordo de cessação de hostilidades sob diretrizes dos seus parceiros na Turquia e na Arábia Saudita.”

Nas ruas de Damasco, a ingerência externa nos destinos do país também não parece ser bem vista. “Quem deve decidir, eles ou nós? Como pode alguém instalado num hotel de cinco estrelas vir aqui a assumir o poder? Se não o conseguiram pela força, será que pensam chegar aqui, agora, e que nos levam a passear?”, questionou um habitante da capital, onde a campanha eleitoral se fez sentir até segunda-feira pelos cartazes expostos na via pública e agora já, alegadamente, retirados.

As eleições não vão, contudo, abranger todo o país. Os territórios sob controlo da oposição a Assad ou dos jihadistas do Daesh (grupo terrorista autoproclamado Estado Islâmico) ficam de fora. De acordo com a lei, o responsável pela comissão judicial para as eleições sírias criada em abril de 2014, impôs esta terça-feira como dia de reflexão e ordenou a remoção de cartazes.

Mais de 7000 assembleias de voto estão a ser preparadas para o sufrágio. “Para as províncias que enfrentam problemas de segurança, como nos subúrbios de Aleppo e Deir al-Zor, vamos abrir várias assembleias de voto para não privarmos nenhum cidadão do seu direito nestas eleições”, revelou Hisham al-Sha’ar.

Situada no leste do país, Deir al-Zor é, aliás, uma das zonas mais sensíveis na Síria. Cercada há dois anos, a capital da província conta com cerca de 200 mil pessoas em carência. O Programa Alimentar Mundial (PAM) da ONU divulgou imagens do envio via áerea, na segunda-feira, de uma primeira remessa de assistência, desde março de 2014, a algumas zonas de Deir al-Zor sob controlo dos jihadistas do “Daesh”.

O fornecimento compreendeu cerca de 20 toneladas de mantimentos para ajudar cerca de 2500 pessoas durante um mês. Os bens de primeira necessidade foram largados de grande altitude dentro de 26 grandes pacotes presos a paraquedas. Pelo menos 22 destes pacotes terão sido recolhdiso por elementos do Crescente Vermelho sírio, um parceiro do PAM. Os outros 4 pacotes estão desaparecidos, mas os responsáveis estão a tentar descobrir o que lhes aconteceu.