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Morte de Giulio Regeni: Itália exige a verdade, Egito sacode responsabilidades

O presidente do Egito acusou esta quarta-feira, no Cairo, os meios de comunicação de terem tornado num problema polémico o caso em torno da morte do

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Morte de Giulio Regeni: Itália exige a verdade, Egito sacode responsabilidades

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O presidente do Egito acusou esta quarta-feira, no Cairo, os meios de comunicação de terem tornado num problema polémico o caso em torno da morte do estudante italiano Giulio Regeni. Abdel Fatah al-Sisi nega o envolvimento dos serviços de segurança egípcios, sugerido por alguns meios de comunicação.

O líder egípcio assume preocupação em manter inquebráveis as relações diplomáticas entre ambos os países. “Este caso é de grande importância para nós, egípcios, porque temos uma relação especial com os italianos. Os líderes italianos foram os primeiros a colocar-se ao nosso lado após a revolução de 30 de junho”, afirmou Al-Sisi.

O presidente do Egito considerou ter sido “gente malvada” a cometer o assassínio, acrescentando serem estes assassinos pessoas que querem deliberadamente prejudicar o país a nível internacional.

De visita à Colômbia, o presidente da Comissão dos Negócios Estrangeiros do Senado italiano gostou de ouvir o presidente egípcio. Pier Casini espera, no entanto, que às palavras Al-Sisi junte mais ação e faça mais pela investigação à morte de Giulio Regeni.

Em Roma, esteve, entretanto, Naguib Sawiris. O empresário egípcio ligado à comunicação social e líder do partido Egípcios Livres foi convidado por vários meios de comunicação italianos a pronunciar-se sobre o caso. O magnata revelou insatisfação face à atuação das autoridades egípcias e colocou-se do lado da Itália.

“A verdade tem de ser revelada. Não aceitamos o facto de que a verdade ainda não tenha vindo à tona e por isso entendemos que a exigência italiana pela verdade é 100 por cento justa”, defendeu Sawiris.

Regeni assassinado com sinais de tortura

Giulio Regeni, de 28 anos, desapareceu a 25 de janeiro. O cadáver apareceria nove dias depois, com sinais de tortura. Alguns meios de comunicação social sugeriram o envolvimento dos serviços de segurança egípcios na morte do jovem, que se tinha deslocado ao Cairo para realizar um estudo sobre sindicatos independentes no Egito.

Na semana passada, a Itália chamou a Roma o respetivo embaixador no Cairo para aprofundar o andamento da investigação à morte de Regeni. O ministro dos Negócios Estrangeiros, Paolo Gentile, queria saber também os motivos pelos quais as autoridades egípcias não teriam fornecido informações consideradas importantes sobre a investigação.

Mauricio Massari voltou à capital egípcia incumbido de colocar mais pressão sobre as autoridades locais responsáveis pelo caso, reforçado pelo apelo do Reino Unido ao Egito pela realização de uma “investigação completa e transparente” ao assassínio.

Massari, entretanto, estará de regresso a Roma e outras medidas mais duras de pressão sobre o Egito estarão em cima da mesa de Paolo Gentile, mas por enquanto apenas para reflexão. A máquina judicial italiana, por fim, continua a trabalhar no caso e um novo pedido da Procuradoria de Roma deverá seguir ainda esta semana para o Cairo, solicitando registos considerados essenciais no apuramento da verdade sobre este crime.

Na próxima sexta-feira e sábado, Giulio Regeni será alvo de uma homenagem especial durante os Encontros pela Paz, em Assis. Cerca de 5 mil pessoas, entre estudantes e professores, oriundos de 19 regiões e 90 cidades italianas, irão homenagear a memória do jovem italiano assassinado no Cairo. Também o cameponato italiano de futebol prepara uma homenmagem especial a Regeni para o próximo fim de semana.