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Lionel Bringuier celebra Dvořák e Brahms em Viena

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Lionel Bringuier celebra Dvořák e Brahms em Viena

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Ainda não tem trinta anos e já dirige uma das mais prestigiadas orquestras da Europa.

Ainda não tem trinta anos e já dirige uma das mais prestigiadas orquestras da Europa. Lionel Bringuier brilhou em Viena ao som de Dvořák e Brahms.

Terá sido num ambiente bucólico, na região da Boémia, que Dvořák transpôs para música a chegada da luz da manhã. O compositor checo criou a Oitava Sinfonia no outono de 1889.

Esta partitura encantatória foi agora interpretada pela Orquestra Tonhalle de Zurique na Konzerthaus de Viena. A direção coube ao jovem maestro francês Lionel Bringuier. Dois solistas acompanharam-no: Lisa Batiashvili e Gautier Capuçon, desafiados a tocar o Concerto Duplo de Brahms.

“É uma obra repleta de humor e de leveza. E temos dois solistas talentosos, capazes de transmitir esse espírito. É como se fosse um diálogo, no qual os instrumentos comunicam. Basta olhar para a cumplicidade que existe para compreender o humor”, declara Bringuier. “Tenho muita consideração pelo Gautier. Coincidimos no Conservatório na mesma altura. Eu tinha 13 anos, ele 17. Passados alguns anos, reencontrámo-nos no palco, eu como maestro, ele como solista. Gostamos muito de tocar juntos”, salienta.

Gautier Capuçon explica que “esta peça foi escrita para Joseph Joachim, um violinista que era muito próximo de Brahms. Houve uma altura em que se zangaram. Este concerto foi uma espécie de reconciliação entre os dois. É um verdadeiro diálogo, há um grande simbolismo em torno da fraternidade, da amizade e do reencontro.” Para o violoncelista, “quando se toca Brahms em Viena, sente-se uma sensibilidade especial. É fantástico perceber como a música toca no coração destas pessoas.”

“A música tem de ser partilhada. A música é mais importante que os músicos, eu estou aqui para a servir…”, diz Lisa Batiashvili. “Mas também me sinto inspirada pelos meus colegas. É incrível sentir a energia que passa no palco, é algo que nos dá força e isso muda a comunicação com o público”, remata a violinista.

Lionel Bringuier realça também a cumplicidade que sente com a sua orquestra: “Basta um piscar de olho ou um sorriso… nem preciso de fazer grandes gestos, sobretudo quando se trata de uma sinfonia de Dvořák. Não é o maestro que faz as coisas, é ele que motiva os músicos a fazer ecoar a música e conseguir emocionar o público.”