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Síria: O arrastar dramático de um conflito trágico

As Nações Unidas lançaram um apelo aos Estados Unidos e à Rússia. A ONU espera que estas duas potências possam voltar a unir esforços e tentem salvar

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Síria: O arrastar dramático de um conflito trágico

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As Nações Unidas lançaram um apelo aos Estados Unidos e à Rússia. A ONU espera que estas duas potências possam voltar a unir esforços e tentem salvar o “fim das hostilidades” na Síria e as negociações entre o regime de Bashar al-Assad e os grupos da oposição.

Staffan de Mistura, o enviado especial da ONU para a Síria, não desiste do processo de paz. “Esta ronda de conversações foram ofuscadas por uma deterioração substancial e de facto preocupante do fim das hostilidades antes acordadas”, afirmava De Mistura a 28 de março.

Na última quarta-feira (27 de abril), realizou-se a derradeira reunião da terceira ronda de negociações. O objetivo de assegurar uma transição política pacífica na Síria falhou. Não há acordo.

Na semana anterior, a delegação da comissão de negociações da oposição ao regime decidiu suspender as negociações, acusando o governo de Assad de ter violado as tréguas acordadas em fevereiro.

Foi a 11 de fevereiro que Estados Unidos (opositores à permanência de Assad na presidência) e Rússia (aliada do regime de Assad) iniciaram em Munique uma ronda de conversações sobre a Síria. O foco foi colocado no que consideravam mais urgente: estabelecer os termos de um cessar-fogo entre os beligerantes.

Barack Obama anunciou o acordo a 27 de fevereiro. “O fim das hostilidades na guerra civil está previsto ser implementado este fim de semana, mas não nos deixamos iludir. Temos muitas razões para ceticismo. Mesmo nas melhores circunstâncias, a violência não vai terminar de imediato”, avisava o Presidente dos Estados Unidos diante das câmaras.

A 29 de fevereiro, logo após a implementação do fim das hostilidades, algumas cidades sírias sitiadas pelo conflito puderam começar a receber assistência humanitária. A Agência da ONU para os Refugiados (ACNUR) conseguiu fazer chegar ajuda às populações esfomeadas devido ao bloqueio imposto pelos combatentes. Este não era apenas um cessar-fogo, era um respirar de alívio para os civis.

A 15 de março, o Kremlin, através do Presidente Vladimir Putin, anunciou o regresso à Rússia da maior parte dos bombardeiros mobilizados na Síria. A retirada, pôs fim a uma campanha militar russa que durava há cinco meses e que desequilibrou o conflito sírio a favor do regime de Bashar al-Assad.

De facto, a 13 de abril, o presidente sírio e a mulher surgiram na televisão sorridentes, a exercer o direito de voto nas controversas eleições legislativas marcadas poucos meses. É, no entanto, Assad, e sobretudo o seu futuro político no país, que continua a travar um acordo de transição política na Síria e o fim de uma guerra que dura há cinco anos, e na qual já morreram mais de 250.000 pessoas.