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Canadá: Quase 90 mil deslocados recebem assistência pelos incêndios de Fort McMurray

Mais de 88 mil pessoas abandonaram as suas casas por causa dos violentos fogos em Alberta, Canadá. A maioria é acolhida em centros especialmente criados para o efeito.

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Canadá: Quase 90 mil deslocados recebem assistência pelos incêndios de Fort McMurray

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Os números da catástrofe em Alberta

* Quase 90 mil deslocados

* Mais de 6 mil milhões de euros em prejuízos

* Cerca de 1200 bombeiros no local

* Cerca de 100 mil hectares arderam até ao momento

Os fortes incêndios que têm vindo a castigar a região petrolífera canadiana de Fort McMurray, província de Alberta, já obrigaram mais de 88 mil pessoas a de abandonar as suas casas, por questões de segurança.

A imprensa canadiana fala em infraestruturas completamente destruidas, o que provocou interrupções no fornecimento de energia às populações, em muitos casos de forma permanente, mesmo em zonas que não foram diretamente afetadas pelos fogos, pelo menos até este sábado. Calcula-se que os prejuizos ultrapassem, até agora, os 6 mil milhões de euros.

Foi preparado, pelas autoridades provinciais de Alberta (centro-oeste do Canadá), um dispositivo de acolhimento para os milhares de deslocados situado em zonas seguras, um pouco por toda a região. As autoridades provinciais têm, de resto, agradecido, em diversas ocasiões, a paciência das populações, o que poderia indicar que a crise não tem fim à vista. Não foi feito, até ao momento, nenhum anúncio sobre um possível retorno dos residentes deslocados às suas casas.

Espera-se que muitos dos deslocados tenham ainda de permanecer em centros de acolhimento durante tempo indeterminado. A verdade é que muitos pensavam que seria uma situação temporária, que se resolveria numa questão de 24 ou 48 horas.Foi o caso de Cheryl Cole, residente em Fort McMurray, agora num centro de acolhimento em Lac La Biche, que pensava voltar para casa rapidamente:

“Ainda pensei que seria só por um dia e que depressa voltaria a casa.
Mas, à medida que nos damos conta da situação, vemos que vai levar algum tempo”, disse Cole à agência Reuters.

Cheryl Cole, de Fort McMurray

Ainda pensei que seria só por um dia e que depressa voltaria a casa.
Mas, à medida que nos damos conta da situação, vemos que vai levar algum tempo.

Mas a verdade é que Alberta parece ter conseguido organizar-se para ajudar quem chega aos centros de acolhimento. Bem equipados, os centros têm sido capazes, nos primeiros dias, de satisfazer as necessidades básicas dos deslocados.

“Temos as condições para ajudar as pessoas com as necessidades básicas e quem chega está satisfeito”, disse à Reuters um representante das autoridades locais.

“Dizem-nos que é boa ideia que haja casotas para animais, a possibilidade de fazer um seguro ou de pedir ajuda ao centro de emprego. Temos também carregadores para telefones e computadores que as pessoas podem usar,” concluiu.

Espera-se ainda que muitos dos deslocados possam agora vir a ser acolhidos a médio prazo em cidades como Edmonton ou Calgary, no sul de Alberta, especialmente aqueles cujas casas tenham sido completamente destruidas pelas chamas e que não tenham consigo bens pessoais. Há ainda a possibilidade de que alguns venham a receber para receber assistência médica nos hospitais das duas mais importantes cidades de Alberta.

A Cruz Vermelha canadiana também acionou um dispositivo de assistência aos deslocados de Alberta. Em entrevista ao semanário canadiano McLeans, Jean-Philippe Tizi, da área gestão de crise da Cruz Vermelha, disse que o mais importante seria assegurar que as pessoas têm acesso a água, e comida, mas também a produtos de higiene e cobertores para dormir. Referiu ainda que estão disponíveis, como é habitual nestes casos, serviços de apoio médico e psicológico, “porque as pessoas se encontram, em muitos casos, em estados de elevada ansiedade.” Tizzi relembrou que, tal como aconteceu em outras ocasiões, em incêndios ocorridos na província de Alberta ou na vizinha província de Saskatchewan, é necessário algum tempo até que a vida destas populações possa voltar à normalidade.

Entretanto, as autoridades de Alberta pedem mais tempo aos deslocados. Danielle Larivee, a Ministra dos Assuntos Municipais do Governo Provincial de Alberta, disse, este sábado, que o fogo se encontrava ainda fora de controlo e avisou os moradores da região que não deveriam tentar voltar para as suas casas.

“Sei como é difícil ser paciente e como é complicado não saber como estão as nossas coisas. Querer saber o que foi feito da nossa casa”, disse Larivee em conferência de imprensa.

Este sábado, a polícia ajudou novos grupos de residentes deslocados da região petrolífera, a deixar a zona afetada, atravessando zonas do Município de Fort McMurray completamente devastadas pelas chamas.

Há bairros inteiros na localidade reduzidos a cinzas, ainda que a maioria das pessoas tenha abandonado as suas casas sem saber, até ao momento, em que estado se encontram os locais onde vivem. Fugiram com pouco mais do que a roupa que tinham no corpo e houve até quem tivesse deixado animais de estimação para trás.

Um incêndio “imprevisível e perigoso”

O Governo federal canadiano, por seu lado, deixou saber, de forma clara, que a crise não será de resolução rápida. O ministro da Segurança Pública, Ralph Goodale, disse que os incêndios de Fort McMurray continuam num estado imprevisível e fora de controlo. Informou também que, desde domingo passado, já foram devastados 1560 metros quadrados, mais de 50% dos quais em menos de 24 horas.

O ministro, confirmou, no entanto que não há vítimas mortais diretas, com exceção das pessoas que morreram em acidentes de viação nas estradas da região.

No local estão 1.200 bombeiros, apoiados por 110 helicópteros e 27 aviões de combate a incêndios.

Este é já considerado o maior desastre natural da História do Canadá.