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O bem-estar das galinhas pode passar pela tecnologia

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O bem-estar das galinhas pode passar pela tecnologia

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Julián López Gómez, Euronews: “Estamos numa quinta inteligente equipada com câmaras, sensores e microfones.

Julián López Gómez, Euronews: “Estamos numa quinta inteligente equipada com câmaras, sensores e microfones. O equipamento não faz, apenas, parte do sistema de segurança. Foi instalado por investigadores europeus a pensar no conforto das galinhas e, claro, na produtividade.”

Nesta quinta existem 20 mil galinhas. Todas sob vigilância. As câmaras e os microfones detetam os movimentos, a distribuição no espaço e enviam sinais de alerta aos criadores caso seja detetado um comportamento anormal.

Julián López Gómez, Euronews: “Como pode a informação obtida a partir do sistema aumentar o conforto dos animais, a produtividade e a competitividade?”

“As câmaras e os microfones permitem-me detetar em tempo real se os animais estão em estado de stresse. Por isso, posso encontrar soluções mais rapidamente e de forma mais eficiente sem que tenha de estar aqui dentro em permanência” refere Twan Colberts, criador de galinhas.

Etólogos, especialistas em bioengenharia e veterinários participam num projeto de investigação europeu que permite obter informações suplementares sobre o comportamento animal

Movimento rápidos e caóticos podem indicar problemas relacionados, por exemplo, com a temperatura ambiente.

“Se um comedouro em linha ficar bloqueado, como este que vemos na imagem, as aves vão deslocar-se de um ponto para o outro. Neste momento, por exemplo, podemos ver que as aves se estão a movimentar rapidamente. Não sabemos o que está a acontecer. Estamos muito perto da porta de entrada e, é possível, que nos estejam a ouvir falar e que tenham ficado assustadas” refere Luc Rooijakkers, responsável do projeto.

Algumas das plataformas de teste de algoritmos e ferramentas informáticas foram desenvolvidas na Universidade de Leuven em colaboração com cerca de duas dezenas de parceiros. Os investigadores garantem estar em condições de identificar os problemas em 95 por cento dos casos.

“A distribuição das galinhas no espaço depende de fatores como o clima, a temperatura, a qualidade do solo, entre outros. Temos dados sobre o que numa determinada exploração agrícola deveriam ser os níveis para médios dos diferentes fatores que combinados afetam o comportamento animal. Quando fazemos as nossas previsões, podemos identificar com precisão o verdadeiro problema com que se deparam os animais na quinta” refere Alberto Peña Fernández, biocientista e assistente de investigação na Universidade de Lueven.

A plataforma, também, inclui um sistema que permite detetar precocemente problemas respiratórios, entre eles estão sintomas como a tosse.

O suinicultor John Verhoijsen lembra que “o tempo de visita ronda em média os 10 minutos” e que este sistema de monitorização permite obter “um exame completo de saúde 24 horas por dia, sete dias por semana. Nesse sentido posso ser mais reativo e, eventualmente, conter a propagação da doença.”

Outras câmaras permitem conhecer o peso dos animais antes e depois de serem alimentados. O controlo da traçabilidade do processo e a segurança dos produtos são duas das mais-valias, mas não são as únicas

Para Daniel Berckmans, Professor, na Universidade de Leuven e coordenador do projeto – em inglês – “um dos próximos grandes passos é fazer chegar a internet a todas as quintas europeias. No futuro, os criadores não vão vender apenas carne ou animais, vão vender informação e isso vai originar mais informação tanto na cadeia alimentar como para o consumidor”

Maior transparência e uma capacidade de resposta quase automática. Sistemas como estes já foram instalados em 20 locais diferentes e o balanço é, até ao momento, positivo.