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Brasil: Confrontos entre a polícia e opositores da destituição de Dilma

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De  Nelson Pereira
Brasil: Confrontos entre a polícia e opositores da destituição de Dilma

<p>Brasília viveu uma noite agitada. Manifestantes contrários à destituição da Presidente Dilma Rousseff envolveram-se em cenas de violência com forças da Polícia Militar. </p> <p>Os confrontos ocorreram durante a votação no Senado Federal da instauração do processo de impugnação de mandato da presidente. Os manifestantes atiraram pedras e fogo-de-artifício contra os agentes policiais, que responderam com gás lacrimogéneo.</p> <h3>As etapas</h3> <p>Na sessão do Plenário do Senado Federal que votou a instauração do processo de impugnação de mandato da presidente Dilma Rousseff estavam inscritos para discursar mais de 60 senadores. Os oradores tinham direito a falar por um período máximo de 15 minutos cada um e apenas uma vez, contra e a favor do parecer da Comissão Especial do Impeachment. Terminada esta etapa, deviam pronunciar-se o advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo, e o relator na Comissão do Impeachment, senador Antonio Anastasia (<span class="caps">PSDB</span>-MG). </p> <blockquote class="twitter-tweet" data-lang="fr"><p lang="pt" dir="ltr">Como já vou falar como relator, não me inscrevi na lista dos oradores. Não precisamos alongar mais uma sessão que já será demorada.</p>— Antonio Anastasia (@Anastasia) <a href="https://twitter.com/Anastasia/status/730449465417601024">11 mai 2016</a></blockquote> <script async src="//platform.twitter.com/widgets.js" charset="utf-8"></script> <p>O quórum mínimo para que o processo seja aprovado era de 41 dos 81 senadores. Pelo menos 2 dos 81 senadores não votaram na sessão de abertura do processo de impugnação da presidente esta quarta-feira, o que reduziu o número de votos favoráveis necessários para o afastamento de Dilma para 40. Uma vitória do “sim” pela continuidade do processo, implicará o afastamento de Dilma por um período de até 180 dias, durante os quais o país será governado pelo vice-presidente, Michel Temer, até que o processo seja concluído.</p> <blockquote class="twitter-tweet" data-lang="fr"><p lang="pt" dir="ltr">⚡️ “Senado decide hoje se admite processo de impeachment de Dilma” por <a href="https://twitter.com/SenadoFederal"><code>SenadoFederal</a><a href="https://t.co/QMKID78bN1">https://t.co/QMKID78bN1</a></p>&mdash; Senado Federal (</code>SenadoFederal) <a href="https://twitter.com/SenadoFederal/status/730363297044811776">11 mai 2016</a></blockquote> <script async src="//platform.twitter.com/widgets.js" charset="utf-8"></script> <h3>Dilma de malas feitas</h3> <p>A presidente já transferiu tudo que lhe pertence do gabinete presidencial para o Palácio da Alvorada, a residência oficial do Presidente do Brasil. Não foi ainda definido aquilo a que Dilma terá direito durante seu afastamento. A decisão caberá ao presidente do Senado Federal, Renan Calheiros. </p> <p>Calheiros disse antes da sessão do Plenário que a presidente deveria ser notificada sobre a decisão na quinta-feira, caso a abertura do processo de cassação de mandato fosse concluída pelo Senado.</p> <h3>“Não vamos repetir o espetáculo”</h3> <p>Os ânimos estiveram exaltados durante a sessão e os discursos foram proferidos no meio do alarido de conversas entre os presentes na assembleia, o que levou o presidente do Senado Federal, Renan Calheiros, a ameaçar interromper a sessão. “Não vamos repetir o espetáculo que tivémos na Câmara dos Deputados”, disse Calheiros, evocando a conturbada sessão de abril na Câmara dos Deputados durante a qual a impugnação foi aprovada com uma confortável maioria. </p> <p>Ao abrir a sessão, com quase uma hora de atraso, o presidente do Senado pediu serenidade e espírito de serviço público aos seus colegas. “Tentem deixar de lado a motivação partidária. A questão que se coloca é uma só: existem indícios de crime de responsabilidade pela presidente da República em 2015 que justificque a abertura do processo e o seu afastamento?”, frisou.</p> <p>Calheiros informou que não participaria na votação, para salvaguardar a isenção que o posto de presidente do Senado exige: “O presidente não deve votar em nenhuma circunstância porque estou lutando para manter independência, isenção e imparcialidade. Considero que votar seria negar tido isso que eu tentei fazer até agora.” </p> <h3>Fernando Collor em “Déjà vu”</h3> <p>O senador Fernando Collor (<span class="caps">PTC</span>-AL), que em 1992 foi alvo de um processo de impugnação, disse que alertou Dilma Rousseff para o risco de sofrer um processo e que foi ignorado pelo governo. Pediu agilidade no processo, lembrando que em 1992 passaram apenas quatro meses entre a apresentação da denúncia e sua decisão de renunciar. O ex-presidente da República disse que em 1992 foi instado a renunciar e, dois anos depois, foi absolvido de todas as acusações. “Mesmo assim perdi meu mandato e não recebi qualquer tipo de reparação.” <br /> Sobre Dilma, ressalvou que o maior crime de responsabilidade esteve no desleixo com a política, na irresponsabilidade com os défices fiscais e na ação ou omissão em relação a decisões da justiça.</p> <blockquote class="twitter-tweet" data-lang="fr"><p lang="pt" dir="ltr">'<a href="https://twitter.com/Collor"><code>Collor</a> lembra processo de impeachment em 1992 e critica presidencialismo em &#39;ruínas&#39; <a href="https://t.co/4sZ4qWtbUQ">https://t.co/4sZ4qWtbUQ</a> <a href="https://t.co/NwEi0R3qQ5">pic.twitter.com/NwEi0R3qQ5</a></p>&mdash; Senado Federal (</code>SenadoFederal) <a href="https://twitter.com/SenadoFederal/status/730599737716551681">12 mai 2016</a></blockquote> <script async src="//platform.twitter.com/widgets.js" charset="utf-8"></script> <h3>Ex-ministro de Dilma renega</h3> <p>O ex-ministro da Previdência do governo de Dilma Rousseff por quatro anos, o senador Garibaldi Alves (<span class="caps">PMDB</span>-RN), defendeu a abertura do processo de cassação de mandoto contra a presidente da República.</p> <p>Para Garibaldi Alves, Dilma atentou contra a Constituição. “Fui ministro do governo da presidente Dilma por quatro anos. Cumpri ali missão partidária, missão que não busquei. E, ao assumir o Ministério, disse logo de saída: vou assumir um abacaxi. E esse abacaxi permanece”, disse.</p> <p>Ex-presidente do próprio Senado, Garibaldi lembrou que, em menos de 25 anos, este é o segundo processo de impugnação votado pelo Senado e lamentou que “É tempo curto demais para ser posto à prova o nosso presidencialismo.”</p> <h3>Violência das forças policiais</h3> <p>A senadora Regina Souza (PT-PI) comentou os confrontos diante do edifício do Senado entre manifestantes contra o impeachment e a Polícia Militar responsabilizando Michel Temer pela violência das forças policiais e defendeu a gestão do governo.</p> <blockquote class="twitter-tweet" data-lang="fr"><p lang="pt" dir="ltr">Conspiração para derrubar Dilma começou três meses após a posse, diz <a href="https://twitter.com/SenadoraRegina"><code>SenadoraRegina</a> <a href="https://t.co/IOIzwCspGc">https://t.co/IOIzwCspGc</a> <a href="https://t.co/Yc9Rct7xPu">pic.twitter.com/Yc9Rct7xPu</a></p>&mdash; Senado Federal (</code>SenadoFederal) <a href="https://twitter.com/SenadoFederal/status/730582082943123456">12 mai 2016</a></blockquote> <script async src="//platform.twitter.com/widgets.js" charset="utf-8"></script> <h3>“Temer é um golpista”</h3> <p>Muito aplaudido pela bancada do partido do governo depois de um discurso inflamado, Lindbergh Farias (PT-RJ) disse que “Michel Temer é um golpista e não aceitaremos um governo com essas características”. Evocando o papel do <span class="caps">PSDB</span>, Farias acrescentou que “A oposição não teve lealdade à Constituição”. </p> <p>“Dilma fez mais pela Bahia do que Lula em oito anos e Fernando Henrique em oito anos”, disse o senador Otto Alencar (<span class="caps">PSD</span>-BA). O senador que foi 48º Governador do Estado da Bahia defendeu que Dilma com certeza cometeu erros, mas que tem uma certeza: a presidente não cometeu nenhuma falha moral.</p> <h3>Na pele de Dilma</h3> <p>Enquanto os senadores debatiam o prosseguimento da impugnação de mandato da presidente, os internautas publicaram comentários sobre o que fariam se estivessem na pele de Dilma: o hashtag #SeEuFosseADilma sbuiu ao topo dos assuntos mais citados no Twitter na noite de quarta-feira.</p> <blockquote class="twitter-tweet" data-lang="fr"><p lang="pt" dir="ltr"><a href="https://twitter.com/hashtag/SeEuFosseADilma?src=hash">#SeEuFosseADilma</a> desceria a rampa assim: <a href="https://t.co/Awt11V36aj">pic.twitter.com/Awt11V36aj</a></p>— Satanás (@SenhorSatanas) <a href="https://twitter.com/SenhorSatanas/status/730543390698446854">11 mai 2016</a></blockquote> <script async src="//platform.twitter.com/widgets.js" charset="utf-8"></script> <blockquote class="twitter-tweet" data-lang="fr"><p lang="pt" dir="ltr"><a href="https://twitter.com/hashtag/SeEuFosseADilma?src=hash">#SeEuFosseADilma</a> trocava as senhas wi-fi do planalto, deixava a geladeira vazia, carros sem gasolina e cancelava o netflix</p>— Falta o zagueiro (@paologoncalves) <a href="https://twitter.com/paologoncalves/status/730503722695004166">11 mai 2016</a></blockquote> <script async src="//platform.twitter.com/widgets.js" charset="utf-8"></script> <h3>“Vomitaço” na página do <span class="caps">PMDB</span></h3> <p>Na <a href="https://www.facebook.com/PMDBNacional15/?fref=ts">página oficial do <span class="caps">PMDB</span> no Facebook</a> decorre um “Vomitaço”, uma ação de protesto contra Michel Temer – internautas favoráveis a Dilma protestam publicando emoticons de “vómito” contra o que consideram um “golpe”. A ação começou na noite de terça-feira na página oficial do vice-presidente Temer e continuou na quarta-feira na página do partido. O flagelo é difícil de controlar pelos moderadores, pois já foram “postados” mais de 30 mil “vómitos” desde terça-feira.</p> <h3>Lista de oradores</h3> <p>1 – Ana Amélia (PP-RS)<br /> 2 – José Medeiros (<span class="caps">PSD</span>-MT)<br /> 3 – Aloysio Nunes Ferreira (<span class="caps">PSDB</span>-SP)<br /> 4 – Marta Suplicy (<span class="caps">PMDB</span>-SP)<br /> 5 – Ataídes Oliveira (<span class="caps">PSDB</span>-TO)<br /> 6 – Ronaldo Caiado (<span class="caps">DEM</span>-GO)<br /> 7 – Zeze Perrella (<span class="caps">PTB</span>-MG)<br /> 8 – Lúcia Vânia (<span class="caps">PSB</span>-GO)<br /> 9 – Magno Malta (PR-ES)<br /> 10 – Ricardo Ferraço (<span class="caps">PSDB</span>-ES)<br /> 11 – Romário (<span class="caps">PSB</span>-RJ)<br /> 12 – Sérgio Petecão (<span class="caps">PSD</span>-AC)<br /> 13 – Telmário Mota (<span class="caps">PDT</span>-RR)<br /> 14 – Dário Berger (<span class="caps">PMDB</span>-SC)<br /> 15 – Simone Tebet (<span class="caps">PMDB</span>-MS)<br /> 16 – Cristovam Buarque (<span class="caps">PPS</span>-DF)<br /> 17 – Angela Portela (PT-RR)<br /> 18 – José Maranhão (<span class="caps">PMDB</span>-PB)<br /> 19 – José Agripino (<span class="caps">DEM</span>-RN)<br /> 20 – Jorge Viana (PT-AC)<br /> 21 – Acir Girgacz (<span class="caps">PDT</span>-RO)<br /> 21 – Fátima Bezerra (PT-RN)<br /> 23 – Eduardo Amorim (<span class="caps">PSC</span>-SE)<br /> 24 – Aécio Neves (<span class="caps">PSDB</span>-MG)<br /> 25 – Wilder Morais (PP-GO)<br /> 26 – Alvaro Dias (PV-PR)<br /> 27 – Waldermir Moka (<span class="caps">PMDB</span>-MS)<br /> 28 – Roberto Requião (<span class="caps">PMDB</span>-PR)<br /> 29 – Marcelo Crivella (<span class="caps">PRB</span>-RJ)<br /> 30 – Randolfe Rodrigues (Rede-AP)<br /> 31 – Lasier Martins (<span class="caps">PDT</span>-RS)<br /> 32 – Vanessa Grazziotin (PC do B-AM)<br /> 33 – Reguffe (sem partido-DF)<br /> 34 – Hélio José (<span class="caps">PMDB</span>-DF)<br /> 35 – Cássio Cunha Lima (<span class="caps">PSDB</span>-PB)<br /> 36 – Regina Sousa (PT-PI)<br /> 37 – Armando Monteiro (<span class="caps">PTB</span>-PE)<br /> 38 – Fernando Collor (<span class="caps">PTC</span>-AL)<br /> 39 – Fernando Bezerra Coelho (<span class="caps">PSB</span>-PE)<br /> 40 – Valdir Raupp (<span class="caps">PMDB</span>-RO)<br /> 41 – Paulo Bauer (<span class="caps">PSDB</span>-SC)<br /> 42 – Gladson Cameli (PP-AC)<br /> 43 – Garibaldi Alves FIlho (<span class="caps">PMDB</span>-RN)<br /> 44 – Omar Aziz (<span class="caps">PSD</span>-AM)<br /> 45 – João Capiberibe (<span class="caps">PSB</span>-AP)<br /> 46 – Lídice da Mata (<span class="caps">PSB</span>-BA)<br /> 47 – Antonio Carlos Valadares (<span class="caps">PSB</span>-SE)<br /> 48 – Otto Alencar (<span class="caps">PSD</span>-BA)<br /> 49 – Lindbergh Farias (PT-RJ)<br /> 50 – Paulo Rocha (PT-PA)<br /> 51 – Maria do Carmo Alves (<span class="caps">DEM</span>-SE)<br /> 52 – Tasso Jereissati (<span class="caps">PSDB</span>-CE)<br /> 53 – Wellington Fagundes (PR-MT)<br /> 54 – Gleisi Hoffmann (PT-PR)<br /> 55 – Flexa Ribeiro (<span class="caps">PSDB</span>-PA)<br /> 56 – Paulo Paim (PT-RS)<br /> 57 – Roberto Rocha (<span class="caps">PSB</span>-MA)<br /> 58 – Blairo Maggi (PR-MT)<br /> 59 – Donizeti Nogueira (PT-TO)<br /> 60 – José Pimentel (PT-CE)<br /> 61 – Dalirio Beber (<span class="caps">PSDB</span>-SC)<br /> 62 – Walter Pinheiro (sem partido-BA)<br /> 63 – José Serra (<span class="caps">PSDB</span>-SP)<br /> 64 – Humberto Costa (PT-PE)<br /> 65 – Davi Alcolumbre (<span class="caps">DEM</span>-AP)<br /> 66 – Ciro Nogueira (PP-PI)<br /> 67 – Ivo Cassol (PP-RO)<br /> 68 – Benedito de Lira (PP-AL)</p>