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Brasil: Confrontos entre a polícia e opositores da destituição de Dilma

Brasília viveu uma noite agitada. Manifestantes contrários à destituição da Presidente Dilma Rousseff envolveram-se em cenas de violência com forças

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Brasil: Confrontos entre a polícia e opositores da destituição de Dilma

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Brasília viveu uma noite agitada. Manifestantes contrários à destituição da Presidente Dilma Rousseff envolveram-se em cenas de violência com forças da Polícia Militar.

Os confrontos ocorreram durante a votação no Senado Federal da instauração do processo de impugnação de mandato da presidente. Os manifestantes atiraram pedras e fogo-de-artifício contra os agentes policiais, que responderam com gás lacrimogéneo.

As etapas

Na sessão do Plenário do Senado Federal que votou a instauração do processo de impugnação de mandato da presidente Dilma Rousseff estavam inscritos para discursar mais de 60 senadores. Os oradores tinham direito a falar por um período máximo de 15 minutos cada um e apenas uma vez, contra e a favor do parecer da Comissão Especial do Impeachment. Terminada esta etapa, deviam pronunciar-se o advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo, e o relator na Comissão do Impeachment, senador Antonio Anastasia (PSDB-MG).

O quórum mínimo para que o processo seja aprovado era de 41 dos 81 senadores. Pelo menos 2 dos 81 senadores não votaram na sessão de abertura do processo de impugnação da presidente esta quarta-feira, o que reduziu o número de votos favoráveis necessários para o afastamento de Dilma para 40. Uma vitória do “sim” pela continuidade do processo, implicará o afastamento de Dilma por um período de até 180 dias, durante os quais o país será governado pelo vice-presidente, Michel Temer, até que o processo seja concluído.

Dilma de malas feitas

A presidente já transferiu tudo que lhe pertence do gabinete presidencial para o Palácio da Alvorada, a residência oficial do Presidente do Brasil. Não foi ainda definido aquilo a que Dilma terá direito durante seu afastamento. A decisão caberá ao presidente do Senado Federal, Renan Calheiros.

Calheiros disse antes da sessão do Plenário que a presidente deveria ser notificada sobre a decisão na quinta-feira, caso a abertura do processo de cassação de mandato fosse concluída pelo Senado.

“Não vamos repetir o espetáculo”

Os ânimos estiveram exaltados durante a sessão e os discursos foram proferidos no meio do alarido de conversas entre os presentes na assembleia, o que levou o presidente do Senado Federal, Renan Calheiros, a ameaçar interromper a sessão. “Não vamos repetir o espetáculo que tivémos na Câmara dos Deputados”, disse Calheiros, evocando a conturbada sessão de abril na Câmara dos Deputados durante a qual a impugnação foi aprovada com uma confortável maioria.

Ao abrir a sessão, com quase uma hora de atraso, o presidente do Senado pediu serenidade e espírito de serviço público aos seus colegas. “Tentem deixar de lado a motivação partidária. A questão que se coloca é uma só: existem indícios de crime de responsabilidade pela presidente da República em 2015 que justificque a abertura do processo e o seu afastamento?”, frisou.

Calheiros informou que não participaria na votação, para salvaguardar a isenção que o posto de presidente do Senado exige: “O presidente não deve votar em nenhuma circunstância porque estou lutando para manter independência, isenção e imparcialidade. Considero que votar seria negar tido isso que eu tentei fazer até agora.”

Fernando Collor em “Déjà vu”

O senador Fernando Collor (PTC-AL), que em 1992 foi alvo de um processo de impugnação, disse que alertou Dilma Rousseff para o risco de sofrer um processo e que foi ignorado pelo governo. Pediu agilidade no processo, lembrando que em 1992 passaram apenas quatro meses entre a apresentação da denúncia e sua decisão de renunciar. O ex-presidente da República disse que em 1992 foi instado a renunciar e, dois anos depois, foi absolvido de todas as acusações. “Mesmo assim perdi meu mandato e não recebi qualquer tipo de reparação.”
Sobre Dilma, ressalvou que o maior crime de responsabilidade esteve no desleixo com a política, na irresponsabilidade com os défices fiscais e na ação ou omissão em relação a decisões da justiça.

Ex-ministro de Dilma renega

O ex-ministro da Previdência do governo de Dilma Rousseff por quatro anos, o senador Garibaldi Alves (PMDB-RN), defendeu a abertura do processo de cassação de mandoto contra a presidente da República.

Para Garibaldi Alves, Dilma atentou contra a Constituição. “Fui ministro do governo da presidente Dilma por quatro anos. Cumpri ali missão partidária, missão que não busquei. E, ao assumir o Ministério, disse logo de saída: vou assumir um abacaxi. E esse abacaxi permanece”, disse.

Ex-presidente do próprio Senado, Garibaldi lembrou que, em menos de 25 anos, este é o segundo processo de impugnação votado pelo Senado e lamentou que “É tempo curto demais para ser posto à prova o nosso presidencialismo.”

Violência das forças policiais

A senadora Regina Souza (PT-PI) comentou os confrontos diante do edifício do Senado entre manifestantes contra o impeachment e a Polícia Militar responsabilizando Michel Temer pela violência das forças policiais e defendeu a gestão do governo.

“Temer é um golpista”

Muito aplaudido pela bancada do partido do governo depois de um discurso inflamado, Lindbergh Farias (PT-RJ) disse que “Michel Temer é um golpista e não aceitaremos um governo com essas características”. Evocando o papel do PSDB, Farias acrescentou que “A oposição não teve lealdade à Constituição”.

“Dilma fez mais pela Bahia do que Lula em oito anos e Fernando Henrique em oito anos”, disse o senador Otto Alencar (PSD-BA). O senador que foi 48º Governador do Estado da Bahia defendeu que Dilma com certeza cometeu erros, mas que tem uma certeza: a presidente não cometeu nenhuma falha moral.

Na pele de Dilma

Enquanto os senadores debatiam o prosseguimento da impugnação de mandato da presidente, os internautas publicaram comentários sobre o que fariam se estivessem na pele de Dilma: o hashtag #SeEuFosseADilma sbuiu ao topo dos assuntos mais citados no Twitter na noite de quarta-feira.

“Vomitaço” na página do PMDB

Na página oficial do PMDB no Facebook decorre um “Vomitaço”, uma ação de protesto contra Michel Temer – internautas favoráveis a Dilma protestam publicando emoticons de “vómito” contra o que consideram um “golpe”. A ação começou na noite de terça-feira na página oficial do vice-presidente Temer e continuou na quarta-feira na página do partido. O flagelo é difícil de controlar pelos moderadores, pois já foram “postados” mais de 30 mil “vómitos” desde terça-feira.

Lista de oradores

1 – Ana Amélia (PP-RS)
2 – José Medeiros (PSD-MT)
3 – Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP)
4 – Marta Suplicy (PMDB-SP)
5 – Ataídes Oliveira (PSDB-TO)
6 – Ronaldo Caiado (DEM-GO)
7 – Zeze Perrella (PTB-MG)
8 – Lúcia Vânia (PSB-GO)
9 – Magno Malta (PR-ES)
10 – Ricardo Ferraço (PSDB-ES)
11 – Romário (PSB-RJ)
12 – Sérgio Petecão (PSD-AC)
13 – Telmário Mota (PDT-RR)
14 – Dário Berger (PMDB-SC)
15 – Simone Tebet (PMDB-MS)
16 – Cristovam Buarque (PPS-DF)
17 – Angela Portela (PT-RR)
18 – José Maranhão (PMDB-PB)
19 – José Agripino (DEM-RN)
20 – Jorge Viana (PT-AC)
21 – Acir Girgacz (PDT-RO)
21 – Fátima Bezerra (PT-RN)
23 – Eduardo Amorim (PSC-SE)
24 – Aécio Neves (PSDB-MG)
25 – Wilder Morais (PP-GO)
26 – Alvaro Dias (PV-PR)
27 – Waldermir Moka (PMDB-MS)
28 – Roberto Requião (PMDB-PR)
29 – Marcelo Crivella (PRB-RJ)
30 – Randolfe Rodrigues (Rede-AP)
31 – Lasier Martins (PDT-RS)
32 – Vanessa Grazziotin (PC do B-AM)
33 – Reguffe (sem partido-DF)
34 – Hélio José (PMDB-DF)
35 – Cássio Cunha Lima (PSDB-PB)
36 – Regina Sousa (PT-PI)
37 – Armando Monteiro (PTB-PE)
38 – Fernando Collor (PTC-AL)
39 – Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE)
40 – Valdir Raupp (PMDB-RO)
41 – Paulo Bauer (PSDB-SC)
42 – Gladson Cameli (PP-AC)
43 – Garibaldi Alves FIlho (PMDB-RN)
44 – Omar Aziz (PSD-AM)
45 – João Capiberibe (PSB-AP)
46 – Lídice da Mata (PSB-BA)
47 – Antonio Carlos Valadares (PSB-SE)
48 – Otto Alencar (PSD-BA)
49 – Lindbergh Farias (PT-RJ)
50 – Paulo Rocha (PT-PA)
51 – Maria do Carmo Alves (DEM-SE)
52 – Tasso Jereissati (PSDB-CE)
53 – Wellington Fagundes (PR-MT)
54 – Gleisi Hoffmann (PT-PR)
55 – Flexa Ribeiro (PSDB-PA)
56 – Paulo Paim (PT-RS)
57 – Roberto Rocha (PSB-MA)
58 – Blairo Maggi (PR-MT)
59 – Donizeti Nogueira (PT-TO)
60 – José Pimentel (PT-CE)
61 – Dalirio Beber (PSDB-SC)
62 – Walter Pinheiro (sem partido-BA)
63 – José Serra (PSDB-SP)
64 – Humberto Costa (PT-PE)
65 – Davi Alcolumbre (DEM-AP)
66 – Ciro Nogueira (PP-PI)
67 – Ivo Cassol (PP-RO)
68 – Benedito de Lira (PP-AL)