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Zephyr, um protótipo para regenerar florestas

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Zephyr, um protótipo para regenerar florestas

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Regenerar florestas, recriar ecossistemas botânicos, redesenhar a verde o mundo que vivemos. Nesta edição de Futuris vamos dar a conhecer uma inovação ainda em fase de protótipo que promete ajudar o homem a corrigir alguns dos erros que levaram à destruição de certos ambientes naturais. Seja pela poluição, seja pela intervenção excessiva sobre certas espécies botânicas.

Viajámos até Varese, no norte de Itália, para conhecermos um género de estufa inteligente capaz de simular as diferentes condições que caracterizam determinados ecossistemas onde certas espécies se desenvolvem de forma natural. Fomos ao encontro do projeto Zephyr.

“Parece um normal contentor de transporte”, diz-nos o jornalista da “euronews Julián López Gómes, junto a uma destas estruturas que “alberga uma estufa sofisticada de alta tecnologia”. De acordo com os seus criadores, estas estufas podem ajudar a garantir a sustentabilidade das florestas europeias.

Entrámos num berçário de árvores, onde centenas de jovens carvalhos, faias e pinheiros são tratados com todo o cuidado. Um movimento constante das prateleiras garante às ainda pequenas plantas um ambiente próximo ao da respetiva floresta de onde cada árvore será natural e que é quase impossível de obter recorrendo em câmaras normais de crescimento.

“Temos sensores do ambiente muito diferentes, tanto dentro do contentor como dentro da própria câmara de crescimento. Estes sensores monitorizam a temperatura, a humidade e o dióxido de carbono. Com o programa do computador podemos controlar a velocidade de rotação dentro da câmara de crescimento e movimentar o braço robótico”, explicou-nos Rosaria Santamaria, bióloga da Universidade de Insubria, em Itália.

Sensores óticos e uma câmara estereoscópica integrada no braço robótico proporcionam aos cientistas a informação necessária para “monitorizar o crescimento das árvores”, percebendo a saúde e a evolução das árvores bebés. “Mesmo durante os fins de semana, como o meu telemóvel, e graças a todos os sensores ali dispersos, posso monitorizar toda a situação. Posso, por exemplo, saber se as luzes estão a funcionar devidamente”, acrescenta Rosaria Santamaria.

Eficientes lâmpadas LED permitem reproduzir os ciclos diurnos e noturnos, podendo ser ajustadas ao tipo de árvore florestal em desenvolvimento. “Antes de se construir a câmara de crescimento, realizámos estudos preliminares para definir os corretos parâmetros de cultivo. Não só a temperatura e o nível de humidade ideais, claro, mas também a quantidade de luz diurna e a respetiva intensidade de que necessitam as árvores”, conta-nos, por seu turno, Tatiana Marras, bióloga da Universidade de Tuscia, em Itália, concretizando: “Precisamos destes parâmetros para que possamos ter árvores bebés a crescer rápido, mas ao mesmo tempo robustas e com a devida arquitetura de raiz para que possam ser transplantadas em segurança para o exterior.”

Os cientistas dizem ter desenvolvido este protótipo de estufa inteligente para mostrar que as espécies botânicas podem ser regeneradas com recurso a menos água, pesticidas, fertilizantes e energia. Para isso, os investigadores tiveram de considerar muitas orientações da botânica, a ciência das plantas.

“Foi importante para nós, por exemplo, entender antes que um parâmetro importante poderia ser a altura da planta face à superfície do vaso. Isto poderia dar-nos uma dupla informação sobre o crescimento da árvore, permitindo-nos calcular a cinética da altura e a velocidade de crescimento”, aprofunda Donato Chiatante, especialista de biotecnologia na Universidade de Insubria, em Itália.

O protótipo foi desenhado para ser portátil. É alimentado por 20 painéis fotovoltaicos e, por isso, os investigadores garantem ser de fácil transporte mesmo para regiões ermas onde seja necessária uma regeneração florestal. “Cada planta tem genomas específicos. Os sobreiros espanhóis e portugueses, por exemplo, são diferentes dos italianos ou dos franceses. Com este protótipo, podemos plantar e transplantar pequenos chaparros para cada país ou cada localização, sem arriscar qualquer contaminação genética”, explica-nos Bartolomeo Schirone, dendrologista (especialista de árvores) na universidade de Tuscia e coordenador do projeto Zephyr.

As primeiras unidades destas estufas inteligentes podem chegar ao mercado dentro de seis anos, com os berçários florestais, os paisagistas e os urbanistas entre os eventuais clientes-alvo destas estruturas portáteis de alta tecnologia para a plantação e desenvolvimento de plantas sensíveis em ambiente artificial.

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