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Marrocos: Festival de Música Gnaoua, os ritmos de África

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Marrocos: Festival de Música Gnaoua, os ritmos de África

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Todos os anos, a cidade marroquina de Essaouira enche-se de melodias durante o Festival de Música Gnaoua.

Os ritmos modernos encontraram-se, aqui, entre os dias 12 e 15 de maio, com canções africanas de outros tempos.

A música Gnaoua é originária da região do Sahel, da África Ocidental e Central, e é considerada como sendo a raiz da música Blues, Jazz e, mesmo, do Rock and Roll. O objetivo deste festival é promover “fusões musicais” onde os músicos, de todo o mundo, são convidados a juntar-se a Maâhlemns, os mestres da música Gnaoua.

O norte-americano Jeff Ballard, que acompanhou Ray Charles, Pat Metheny ou Chick Corea, aceitou o repto e mergulhou nos ritmos míticos da música Gnaoua. Desta vez, ao lado do mestre da música marroquina Mohamed Kouyou.

“Conheci a música Gnaoua há, talvez, 15 anos e pareceu-me ser muito familiar, mesmo sem a ter ouvido antes. Por isso, é algo que me é natural”, afirma o norte-americano.

O “Jeff Ballard Trio” é, já, por si uma mistura de cultura musical com o líder californiano da banda, o guitarrista Lionel Loueke, do Benim, e o saxofonista de Porto Rico, Miguel Zenón.

Mohamed Kouyou teve o primeiro contacto com a música Gnaoua através da mãe, sendo por isso que costuma levar para o palco o seu filho, durante as atuações.

A banda “Songhoy Blues”, do Mali, juntou-se, em palco, ao Maâhlem Abdeslam Alikane que é, também, o diretor do festival.

O grupo de Timbuktu, formou-se na capital do Mali, Bamaco, depois dos membros terem sido forçados a abandonar as suas casas durante a guerra civil e depois da imposição da Sharia, a Lei Islâmica. Os músicos cresceram a ouvir os Beatles, Jimi Hendrix e John Lee Hooker, mas foi o hip hop e o R & B que mais marcaram.

Maâhlem Abdeslam Alikane tem ligações ao Mali. No passado, trabalhou com Ali Farka Touré, um dos mais importantes músicos de África, falecido em 2006.

12 dos 42 filhos de Doudou Ndiaye Rose, o mestre do tambor do Senegal, que faleceu em 2015, partilharam o palco com membros da família de Mahmoud Guinea, um dos mais icónicos mestres da música Gnaoua, falecido também no ano passado.

Esta troca de experiências, de ritmos e melodias, é a alma do festival, como refere a fundadora e diretora do festival, Neila Tazi Abdi. “Não somos um negócio do espetáculo. Este é um evento que celebra a música. É um laboratório de música de fusão artística, para artistas com horizontes abertos. Hoje, com todos os músicos que já passaram por Essaouira, durante 19 anos, temos muitos embaixadores, em todo o mundo, que saíram daqui com lembranças extraordinárias. Com uma experiência poderosa, que partilham com quem os rodeia e essa é a melhor maneira de dar credibilidade artística ao nosso projeto”, assegura.

O Festival de Música de Essaouira permitiu ao visitante mergulhar no mais profundo da música africana.

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