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Polícias em França na rua contra o ódio

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Polícias em França na rua contra o ódio

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Habituados a estar do outro lado das barricadas, desta vez, em França, foram os polícias a manifestar-se.

Obrigados muitas vezes a trabalhar horas extraordinárias dias a fio, os polícias franceses estão a fazer face a manifestações diárias, com a contestação à nova lei do trabalho, ao estado de emergência imposto depois dos atentados terroristas de novembro e ainda sofrem ataques e agressões.

“Os meus colegas não podem mais. Em primeiro lugar, estão exaustos com todas estas manifestações. Em segundo lugar, estão permanentemente a ser agredidos. Chegou a altura de dizer: Chega”, diz um dos participantes na manifestação. Uma mulher-polícia, também presente, desabafa: “Os polícias, comissários, oficiais e agentes estão fartos de ser estigmatizados, todos os dias, em todas as manifestações. Somos vítimas de violência e ainda gozam connosco. Somos apenas guardiães da paz (gardiens de la paix, termo usado em França para designar os agentes de polícia) no sentido nobre do termo”.

Alguns ativistas não gostaram da ideia de uma manifestação de polícias, sobretudo tendo em conta que o local escolhido em Paris foi a Praça da República, principal palco, também, das manifestações contra a lei do trabalho: “É uma provocação que a polícia tenha ocupado a Praça da República para uma manifestação contra o que chamam ódio anti-polícia. Desde que as manifestações começaram, a 9 de março, são eles que estão a gerar a violência. Eles atiram-nos gás lacrimogéneo, batem-nos com os bastões e vários manifestantes foram detidos”, diz um dos participantes na contramanifestação.

Os ativistas deitaram fogo a um carro da polícia, com dois agentes dentro, que conseguiram sair com ferimentos ligeiros. Foi aberta uma investigação por tentativa de homicídio.

A contramanifestação estava proibida. Mesmo assim, cerca de 300 pessoas compareceram para contestar a manifestação de polícias, com gritos de “porcos” e “assassinos”.

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