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Senegal aposta na autossuficiência agrícola

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Senegal aposta na autossuficiência agrícola

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O Senegal está a apostar fortemente na agricultura como motor de crescimento. Objetivo? Obter a autossuficiência em termos alimentares e incrementar as exportações. Quais são as oportunidades que estão aqui em jogo e qual é o panorama empresarial atualmente neste país?

Os senegaleses costumam dizer que se a agricultura estiver a funcionar, os problemas deixam de existir. Nos últimos dois anos, o país registou volumes de produção recorde, num setor que se está a modernizar rapidamente.

Suprir as necessidades do mercado interno

Dois terços do arroz deste país são produzidos junto ao rio Senegal. A empresa de Bruno Redon centrou-se na zona de Saint-Louis, onde foram investidos 55 milhões de euros para criar uma fábrica ultratecnológica. A missão de Bruno é fazer com que, dentro de três anos, a produção anual da Compagnie Agricole de Saint-Louis atinja as 100 mil toneladas.

“Reunimos várias condições: a qualidade dos solos, a proximidade do rio – o que possibilita a irrigação. E o clima, que permite fazer duas colheitas por ano, com uma média de 6 toneladas por hectare, o que é muito bom”, afirma.

Segundo o diretor de operações, François Grandry, “vão ser estabelecidos contratos entre os produtores, a empresa e um banco. Esse banco pode conceder um crédito para duplicar a produção que vamos comprar a alguém que atualmente faz apenas uma colheita por ano.”

Esta produção destina-se unicamente ao mercado interno. O arroz é a base da alimentação senegalesa. A exigência de qualidade é cada vez maior. “O Senegal importa mais de um milhão de toneladas de arroz por ano e produz só 350 mil. É uma diferença enorme”, salienta Grandry.

A abordagem além-fronteiras

Em 2003, o maior horticultor do país fez uma aposta arriscada: plantar milho e tomate-cereja nestes terrenos arenosos. Foram construídas estufas gigantes. O investimento da Grands Domaines du Senegal ascendeu aos 25 milhões de euros. Hoje em dia, a produção de legumes atinge as 14 mil toneladas por ano. No entanto, o objetivo aqui é exportar. 95% dos produtos vão para o estrangeiro. A Rússia, por exemplo, é um dos clientes. Na verdade, esta empresa beneficia de um estatuto específico enquanto exportadora.

“Não pagamos tarifas aduaneiras, nem determinados impostos. Daí que os nossos preços de custo sejam competitivos, para podermos concorrer no mercado europeu. É tão simples quanto isto. Empregamos 2500 pessoas. A nossa atividade estimula toda a economia local, desde os transportes, à restauração, até à habitação social. É um impulso para toda a economia da região”, explica o diretor dos Recursos Humanos, Adbou Sambe.

São exemplos como este que reforçaram consideravelmente a atividade do porto de Dacar. “O desenvolvimento da agricultura provocou um efeito de contágio positivo que se sente noutras atividades como o comércio, o transporte ou a indústria. Tudo isso torna este setor estratégico, o que constitui uma alavanca para dinamizar a economia senegalesa”, considera Pierre Ndiaye, diretor geral das políticas económicas do Senegal.

Para ampliar a atratividade do país, a ênfase foi colocada no desenvolvimento das parcerias público-privadas e no aperfeiçoamento da gestão de eventuais conflitos comerciais. Ao mesmo tempo, acelerou-se a simplificação administrativa, a redução de custos e a facilitação dos procedimentos.

Mountaga Syceo, da Agência de Investimentos senegalesa (APIX), realça que “é possível criar uma empresa em menos de seis horas. Os custos administrativos são um terço do que eram. Os prazos de ligação às redes de distribuição, sobretudo no saneamento básico, passaram de 90 dias para menos de 40.”

O governo senegalês salienta a emergência de apostar na chamada economia verde, que preconiza o desenvolvimento sustentável quer em termos ambientais, quer no esbatimento das desigualdades sociais. “Falamos em emergência no sentido de fazer emergir os homens e mulheres que trabalham para tentar melhorar a qualidade de vida. Investir no Senegal é interessante não só por causa da agricultura e do lado financeiro, mas também porque se pode ajudar as populações a melhorarem as suas condições de vida”, diz Adbou Sambe.

E, na verdade, em 2015, os investimentos diretos estrangeiros aumentaram 17% neste país.

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