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Factos-chave acerca da Monsanto

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Factos-chave acerca da Monsanto

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A Monsanto, gigante norte-americana dos pesticidas das sementes geneticamente modificadas, está de volta às manchetes. Milhares de pessoas desfilaram por cidades em todo o mundo, como Paris, Seattle ou Buenos Aires, a 21 de maio, na quarta “Marcha contra a Monsanto”.

Mas a multinacional de agricultura e biotecnologia também ocupa as primeiras páginas económicas, depois do grupo alemão Bayer ter oferecido 62 mil milhões de dólares (cerca de 55 mil milhões de euros) para adquirir a Monsanto.

Alguns dados importantes acerca da companhia:

A Monsanto é uma empresa gigante…

Tem 404 instalações em 66 países, 146 das quais nos Estados Unidos. A 31 de agosto de 2015, a Monsanto empregava 22.500 pessoas em todo o mundo, de forma permanente, e outras 3.000 em trabalhos temporários.

Os produtos da companhia estão em todo o lado. As sementes de soja Intacta RR2 PRO™ são cultivadas por cerca de 60700 quilómetros quadrados na América do Sul, uma superfície que a empresa espera duplicar, de acordo com o seu relatório anual de 2015.
Os concorrentes diretos da Monsanto são a Syngenta, avaliada em 32 mil milhões de euros, e a Dow Chemical, estimada em 46 mil milhões de euros.

…que pode continuar a crescer

Se os planos da Bayer para comprar a Monsanto forem concretizados – naquela que será potentialmente a maior aquisição de uma empresa alemã no estrangeiro -, será criado o maior fornecedor de explorações agrícolas do mundo, segundo a agência Reuters, eclipsando a união planeada entre as divisões de agricultura da Dow Chemical e da DuPont.

O novo conglomerado controlará 29% do mercado mundial de sementes e 24% do mercado dos pesticidas.

A Monsanto tem mais de 100 anos

Foi fundada em 1901 e, inicialmente, produzia sacarina. O fabrico de produtos químicos para a agricultura só começou em 1945. O controverso herbicida Roundup foi comercializado pela primeira vez no Estados Unidos em em 1976 e as primeiras sementes geneticamente modificadas em 1996.

O Roundup poderá ser ilegalizado na UE

O Roundup representa 40% do volume de negócios da Monsanto (1,3 mil milhões de euros em 2012). A Monsanto introduziu no mercado sementes “Roundup Ready”, capazes de tolerar o herbicida glifosato e permitindo, assim, aos agricultores eleminar ervas daninhas sem matar as suas culturas geneticamente modificadas.

A União Europeia adiou a decisão sobre uma eventual renovação da autorização do uso do glifosato, a sustância ativa do Roundup. Até ao ano 2000, o herbicida glifosato era produzido exclusivamente sob patente pela Monsanto. Em março de 2015, o glifosato foi considerado como “provavelmente cancerígeno para os humanos” pela Agência Internacional de Pesquisa sobre o Cancro (IARC – sigla em inglês). Mas outro estudo da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e da Organização Mundial de Saúde (OMS), publicado recentemente, estima que é improvável que o glifosato seja cancerígeno através da comida.

Está atualmente envolvida em vários processos legais

Várias cidades nos Estados Unidos (Seattle, San José, Oakland, San Diego e Spokane) avançaram com processos legais contra a Monsanto. Todas exigem elevadas indemnizações para assegurar a limpeza dos sistemas de drenagem das cidades, responsabilizando a companhia pela contaminação com PCBs (bifenilos policlorados) tóxicos.

A Monsanto, por seu lado, está a processar o Estado da Califórnia, que anunciou a intenção de adicionar o glifosato, principal ingrediente do herbicida Roundup, à sua lista de produtos cancerígenos.

A Monsanto já pagou 390 milhões de dólares para resolver um processo de contaminação

Em 2003, A Monsanto e a Solutia Inc. chegaram a um acordo para resolver um processo lançado por 20.000 residentes de Anniston, no Alamaba, que acusavam a empresa pela contaminação com PBCs, banidos pelo Congresso dos Estados Unidos em 1979. A Monsanto pagou 390 milhões de dólares nos termos do acordo.

A Monsanto não está ligada aos casos de microcefalia na América Latina

Num relatório que se tornou “viral” no início do ano, a Rede Universitária de Ambiente e Saúde da Argentina responsabilizava um produto químico, o piriproxifeno (usado para matar larvas de mosquitos), pela multiplicação de casos de microcefalia na América Latina. Peritos de saúde nos Estados Unidos e no Brasil rejeitaram rapidamente as conclusões do relatório, afirmando que o vírus Zika era o mais provável culpado.

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